Sexonambulismo: conheça as características e entenda por que é tão polêmico

Escrito por Tais Romanelli

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Você já ouviu falar em sexonambulismo? O termo é pouco conhecido, mas, na verdade, deveria ser mais explorado, conforme destaca o psicólogo e educador sexual Breno Rosostolato. A condição possui implicações sérias à vida – não apenas da pessoa que é acometida pelo distúrbio, como também, daquelas que convivem com ela.

Também conhecido como sexsomnia, o sexonambulismo é uma forma de sonambulismo. “É caracterizado pelo desejo de ter relações sexuais e se masturbar durante o sono. Acomete aproximadamente 7% da população mundial, ou seja, não é tão raro e incomum”, acrescenta Rosostolato. Entenda quais são as características deste distúrbio e por que ele é tão polêmico.

Por que o sexonambulismo é tão polêmico?

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A terapeuta sexual Leila Cristina comenta que a sexsomnia foi reconhecida como uma doença pela primeira vez em 2014. E, em 2018, a Academia Americana de Medicina do Sono (AASMNET) a incluiu em seu catálogo. “Ela faz parte do grupo de doenças conhecidas como parassonias, atividades motoras que são realizadas durante o período do sono”, diz.

O psicólogo Rosostolato explica que existe uma prevalência do distúrbio mais em homens (86%) do que mulheres. “É importante ressaltar que são pessoas que mantêm o mesmo padrão sexual dormindo, como se estivessem acordadas e que tendem a não lembrar do que ocorreu no dia seguinte”, diz.

O sexonambulismo é polêmico, conforme explica Rosostolato, porque houveram muitos casos de homens que tiveram relações sexuais com outras pessoas, sem o consentimento delas, o que configura estupro, e alegaram não lembrar de nada.

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“Esta questão da relação sexual concretizada através da alegação do sexonambulismo fez com que a área do Direito e Criminal tivesse que estudar o assunto com profundidade para poder culpar ou inocentar os casos já acontecidos”, acrescenta o psicólogo.

A terapeuta sexual Leila ressalta que esse distúrbio se tornou polêmico porque muitas pessoas “atacam sexualmente” seus parceiros durante o sono. “Como está dormindo, a pessoa não sabe o que faz, já que se trata de uma atividade automática do sistema nervoso. Homens e mulheres se queixam de serem surpreendidos durante o sono por seus parceiros ou parceiras em plena atividade sexual (ou tentativa)… As mulheres, principalmente, sentem-se estupradas ou violentadas por seus parceiros”, explica.

Características do sexonambulismo

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Os comportamentos sexuais relacionados ao sexonambulismo, de acordo com Leila, incluem:

  • Masturbação
  • Carícias
  • Sexo oral
  • Relações sexuais que podem atingir o clímax (orgasmo)
  • Agressão sexual/estupro

Leila ressalta que foi feita uma pesquisa online pela University Health Network, em Toronto (2006), onde constatou-se que 2/3 dos casos relatados ocorriam com homens.

“As causas incluem: consumo de álcool, uso de drogas, fadiga e estresse, além dos distúrbios do sono como apnéia obstrutiva. Outra causa de sexsomnia é a epilepsia relacionada ao sono, que pode resultar em excitação sexual, impulso pélvico e orgasmos”, explica a terapeuta sexual.

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A terapeuta sexual alerta, porém, que não se deve confundir sexonambulismo (sexsomnia) com ereção noturna, um fato bastante comum pelas alterações hormonais no homem durante o sono. “Na doença, a pessoa precisa estar ativa para conseguir o prazer sexual, seja sozinha, se masturbando ou com o/a parceiro(a)”, destaca.

O diagnóstico do sexonambulismo, conforme explica Leila, deve ser feito em hospitais ou em clínicas especializadas, por meio do estudo das ondas cerebrais do paciente (polissonografia noturna, eletroencefalograma).

Existe tratamento para o sexonambulismo?

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Breno Rosostolato destaca que o distúrbio não tem cura. “É muito importante a pessoa buscar ajuda e orientação médica e psicoterápica. Conhecer sobre o assunto é necessário para saber como lidar com este distúrbio, bem como os métodos e procedimentos existentes para atenuar os agravantes e dificuldades”, diz.

Leila ressalta que a primeira coisa a se fazer é procurar ajuda médica para os distúrbios do sono, pois uma pessoa com sexsomnia pode experimentar muitas emoções negativas, incluindo:

  • Frustração
  • Raiva
  • Confusão
  • Negação
  • Medo
  • Repulsão
  • Culpa
  • Vergonha

“Essas emoções negativas frequentemente levam a um tremendo estresse. O comportamento sexual durante o sono, seja agressivo ou não, para se a pessoa for despertada; por isso é importante que quem sofre desta doença converse com seu/sua parceiro/a pois ele estará agindo sem ter consciência ou memória do ocorrido”, acrescenta Leila.

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Rosostolato explica ainda que existem indicações de tratamentos medicamentosos, como antidepressivos, para pessoas que sofrem deste distúrbio. “É importante a pessoa buscar entender este tipo de sonambulismo investigando os distúrbios ligados ao sono. A psicoterapia, assim como técnicas de relaxamento e que promovam uma melhor respiração (como o yoga), são indicadas”, diz.

Leila Cristina comenta que o tratamento combina terapia e mudanças no estilo de vida do paciente. “Álcool, ansiedade e estresse devem ser evitados, pois podem ser gatilhos sexuais do sono. Os médicos costumam prescrever antidepressivos e/ou sedativos, acabando com os sintomas entre um a três meses. Também é possível tomar certas precauções, como dormir em um quarto separado com a porta trancada até que estes sintomas já estejam controlados”, acrescenta.

Agora você já sabe o que é o sexonambulismo e entendeu o porquê de ele ser tão polêmico. Leia mais também sobre insônia e formas de combatê-la.

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