Sintomas da gravidez: os primeiros sinais da gravidez

Alguns sintomas podem começar tão logo se inicie a produção do hormônio BHCG, ainda antes da falha da menstruação

Por Tais Romanelli
Atualizado em 26/08/2014 17:02
1 sintomas da gravidez Sintomas da gravidez: os primeiros sinais da gravidez

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A espera de um bebê é um momento mágico na vida das mulheres. Mas é verdade que, muitas vezes, a gravidez pega algumas delas de surpresa!

A primeira desconfiança surge, geralmente, após atraso de um ou mais dias na menstruação – isso no caso de ciclos menstruais regulares. Mas, vale destacar que este, embora seja o mais conhecido, não é o único sinal da gravidez.

Quando a mulher engravida, seu corpo inicia uma série de transformações para facilitar a interação entre o metabolismo da mãe e do bebê. Devido a esse fato, começam a surgir os sintomas de gravidez, que variam muito de pessoa para pessoa.

Alfonso Massaguer, ginecologista, obstetra e diretor da Clínica Mãe, reforça que cada gestação é única. “Ou seja, cada mulher sente a gestação de maneira diferente, e mais: cada mulher sente uma gestação diferente das demais gestações! Os sinais de gravidez são muito variados e podem ser experimentados ou não, nas mais diferentes intensidades e combinações a cada nova gestação”, destaca.

Porém, apesar das particularidades de cada gestação, o ginecologista e obstetra fala abaixo sobre os principais sintomas de uma gravidez e dá outras orientações sobre essa fase importante na vida da mulher. Vale a pena conferir:

13 sintomas da gravidez

2 sintomas da gravidez Sintomas da gravidez: os primeiros sinais da gravidez

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Massaguer lembra que, normalmente, o primeiro sinal de uma gravidez é o atraso menstrual. “Mas outros sintomas da gestação podem começar tão logo se inicie a produção do hormônio BHCG, ainda antes da falha da menstruação”, diz.

Os mais comuns, de acordo com o ginecologista, são:

1. Alterações emocionais

Podem ocorrer alterações emocionais da alegria à tristeza e, inclusive, labilidade – que é a variação brusca de humor.

A grávida pode chorar, por exemplo, ao se emocionar vendo um comercial de televisão ou ainda, ficar extremamente irritada e triste após uma simples discussão com o parceiro… Isso porque, nessa fase, coisas pequenas podem ganhar uma relevância desproporcional.

2. Alterações do sono

É mais comum que ocorra aumento do sono. Ou seja, a mulher tende a ir dormir mais cedo e sente mais dificuldades em acordar pela manhã, independentemente de quantas horas já tenha dormido.

Uma sensação de cansaço “desproporcional” às atividades diárias também é de se esperar e esta fadiga pode surgir com apenas uma semana de gestação. O detalhe é que, para as mulheres que já têm uma rotina bastante cansativa, o dia pode se tornar exaustivo.

Vale destacar que o cansaço e o aumento do sono na gravidez ocorrem por alterações hormonais. É um sintoma do início da gravidez, mas que habitualmente desaparece no segundo trimestre, retornando, porém, no final da gravidez, de forma geral.

3. Alteração da disposição geral

É comum que na gravidez ocorram alterações da disposição geral da mulher. Por exemplo, pela manhã ela pode estar se sentindo perfeitamente bem, disposta para desempenhar suas atividades.

Porém, do bem-estar pode passar à prostração – que é um estado de abatimento extremo, físico e psíquico –, isso sem nenhum motivo evidente.

4. Cólicas ou dores abdominais

A gravidez, logo no início, pode causar algum desconforto na parte inferior do abdômen e, ainda, uma sensação de inchaço na barriga – sintomas semelhantes aos que surgem dias antes da menstruação.

Vale destacar que, com a gravidez, o útero sofre alterações (inclusive, de tamanho), o que estimula o aparecimento de algumas contrações, sentidas pela mulher como cólicas. É aceitável também que ela sinta uma sensação de peso na parte inferior do ventre, bem como pontadas na região lombar, baixo ventre e vagina.

5. Mamas sensíveis

A mulher grávida pode sentir suas mamas mais sensíveis e turgidas (inchadas). O simples ato de colocar o sutiã, por exemplo, pode passar a incomodar.

Para as mulheres que têm o costume de dormir de bruços, também, os seios podem se tornar um incômodo nessa fase em que estão mais sensíveis.

6. Sangramento vaginal

Um sangramento vaginal em pequena quantidade pode ocorrer. Isso porque, após a fecundação do óvulo por um espermatozoide, o embrião percorre as trompas e se implanta na parede do útero entre 6 a 12 dias, e esta implantação pode causar um pequeno sangramento (muitas vezes, é confundido, inclusive, com a menstruação que está para chegar).

7. Aumento das mamas e escurecimento das aréolas mamárias

O aumento das mamas é um sintoma comum da gravidez e pode surgir logo na primeira ou segunda semana de gestação. Ele ocorre por alterações hormonais que promovem a estimulação das glândulas mamárias, deixando-as preparadas para a fase de amamentação.

Vale ressaltar que essa alteração pode ocorrer precocemente em algumas mulheres, mas isso não é uma regra: outras notam alterações nas mamas somente após várias semanas de gravidez.

Pode ocorrer ainda escurecimento das aréolas mamárias, o que acontece devido ao aumento de células pigmentares na região, por ação dos hormônios.

8. Flacidez abdominal

Assim como é possível que ocorra aumento do volume abdominal, mesmo em gestações precoces – já como preparação do corpo para suportar o crescimento uterino –, pode ocorrer flacidez abdominal em algumas mulheres. Mas, vale destacar, isso varia muito de mulher para mulher.

9. Alterações intestinais

É comum que ocorra aumento de gases nesta fase da vida da mulher, inclusive já nas primeiras semanas de gravidez.

Este é um sintoma um tanto embaraçoso, principalmente em situações em que a mulher costuma ficar horas dentro de um lugar fechado com outras pessoas (como, por exemplo, trabalhando em um escritório). Porém, deve ser encarado da melhor maneira possível.

Durante a gravidez, pode ocorrer ainda obstipação (também chamada de prisão de ventre ou constipação intestinal).

10. Enjoos

Os enjoos e os vômitos são sintomas típicos da gravidez. Geralmente pioram entre a 8ª e 16ª semanas da gestação, mas, há mulheres que já apresentam estes sintomas já na 2ª ou 3ª semana.

Vale ressaltar que os enjoos têm ainda intensidades muito diferentes de mulher para mulher.

11. Queimação gástrica e sensação de refluxo esofágico

Durante a gestação, o trânsito intestinal fica mais lento e, devido a isso, além de intestino preso, podem ocorrer queimação gástrica e sensação de refluxo.

12. Alterações de apetite

Durante a gestação existe grande alteração hormonal, emocional e metabólica, o que gera mudanças de apetite e aceitação alimentar na mulher. Podem acontecer da inapetência (falta de apetite) à compulsão alimentar e a possibilidade de desejos.

Por exemplo, a mulher poderá apresentar aversão a certa comida e/ou cheiro que antes até lhe agradava. Ou vice-versa: poderá ter vontade de experimentar algo que nunca quis provar antes, entre outras mudanças.

13. Alterações da pele e cabelos

Devido a alterações hormonais que ocorrem durante a gestação, podem ocorrer mudanças na pele e nos cabelos da mulher, provenientes da diminuição ou do aumento da oleosidade.

No sexo feminino, vale ressaltar, a acne está muito relacionada a alterações hormonais que provocam aumento da oleosidade da pele. Por isso, pode ser que, a qualquer momento da gravidez, a mulher desenvolva acne ou apresente agravamento no quadro que já possuía antes.

A partir de que momento uma mulher pode saber que está grávida?

Exame de sangue: Alfonso Massaguer destaca que com testes de detecção do hormônio BHCG cada vez mais precisos e sensíveis, hoje, é possível se detectar uma gestação a partir do oitavo dia após a concepção. “Ou seja, até mesmo antes de qualquer atraso menstrual, quando usado o exame de sangue BHCG quantitativo”, explica.

Teste de farmácia: O exame de urina , acrescenta o médico, apesar de muito seguro, é mais indicado quando existe o atraso menstrual.

5 dúvidas comuns das gestantes de primeira viagem

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1. Desejo por comer certos alimentos: mito ou realidade?

A mulher grávida, de fato, sente mais desejo de comer certos alimentos ou este é somente um mito?

Massaguer explica que durante a gestação existe grande alteração hormonal, emocional e metabólica, o que gera mudanças de apetite e aceitação alimentar. “Durante a fase de enjoos, alimentos mais ácidos, leves e frios são melhores aceitos que os quentes e gordurosos”, diz.

Ainda de acordo com o médico, após a 20ª semana de gestação, inicia-se a formação sanguínea fetal e algumas gestantes desenvolvem anemia, podendo aumentar o desejo por alimentos ricos em ferro, por exemplo.

“Apesar de comum, os desejos das gestantes não têm uma explicação científica confirmada”, destaca o ginecologista e obstetra Massaguer.

2. Por que a maioria das mulheres grávidas se sente enjoada?

Sentir-se enjoada é um sintoma bastante conhecido da gravidez. Mas por que isso acontece? Existe um período da gravidez em que este sintoma se torna mais presente ou isso varia de mulher para mulher?

Alfonso Massaguer explica que tanto o BHCG como a progesterona, hormônios da gestação, podem diminuir movimentos do estômago e intestino e também podem gerar alterações de acidez que aumentam a sensação de enjoos. “Geralmente eles pioram entre a 8ª a 16ª semanas da gestação, mas podem ter intensidade muito diferente de mulher para mulher”, destaca.

3. A partir de que momento a mulher deve procurar um médico?

A partir de que momento a mulher – desconfiada de que pode estar grávida – deve procurar um médico?

Massaguer destaca que a procura por um médico deveria anteceder a tentativa de engravidar. Mas, no caso da gestação ter ocorrido antes de uma consulta pré-concepcional, o teste de gestação e a consulta médica devem ser feitos o mais breve possível. “O acompanhamento precoce da gestação com pré-natal adequado é fundamental para o bem-estar de mãe e bebê prevenindo doenças e complicações”, explica.

4. Sangramentos durante a gravidez são sempre sinal de risco?

Os sangramentos durante a gestação merecem atenção. Mas, conforme explica Massaguer, nem sempre estão relacionados a complicações. “Podem ser decorrentes de implantação e movimentação placentária, por exemplo”, diz.

“Sangramentos em pequena ou mínima quantidade não costumam estar associados a perdas gestacionais e 50% das gestações são mantidas mesmo após sangramentos vivos em moderada a grande quantidade”, acrescenta o médico.

Porém, vale lembrar: no caso de sangramentos, consulte o mais rápido possível o seu obstetra.

5. Gestante pode praticar atividades físicas?

Será que as mulheres podem se exercitar durante a gestação ou não se sentem dispostas para isso? Essa é uma dúvida comum entre muitas pessoas.

Alfonso Massaguer explica que as gestantes podem e devem se exercitar, desde que sob orientação de seu obstetra. “Exercícios de baixo impacto, de leves a moderados, são muito benéficos para a maioria das gestantes e podem, inclusive, melhorar seu bem-estar durante a gestação”, destaca.

Cuidados gerais durante a gestação

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Após a confirmação da gestação e, independentemente dos sintomas que a mulher sente, é fundamental que ela tome certos cuidados neste período importante em sua vida, afinal, ela carrega agora, dentro de si, um novo ser.

Abaixo, o ginecologista e obstetra Massaguer fala sobre os cuidados gerais que uma gestante deve ter:

  • Gestantes não devem ficar em jejum prolongado e devem consumir líquidos adequadamente.
  • Não devem comer carnes mal passadas, nem verduras e legumes mal lavados.
  • Devem evitar mexer diretamente em terra.
  • Devem evitar posições desconfortáveis e estáticas para minimizar risco de mal-estar.
  • Impactos não são bem-vindos, por isso, devem tomar cuidado com quedas!
  • Não devem carregar peso em excesso: se não prejudicar o bebê, certamente prejudicará a coluna.
  • Devem evitar produtos químicos e ler rótulos antes de mudarem o visual dos cabelos.

Lembre-se, por fim, que gravidez não é uma doença, muito pelo contrário: é o começo de uma nova vida. Porém, é uma fase que exige cuidados. Assim, toda atenção é bem-vinda! Em casos de dúvidas consulte sempre seu médico obstetra.