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A resiliência de Camila Brait para se tornar medalhista olímpica

Camila Brait

Atualizado em 01.08.22

Após surgir como a sucessora de Fabi Alvim para assumir a posição de líbero da Seleção Brasileira de vôlei, Camila Brait passou por dois cortes olímpicos e anunciou sua aposentadoria precoce. Mas ela deu a volta por cima, tornou-se medalhista olímpica e a melhor líbero da Superliga Feminina, mostrando que lugar de mulher é no esporte.

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Primeiros passos

A mineira Camila de Paula Brait nasceu em 28 de outubro de 1988, em Frutal. Ela iniciou sua carreira no voleibol em Sacramento, no União Recreativa Sacramentana, onde permaneceu até 2004. Nos dois anos seguintes, teve passagens breves pelo Sesi Uberlândia e pelo Praia Clube. Contratada pelo São Caetano para a temporada 2007/2008, a esportista foi eleita a melhor passadora da Superliga Feminina. Na temporada seguinte, entrou para o time Osasco, sua casa há mais de dez anos.

Em 2012, Camila se tornou campeã mundial de clubes pelo Osasco, em Doha, no Catar. Seus maiores títulos foram pelo time paulista: duas vezes campeã da Superliga Feminina (2009/10 e 2011/12), tetracampeã sul-americana (2009, 2010, 2011 e 2012), além dos prêmios individuais como melhor passadora, melhor defensora e melhor líbero.

A posição em que Camila joga, líbero, foi introduzida pela Federação Internacional de Voleibol em 1998. A função de um líbero é atuar na defesa e recepção, sendo proibido atacar e sacar. Seu posicionamento é no fundo da quadra e, até 2021, não podia liderar a equipe. Com a mudança da regra, Camila se tornou a capitã do Osasco. Outra característica de um líbero é a baixa estatura. As outras jogadoras do time possuem mais de 1,70 m de altura, já Brait possui apenas 1,68 m.

Seleção Brasileira e ciclos olímpicos

Camila defendeu a Seleção Brasileira nas categorias de base e, em 2007, fez parte do time campeão do Mundial Juvenil. Em 2009, ela integrou a seleção adulta e, no mesmo ano, conquistou o título Grand Prix em Tóquio. Em 2010, a líbero fez parte da seleção vice-campeã do Campeonato Mundial, também no Japão. Ela acumula 6 medalhas em edições de Grand Prix e duas medalhas em Mundiais.

Brait participou de dois ciclos olímpicos, em 2012 e 2016, entretanto, em ambos, foi cortada da convocação oficial. Como as Olimpíadas limitam o número de atletas, muitos times selecionam apenas uma líbero. Em 2012, quem representou o Brasil foi a bicampeã olímpica Fabi Alvim, e em 2016, Léia Nicolosi. Após o último corte, Camila anunciou sua aposentadoria da Seleção Brasileira. Em 2017, afastou-se das quadras para se tornar mãe da Alice.

Entretanto, em 2019, a esportista foi convocada para a Seleção. Ela não quis participar da Liga das Nações, porém integrou o time para disputar a Copa do Mundo e o Campeonato Sul-Americano do mesmo ano. Em 2021, foi vice-campeã da Liga das Nações e das Olimpíadas de Tóquio. Novamente anunciou a aposentadoria da Seleção junto a Fernanda Garay. Na temporada de 2021/2022, deu uma pausa na carreira para se dedicar a uma segunda gravidez.

O papel de Camila Brait no voleibol brasileiro e mundial

O Brasil é conhecido como uma escola de líberos. Nenhum outro um país teve tantos jogadores bem-sucedidos nessa posição, tanto no voleibol masculino quanto no feminino. Serginho e Fabi Alvim fazem parte do grupo de atletas bicampeões olímpicos. Camila Brait precisou de muita garra e determinação para aprender com sua ídola, Fabi, e assumir seu lugar em um time vitorioso.

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Em 2012, Camila foi cortada da Seleção justamente porque Fabi foi a escolhida. Em 2016, o momento já era outro e Léia assumiu a titularidade. O sentimento de impotência perseguiu Brait durante dois ciclos olímpicos, tanto que ela, por um tempo, desistiu do seu sonho de representar o país na maior competição esportiva do mundo. No entanto, a chegada da Alice em sua vida marca uma reviravolta, a líbero recupera a confiança. Assim, além de medalhista, ela se torna um símbolo de resiliência para muitas jogadoras.

Ao lado de Carol Gattaz, posição central, que também sofreu com cortes olímpicos, Camila realiza seu sonho de representar o país. As esportistas conquistaram o amor do público e provaram que mandam muito bem em quadra. Após a aposentadoria da Seleção, Camila continua no Osasco, provando ser uma grande líder, sempre elevando a moral das colegas e do técnico Luizomar de Moura.

10 curiosidades para conhecer a pequena do vôlei

Camila pode até ser baixinha perto das outras jogadoras de volêi, no entanto, em quadra, essa mulher é gigante. A seguir, confira algumas curiosidades sobre a líbero mineira que conquista a torcida do Osasco há mais de 10 anos:

1. Detestava ser líbero

Em entrevistas, Camila revelou que, no início da carreira, detestava ser líbero. Sua vontade era atacar e não só defender. Ela até pensou em parar de jogar por um tempo, mas a falta de altura não a impediu de se consagrar como uma das melhores líberos de sua geração.

2. Jogou grávida

Após a final da Superliga contra o Rio de Janeiro em 2017, Camila revelou sua gravidez e, por isso, não se juntou ao Osasco na final do Mundial de Clubes. No ano anterior, ao anunciar sua aposentadoria da Seleção, ela já havia dito que seu maior sonho era ser mãe.

3. “Quero que minha filha me veja no pódio”

Em entrevista ao programa Conversa com Bial, Brait contou como foi voltar para a Seleção após a aposentadoria em 2016. Segundo a líbero, a insistência do técnico José Roberto Guimarães foi essencial, entretanto, a maturidade que a maternidade trouxe foi o ponto de virada. Além disso, ela queria ser uma inspiração para a filha.

4. Cidadã Osasquense

Após os Jogos Olímpicos de Tóquio, uma votação na Câmara Municipal de Osasco concedeu a honraria de cidadã Osasquense à Camila, mineira de Frutal que mora em Osasco desde 2008. Durante a votação, os vereadores encheram a jogadora de elogios, descrevendo-a como um exemplo e a maior estrela esportiva da cidade.

5. Palmeirense

Camila Brait

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Além do vôlei, outra paixão da líbero é o Palmeiras. O interesse pelo time foi herdado do bisavô, imigrante italiano, que era apaixonado pelo Palestra Itália. Desde então, Camila sempre demonstra seu apoio pela equipe nas redes sociais e vai aos jogos quando pode.

6. Se não fosse atleta, seria veterinária

Em entrevista ao Canal Olímpico, Camila revelou que, se não fosse atleta, seria médica veterinária. Nas redes sociais, ela e a filha exibem a paixão por cachorros.

7. Camila também é modelo

O talento de Camila não está somente no vôlei. Fora das quadras, ela também é modelo e agenciada pela Ford Sports, braço da agência Ford Models Brasil, voltada para atletas e personalidades do esporte.

8. Arrisca nas dancinhas

No tempo livre, ao lado das colegas de time, Camila arrisca nas dancinhas e coreografias que viralizam na internet. Durante as Olímpiadas, para fugir do confinamento, ela sempre estava presente nos vídeos da Confederação Brasileira de Vôlei.

9. Maior fã da Fabi

Camila Brait nunca esconde que sua maior ídola no esporte é a líbero Fabi Alvim. Dona de duas medalhas olímpicas (de ouro!), Fabi é comentarista dos canais Globo e sempre exalta os feitos de sua sucessora.

10. Maternidade e vida de atleta

Camila concilia as responsabilidades de ser atleta e mãe desde 2017. A mãe da Alice encontrou na filha a força e a maturidade que faltava. Em entrevista ao GE, o técnico da Seleção Brasileira, Zé Roberto, exaltou o desempenho de Camila após se tornar mãe: “Camila Brait, hoje, é uma jogadora que está atravessando um período muito bom em termos de maturidade, de tranquilidade, de uma forma completa. Principalmente depois que se tornou mãe, que veio a Alice.”

Enquanto os torcedores da seleção brasileira sentem falta da Brait, o Osasco comemora a presença da capitã, peça essencial da equipe desde 2008. Que tal ler sobre uma companheira de equipe dela, a primeira atleta transgênero a disputar a Superliga, Tifanny Abreu?