Períneo: sua função para a mulher e por que é importante fortalecê-lo

Escrito por
Em 28.11.19

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O períneo tem, resumidamente, a função de sustentar os órgãos pélvicos e também é responsável pela continência urinária e fecal, além de atuar no sexo e no parto. Por tudo isso, sua saúde deve ser preservada ou, em alguns casos, recuperada através de exercícios adequados. Saiba mais sobre a função do períneo e conheça exercícios eficazes para trabalhar esta região.

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O que é o períneo

Aparecida Monteiro (CRM 52669660), ginecologista com mestrado em saúde materno-infantil, membro da Associação de Ginecologia e Obstetrícia do Rio de Janeiro, explica que a região perineal (períneo) é formada por um conjunto de tecidos (músculo, fáscias e ligamentos), que se localiza na parte inferior de pelve. “Essas estruturas estão inseridas no arcabouço ósseo da pelve. Essa relação entre os tecidos e inserção é fundamental para a manutenção dos órgãos pélvicos em seus devidos lugares, permitindo também o funcionamento adequado desses órgãos”, diz.

“Costuma-se dizer que o períneo possui o formato de um diamante. Compreende órgãos genitais externos e o assoalho pélvico, sendo atravessado anteriormente pela vagina e uretra e, posteriormente, pelo reto”, acrescenta Aparecida.

A importância do períneo para a mulher

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Aparecida explica que esse conjunto de estruturas deve estar íntegro para que importantes funções sejam realizadas: sustentação dos órgãos pélvicos, mantendo o suporte anatômico das vísceras pélvicas; auxiliar na defecação, na contração da uretra e vagina, entre outros pontos.

O períneo tem papel importante no sexo. “Alguns músculos do períneo estão relacionados com a função sexual, em ambos os sexos. Existem músculos que promovem a manutenção da ereção do clitóris, atuando no orgasmo. Outros contraem ou relaxam a vagina, importante para o ato sexual. A musculatura deve relaxar para que a penetração ocorra de forma prazerosa”, explica Aparecida.

“A contração excessiva pode provocar dor na relação, muitas vezes não permitindo ou dificultando a penetração do pênis na vagina, ou até o próprio toque do local. Em contrapartida, a frouxidão vaginal pode ser motivo de redução do prazer. O equilíbrio das funções do músculo, bem como a sua integridade são bem importantes para a qualidade da relação sexual. Além disso, essa região é ricamente vascularizada e inervada, o estímulo pelo contato poderá aumentar a sensação de prazer; por tudo isso, a integridade do local faz diferença”, acrescenta a ginecologista.

O períneo tem ainda grande relação com a gravidez. “Faz parte do trajeto que o feto faz para nascer. Durante a gravidez, observamos um preparo dessa região que experimenta modificações pelo aumento da vascularização e pela mudança do padrão hormonal, sendo clinicamente constatadas pela alteração da cor e do edema vulvar. Essas alterações são normais do período gestacional e atingem a musculatura e ligamentos. Tudo para que o feto passe pela região. A passagem do feto pelo canal vaginal poderá resultar em traumas musculares que podem ocorrer por lacerações espontâneas, bem como as causadas por episiotomia (intervenção médica) quando realizadas”, explica Aparecida.

No pós-parto, acrescenta a ginecologista, algumas mulheres terão benefício com tratamentos conservadores para resgatar a função do períneo e de sua anatomia.

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A perineoplastia

Aparecida explica que a ruptura ou estiramento das estruturas que compõem o períneo podem provocar o prolapso (descida) de órgãos pélvicos – útero, bexiga, reto, parede vaginal. “A mulher pode ter ou não sintomas, como sentir um abaulamento vaginal ou sensação de pressão pélvica, ou ainda, sintomas urinários, intestinais ou sexuais”, diz.

A ginecologista esclarece que questões genéticas e hereditárias, além do sexo feminino, predispõem ao prolapso. Além disso, gestação, parto vaginal (principalmente de bebês muito grandes), doenças musculares e excesso de atividades com muita carga-peso são causas de prolapso. Obesidade, tabagismo, tosse crônica aceleram o processo; e aumento da idade e a menopausa intensificam a situação.

A perineoplastia é então a cirurgia que objetiva a correção e restauração da anatomia, aliviando os sintomas e corrigindo alterações funcionais dos órgãos pélvicos. É indicada para aquelas mulheres com sintomas ou cujo tratamento conservador não teve êxito. “Tanto o tratamento conservador quanto o cirúrgico devem ser oferecidos, não sendo recomendado o tratamento de mulheres assintomáticas”, destaca Aparecida.

“Quando existe alteração da anatomia e/ou da função perineal, alternativas à intervenção cirúrgica devem ser sempre estimuladas. O tratamento deve ser individualizado, levando sempre em consideração as expectativas da mulher e suas possibilidades de se comprometer com o tratamento conservador. É importante identificar possíveis fatores associados a serem corrigidos: obesidade, tabagismo e tratamento de constipação intestinal”, ressalta Aparecida.

Por que e como trabalhar o períneo

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Aparecida comenta que, com tantas funções importantes, todas as mulheres deveriam ser incentivadas ao fortalecimento do local. “Além disso, o reconhecimento dos grupos musculares que atuam na relação sexual, na micção e a defecação só ajudam a mulher a incrementar sua qualidade de vida. O conhecimento do corpo traz maior consciência e domínio sobre sensações, prazeres e incômodos”, diz.

Os exercícios de Kegel, destaca Aparecida, consistem no “apertar e soltar” a musculatura perineal. “Cada contração deve ser o mais vigorosa possível e durar de 3 a 5 segundos. O intervalo de descanso entre cada contração deve ser de 2 a 3 segundos. Geralmente são feitas 10 contrações, 2 ou 3 vezes ao dia”, diz.

“Os acessórios mais utilizados para este fim são os cones vaginais que podem ter pesos diferentes; bolinhas tailandesas que treinam contração e relaxamento da vagina e mini-vibradores também podem ser úteis no fortalecimento. A musculação tem atividades direcionadas para o fortalecimento do assoalho pélvico”, acrescenta a ginecologista Aparecida.

“O hábito de exercitar a musculatura perineal traz resultados bem positivos quando praticados de forma regular, visto que toda musculatura que não é utilizada acaba enfraquecendo. Como todo exercício, devem ser praticados de forma correta e na dose certa, o excesso também é prejudicial”, reforça Aparecida.

Juliana Sesso (CREF 063424 G/SP), proprietária do Spaço Vitaly, educadora física e doula, especialista em exercício físico para gestante, preparação para o parto e pós-parto, explica que 70% das fibras do períneo são de resistência e 30% de força. “Com exercícios adequados a saúde perineal pode ser conquistada, mantida ou recuperada. A prevenção sempre é a melhor opção”, diz.

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Vale lembrar que os músculos do períneo contribuem para o parto natural, ajudando o bebê a sair. “O períneo na gestação sofre uma grande sobrecarga por conta do peso do bebê, independentemente se ocorrer parto normal ou cesárea, e ele deve ser bem trabalhado para que o parto aconteça de forma natural e para prevenir possíveis lacerações”, explica Juliana.

“Essa musculatura precisa ser trabalhada de forma equilibrada, realizando exercícios que atuam na contração e relaxamento. O períneo precisa ser tonificado e, ao mesmo tempo, ter suas fáscias liberadas para que essa musculatura se alongue para a passagem do bebê e contraia facilitando sua saída”, acrescenta a educadora física e doula.

Exercícios

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Os exercícios perineais podem ser realizados antes, durante e após a gestação, e devem sempre ser orientados por um profissional especializado que tenha o conhecimento dessa região. Juliana cita abaixo exemplos de exercícios que trabalham o períneo:

  1. Contração e relaxamento sentada: realizar a contração da vagina e do ânus por alguns segundos e relaxar toda a musculatura ao mesmo tempo. Prestar atenção para não contrair glúteos, coxas e não prender a respiração.

  2. Contração e relaxamento de cócoras: de cócoras com as costas na parede, contrair e relaxar o períneo.
  3. Deitada com bola entre os joelhos: deitada com os joelhos flexionados e com uma bola entre os joelhos, apertar a bola e soltar.
  4. Ponte: deitada com os joelhos flexionados, elevar o quadril contraindo glúteos.
  5. Ativação com a respiração: deitada com joelhos flexionados, inspirar pelo nariz e expirar pela boca fazendo som de “shhhhh”, fechando costelas e ativando abdome e períneo.
  6. Agachamento aberto: em pé, pernas afastadas com os pés na diagonal, realizar um agachamento até 90°; relaxar o períneo na descida e contrair na subida.

Vale reforçar que, por mais que possam parecer simples, os exercícios devem sempre ser orientados por um profissional especializado após uma avaliação.

“Nas minhas aulas com gestantes, trabalhamos fortalecimento com contrações voluntárias e relaxamento, e de forma involuntária através da expiração forçada durante os exercícios. Sempre oriento massagem perineal e epi-no para complementar a preparação para o parto. No programa pós-parto, trabalhamos o fortalecimento 30% das fibras com exercícios de contração voluntária e o tônus, 70% das fibras com exercícios de contração involuntária com exercícios respiratórios, posturais e LPF (Low Pressure Fitness). Sempre oriento os exercícios que deverão ser feitos em casa após o acompanhamento presencial pois é preciso tomar cuidado, por exemplo, com o excesso de contração”, comenta Juliana.

Agora você já sabe da importante função do períneo para a mulher. Conheça também os tipos de vagina para adquirir cada vez mais autoconhecimento!

As informações contidas nesta página têm caráter meramente informativo. Elas não substituem o aconselhamento e acompanhamentos de médicos, nutricionistas, psicólogos, profissionais de educação física e outros especialistas.