Tudo sobre candidíase

Conheça as causas, sintomas, aprenda a evitar a infecção e saiba como deve ser o tratamento para o problema

Por Tais Romanelli
Atualizado em 31/07/2014 14:35
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Irritação da vulva e da vagina, vermelhidão e intenso prurido (coceira). Estes podem ser sinais da candidíase na mulher. Mas, vale destacar, estes não são os únicos sintomas da infecção, que – diferentemente do que muita gente pensa – não afeta somente as mulheres (embora seja mais comum nelas).

João Serafim da Cruz Neto, ginecologista com formação em Uroginecologia pela Universidade da Califórnia (EUA), Membro da International UrogynecologIcal Association (IUGA), médico da Clínica Pelvi – Uroginecologia e Cirurgia Ginecológica, do Hospital Santa Helena e do Hospital Santa Lúcia, explica que candidíase é a infecção causada por um fungo específico (Candida sp.), e é uma das alterações mais prevalentes entre as mulheres.

“Por seus sintomas serem bastante intensos, a candidíase costuma ter grande impacto na qualidade de vida da paciente durante o período de infecção”, destaca o médico. Abaixo você tira todas suas dúvidas sobre a candidíase e confere quais são os tipos mais comuns da infecção.

Quais são as causa da candidíase?

João Serafim da Cruz Neto explica que, normalmente, a infecção ocorre durante o lazer, principalmente em atividades que envolvam contato com ambientes úmidos, como piscinas, saunas, banheiras, córregos, ou roupas utilizadas durante a prática de atividades físicas e expostas ao suor por tempo prolongado.

A transmissão através do ato sexual também ocorre com frequência, conforme destaca o médico. “E frequentemente o contato com o fungo pelas relações sexuais é a causa de infecções recidivantes (que se repetem mesmo após o tratamento ter sido concluído pela paciente). Dessa forma, o tratamento deve sempre ser prescrito ao casal, quando a mulher tem vida sexual ativa”, explica.

Tipos de candidíase mais comuns e seus sintomas

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Candidíase vaginal

O ginecologista João Serafim da Cruz Neto explica que esta é a infecção mais comum causada por esse fungo.

“Os sintomas mais comuns da candidíase vaginal são: a irritação da vulva e da vagina, normalmente acompanhadas de hiperemia (vermelhidão) e intenso prurido (coceira) e pela presença de uma secreção vaginal esbranquiçada, com aspecto de talco molhado, que chega a formar algumas ‘placas’ na parede vaginal”, destaca o médico.

Candidíase oral

Embora a candidíase vaginal seja a infecção mais comum, podem ocorrer outras formas da doença, como a candidíase oral, que é mais frequente em crianças (mesmo em bebês), conforme destaca o médico João Serafim da Cruz Neto.

Os sintomas da candidíase oral, de forma geral, são: surgimento de placas esbranquiçadas na boca, língua ou garganta; ardência na boca; dor ou dificuldade para engolir.

“Vale lembrar que o status imunológico do indivíduo é um fator importante não apenas na propensão à infecção, mas também na intensidade da manifestação dos sintomas, já que o fungo pode ser comumente encontrado na cavidade oral, por exemplo, sem causar qualquer tipo de infecção”, acrescenta o ginecologista João Serafim da Cruz Neto.

Candidíase peniana

A candidíase é uma infecção muito mais frequente nas mulheres, mas pode também acometer homens.

“No homem, os sintomas da candidíase normalmente são prurido e uma aparente ‘descamação’ da glande (porção final do pênis)”, explica o médico João Serafim da Cruz Neto.

Como é feito o diagnóstico da candidíase?

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De acordo com o ginecologista João Serafim da Cruz Neto, o diagnóstico deve sempre ser feito por um médico que, após correlacionar os dados fornecidos durante a entrevista com a paciente, e proceder o exame físico, poderá ser capaz de diagnosticar a candidíase e instituir o tratamento adequado.

“Exames de cultura (laboratorial) e a inspeção por lamina de microscopia podem ser úteis em casos menos evidentes da doença”, acrescenta o médico.

Entenda como funciona o tratamento

De acordo com o ginecologista João Serafim da Cruz Neto, o tratamento da candidíase baseia-se no uso de antifúngicos, que normalmente são prescritos na forma de comprimidos (ao casal) e substâncias de uso local, que complementam o tratamento via oral.

“O tratamento oral pode ser feito utilizando medicamentos que são usados em única dose ou doses fracionadas ao longo de algumas semanas (normalmente estes últimos são prescritos para os casos de infecção recidivante, ou seja, de repetição)”, explica o médico.

Os tratamentos com uso de pomadas ou óvulos vaginais também variam de 1 a 10 dias, de acordo com a substância escolhida, conforme explica João Serafim da Cruz Neto. “O uso de medicamentos paliativos, para alívio dos sintomas, também é recomendável, pois os sintomas podem, por vezes, ter forte impacto na qualidade de vida da paciente”, destaca.

Podem ocorrer complicações se ela não for tratada corretamente?

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O ginecologista João Serafim da Cruz Neto explica que, normalmente, em pessoas sem comprometimento do sistema imunológico, a candidíase não costuma gerar complicações.

“Em pacientes portadores de HIV, ou em quimioterapia para o tratamento de algumas neoplasias, pessoas em uso de esteroides ou que tenham seu sistema imunológico abalado por algum fator (diabetes descompensada, por exemplo), pode ocorrer a disseminação da infecção fúngica, causando infecções no esôfago (esofagite), no cérebro e meninges (meningoencefalite), coração (endocardite), olhos (endoftalmite) e articulações (artrite)”, destaca o médico.

Como prevenir e evitar o problema

João Serafim da Cruz Neto destaca que a prevenção da candidíase baseia-se em manter o sistema imunológico em condições de evitar a infecção. Seguem algumas orientações para isso:

  • Seguir uma boa alimentação;
  • Ter uma prática regular de atividades físicas;
  • Controlar os níveis glicêmicos, no caso de pacientes diabéticos;
  • Evitar uso de medicações antibióticas ou hormônios esteroides (a menos que sejam prescritos por um médico para o tratamento de alguma outra enfermidade).

“A adequada higienização de peças de roupas íntimas e o uso de preservativo durante o ato sexual também são formas preconizadas de prevenir a candidíase”, ressalta o médico.

Adequar os hábitos de higiene e vestuário, com algumas atitudes simples tomadas no dia a dia, também fazem a diferença no sentido de evitar o surgimento da candidíase. Seguem dicas para isso:

  • Depois de urinar, enxugue-se delicadamente;
  • Evite calcinhas em tecido de fibra sintética ou outros materiais que permitam pouca ventilação, preferindo as de algodão;
  • Depois do banho de mar ou piscina, troque de roupa imediatamente;
  • Não deixe calcinha secando no banheiro;
  • Não fique por muito tempo com a roupa que praticou atividade física;
  • Mantenha sua área genital sempre limpa e seca.

Candidíase na gravidez é grave?

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Talvez você já tenha ouvido falar que a candidíase é um problema comum na gravidez. Mas sabe qual é o motivo disso?

João Serafim da Cruz Neto explica que, durante a gravidez, o corpo da mulher passa por muitas alterações, inclusive em seu sistema imunológico. “A gestante pode sim apresentar infecções vaginais durante a gestação, inclusive a candidíase”, diz.

“É importante ressaltar que as infecções vaginais na gestação podem levar a complicações sérias, inclusive a quadros de abortamento e ao nascimento prematuro do bebê, dentre outras”, destaca o médico.

Para as pacientes gestantes, ressalta o ginecologista, o adequado acompanhamento pré-natal feito por um profissional médico é fundamental para evitar complicações como as descritas anteriormente. “Pois na maioria das vezes o tratamento adequado para a candidíase e outras vaginoses pode ser realizado durante a gestação, dependendo da medicação prescrita pelo obstetra, de acordo com a fase da gestação em que a paciente se encontra”, finaliza João Serafim da Cruz Neto.

Agora você já tem informações importantes sobre a candidíase e, sobretudo, dicas de como evitar esta infecção. Cuide-se!