Dicas de Mulher Dicas de Saúde

Sabonete íntimo: usar ou não usar? Ginecologista esclarece

Saiba se este tipo de produto é mesmo bom para a higiene feminina e esclareça outras dúvidas sobre o assunto

em 08/06/2015

Foto: Getty images

Foto: Getty images

Quando uma mulher vai à farmácia geralmente encontra à disposição uma grande variedade de sabonetes íntimos. Com os mais variados nomes, eles prometem basicamente a mesma coisa: “cuidar da higiene íntima feminina, proporcionando uma sensação de frescor e conforto”.

E é neste contexto que, muitas vezes, surge a questão: será que as mulheres realmente necessitam de um sabonete especial para sua higiene íntima? Por mais que esse tipo de produto não seja nenhuma novidade no mercado, esse ainda é um tema cercado de dúvidas.

Marair Sartori, ginecologista e obstetra do Hospital e Maternidade São Luiz Itaim, explica que sabonetes íntimos são sabonetes que têm pH mais ácido, variando entre 4,5 a 5,5. “Portanto, mais próximo ao pH da pele vulvar. E são hipoalergênicos (produtos com baixo potencial de causar alergia). São compostos por ácido lático, glicerina, ácidos graxos e controladores de pH”, diz.

Sim, o sabonete íntimo é dispensável no dia a dia. Em outras palavras: não é uma “obrigação” da mulher usá-lo. Mas, para as mulheres que gostam dos diferentes tipos de sabonetes, acham o cheiro e a sensação agradáveis, ótimo, esse tipo de produto pode ser uma boa opção. Desde que, claro, seja usado corretamente.

Vantagens x riscos do uso do sabonete íntimo

Foto: Getty images

Foto: Getty images

De acordo com Marair, as vantagens do sabonete íntimo são: manter o pH e a hidratação da pele. “Por serem detergentes suaves, evitam a remoção exagerada da gordura da pele, que é protetora, e evitam a desidratação”, diz.

Ou seja, esse tipo de sabonete é conhecido por ajudar a manter a região da vagina saudável, prevenindo infecções, além de poder proporcionar uma maior sensação de bem-estar.

“Mulheres que se preocupam muito com odores ou secreções vaginais são candidatas a usar o sabonete íntimo”, acrescenta a ginecologista.

Já aquelas com “a pele vulvar sadia, sem histórico de alergias ou de hipersensibilidade, por vezes, não sentem necessidade de usar produtos específicos”, diz Marair. “Mas devem evitar os sabonetes muito alcalinos, que prejudicam a função e desidratam a pele”, acrescenta.

Em relação aos riscos do uso do sabonete íntimo, Marair destaca que o problema ocorre somente quando há uso excessivo, mais do que três vezes ao dia. “Ou quando há fricção (esfregação que se faz sobre uma parte do corpo) exagerada, pois a remoção da camada lipídica da pele pode causar desidratação e perda da proteção cutânea. O tempo usado na higienização não deve passar de três minutos, no máximo”, diz.

Como usar o sabonete íntimo

Foto: Getty images

Foto: Getty images

O sabonete íntimo pode ser usado diariamente, mas pede alguns cuidados:

  • Não deve ser usado nas partes genitais internas (porque a chance de reações alérgicas é muito grande);
  • Não deve ser usado mais do que três vezes ao dia (o ideal é usá-lo apenas uma vez ao dia);
  • A higienização com esse tipo de sabonete não deve durar mais do que três minutos;
  • Não esfregar exageradamente a região.

A recomendação é que a higiene seja feita somente com os dedos (além da água e do sabonete íntimo, no caso), já que esponjas, cotonetes podem raspar a vulva e provocar ferimentos.

A higienização deve se concentrar na vulva (parte externa), e os movimentos devem ser leves. A vagina (parte interna), se comparada aos pequenos e grandes lábios, possui menor acúmulo de gordura. Dessa forma, não há necessidade de higienização mais intensa. Além disso, a região possui pH menos ácido (e quanto mais ácido, maior o controle de bactérias e fungos) e esse nível de acidez pode ser comprometido por sabonetes e/ou jatos de água, eliminando a proteção natural e facilitando a proliferação de micro-organismos nocivos.

Principais dúvidas sobre a higiene íntima da mulher

Foto: Getty images

Foto: Getty images

Abaixo a ginecologista esclarece as principais dúvidas sobre sabonete íntimo e a higiene íntima da mulher de uma forma geral.

É necessário lavar a vagina após o xixi? E após o sexo?

Marair explica que não é necessário lavar após urinar. “Após a atividade sexual, pode-se lavar com água e sabonete íntimo, porém, sem fazer duchas vaginais. Recomenda-se, ainda, sempre urinar após a relação sexual, para diminuir o risco de cistite”, diz.

Que outro tipo de sabonete é seguro para lavar a região externa da vagina?

“Aqueles com pH mais ácido, sem perfume exagerado, sem atividade detergente excessiva. Sabonetes de glicerina, por exemplo”, orienta Marair.

É recomendável usar lenços para higiene íntima e desodorantes íntimos?

De acordo com Marair, lenços umedecidos são úteis para higiene quando se está fora de casa. “Deve-se ter o cuidado de não esfregar demais, para não retirar a camada protetora da pele. E algumas mulheres podem ter reação alérgica aos seus componentes”, alerta.

A ginecologista não recomenda, porém, o uso de desodorante íntimo. “Esses produtos devem ser evitados pela possibilidade de irritação local. O mesmo serve para papel higiênico e absorventes perfumados”, explica.

A mulher pode usar sabonete íntimo durante o período da menstruação?

“Sim, o uso é o mesmo em qualquer período do ciclo”, destaca Marair.

O uso prolongado do sabonete íntimo pode causar algum problema?

Não, de acordo com Marair. “Somente o uso diário exagerado ou com fricção poderá causar problemas”, diz.

10 marcas de sabonetes íntimos para testar

Na galeria abaixo você confere algumas opções de sabonetes íntimos:

Dicas simples e eficazes de higiene íntima

Marair cita algumas dicas simples para ajudar a garantir a higiene íntima feminina:

  • É preferível usar roupa íntima de algodão, que permite a transpiração. “O tecido em contato com o períneo e vulva deve permitir a transpiração e evitar irritação. E os tecidos de algodão se encaixam bem nessa descrição”, acrescenta a ginecologista.
  • Não é necessário dormir sem calcinha, mas deve-se evitar roupas muito justas para isso.
  • No período menstrual, a mulher não deve permanecer muito tempo com o mesmo absorvente, a depender da quantidade de fluxo.
  • Fora do período menstrual, os absorventes devem ser trocados em cerca de 4 horas. Os absorventes de uso diário (fora do período menstrual) devem ser aqueles sem protetor plástico, para permitir a transpiração da pele.
  • Deve-se evitar lavar a calcinha no banho e deixar secar no banheiro.
  • As calcinhas devem ser lavadas e enxaguadas muito bem, além de ficarem para secar em ambiente aberto, ventilado e, se possível, com sol. “Isso elimina resíduos químicos das substâncias usadas na lavagem, evita a umidade e a proliferação de fungos e bactérias no tecido”, destaca Marair.
  • Não exagerar na higiene íntima: não usar buchas, panos ou toalhas, não esfregar demais o sabonete líquido. “Use água para retirar resíduos e sabonete detergente leve (que faz pouca espuma) para retirar o excesso de gordura e demais resíduos”, diz a ginecologista.
  • Não fazer duchas vaginais nem banhos de assento.
  • Não usar perfumes, pomadas, desodorantes ou hidratantes na vulva sem orientação.

Outra orientação importante é fazer a limpeza com papel higiênico sempre da frente para trás, a fim de evitar qualquer contaminação vaginal.

Então agora você já sabe: por mais que algumas pessoas digam o contrário, sabonete íntimo não é um produto indispensável na sua rotina. Mas, sim, ele pode ser útil; é mais uma questão de opinião, de preferência. E em caso de dúvidas, é claro, não deixe de conversar com seu (ua) ginecologista.

Comentários
Dicas relacionadas