O que o Google mostra quando você pesquisa por “cabelo feio”?

Imagens de cabelos crespos e mulheres negras são frequentemente apresentados nas buscas do Google

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Atualizado em 04.04.22

Envato

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Em 03.04.22 às 9:30

Ao pesquisar a palavra-chave “cabelo feio”, imagens de cabelos crespos, sobretudo de mulheres negras, aparecem no maior buscador do mundo, o Google. Por muito tempo, o cabelo crespo, nas suas mais diversas curvaturas, foi sinônimo de descuido e desleixo, sendo constantemente chamado de “cabelo ruim”.

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A seguir, veja alguns dos resultados apresentados pelo Google:

Reprodução

Enquanto isso, os cabelos liso e de curvatura ondulada são vistos como bonitos, o “cabelo bom”. Contudo, quando se pensa nas curvaturas do cabelo crespo, os cacheados têm maior passabilidade, uma vez que cachos maiores e mais definidos têm maior aceitação da sociedade.

Como o google faz essa associação?

É comum surgir casos de mulheres negras levantando essa discussão ao verem sua imagem associada ao “cabelo feio” no buscador. Em 2021, a influenciadora Sah Oliveira se deparou com essa situação, pois uma foto sua aparecia na busca. Ao clicar na imagem, o usuário é levado para uma matéria em que a influenciadora discute sobre mitos e estereótipos do cabelo crespo.

Em 2020, a jovem Luana Daltro também se deparou com a sua imagem relacionada ao termo. A conexão da imagem está relacionada com uma entrevista em que comenta sobre a violência que pessoas negras enfrentam perante a uma sociedade racista.

Essa associação acontece devido à forma com que o algoritmo do buscador funciona. O sistema leva em consideração a imagem e as palavras correspondentes a ela. Ao inserir esses termos nos títulos ou corpo do texto, o algoritmo faz a associação com a imagem.

Essa associação tem fatores preocupantes, em que é preciso compreender o contexto social e a forma com que essas referências podem chegar aos usuários e na forma com que ele faz a compreensão de termo com imagem associada.

Lei de respeito aos cabelos naturais?

Recentemente, a Câmara dos EUA aprovou uma legislação contra a discriminação capilar, mas o texto ainda deve ser aprovado pelo Senado. A Lei chamada CROWN (Creating a respectful and Open Wold for Natural Hair), em tradução livre, “Criando um mundo respeitoso e aberto para cabelos naturais”, tem apoio do presidente Joe Biden, que pediu para os parlamentares a aprovarem rapidamente. Caso o projeto torne-se lei, a discriminação capilar deverá ser tratada como discriminação racial sob a lei federal de direitos civis.

Já no Brasil, uma lei como essa ainda não é discutida. Para casos parecidos, nos quais uma pessoa sofra preconceito devido ao seu cabelo crespo, uma lei possível de proteção seria a de injúria racial, a depender do caso.

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Assim como no Brasil, norte-americanos negros relatam serem tratados de forma discriminatória por conta dos seus cabelos naturais ou pelo uso de tranças e outros estilos que fazem parte da identidade negra. Por muitos, seus cabelos não são considerados “profissionais” em ambiente de trabalho. Além disso, nas escolas, crianças também costumam sofrer com comentários racistas.