Cólica intestinal: médico esclarece principais causas e sintomas

Escrito por Tais Romanelli

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Muitas pessoas já sofreram com a cólica intestinal e podem ter se deparado com a dúvida: o que esta dor significa exatamente? Quais são suas causas? Márcio Fontes, gastroenterologista do Hospital Santa Luzia, da Rede D’Or São Luiz, explica que a cólica intestinal é um tipo de dor de caráter intermitente, mais caracterizada por contrações e relaxamentos do intestino. “Podemos defini-la mais como um sintoma de alguma situação específica – às vezes decorrentes do estilo de vidam como hábitos alimentares e falta de atividade física, ou, em alguns casos, é sintoma de outras doenças intestinais”, diz.

Entenda melhor quais são as características e causas da cólica intestinal e a partir de que momento é necessário buscar uma consulta médica.

Causas

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De forma geral, a cólica intestinal pode ser proveniente de alguma patologia ou de maus hábitos. Confira as explicações do gastroenterologista.

Maus hábitos

Quando não envolve patologias intestinais, a cólica surge a partir de maus hábitos diários. “Se a pessoa não pratica atividades físicas, se alimenta mal e bebe pouca água, as chances de ela ser acometida pelo problema são grandes”, destaca Fontes.

“Isso ocorre uma vez que essas práticas favorecem a prisão de ventre, constipação e produção de gases, forçando o intestino a contrair e distender mais vezes”, explica o médico.

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Certas patologias

Fontes explica que, no caso de patologias que se escondem por trás das cólicas intestinais, as Doenças Inflamatórias do Intestino (DII) – sendo elas a Retocolite Ulcerativa e a Doença de Crohn – são exemplos comuns de causas. “Além da cólica, estas podem acarretar em diarreia contínua, às vezes com sangue e perda de peso”, diz.

Doenças diverticulares

Outro problema que pode levar à cólica intestinal são as doenças diverticulares. “Nelas surgem divertículos (pequenas bolsas protuberantes, geralmente decorrentes da força que intestino tem que fazer para empurrar fezes ressecadas) no intestino grosso. Nela, há inflamação do divertículo”, destaca Fontes.

Síndrome do Intestino Irritável (SII) ou gastroenterites

Conforme acrescenta o gastroenterologista, a Síndrome do Intestino Irritável (SII) ou gastroenterites também são comuns por trás da cólica.

A SII é definida como um distúrbio intestinal que não tem causas totalmente definidas e pode gerar dores na barriga, gases, diarreia e constipação.

Já a gastroenterite, é uma infecção intestinal que tem como sintomas diarreia, cólicas, náuseas, vômitos e febre.

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Embora a maioria das pessoas acredite nisso, não é correto afirmar que as cólicas intestinais são mais comuns entre as mulheres, conforme explica Fontes, pois isso depende da causa das mesmas. “O sexo afetado varia de acordo com a patologia que causa o problema”, acrescenta.

Sintomas

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“O intestino é um tubo muscular que se contrai e se distende. Neste processo, dependendo da frequência ou potência, a dor pode surgir”, explica Fontes.

O gastroenterologista acrescenta que geralmente as dores encontram-se na parte inferior do abdômen, devido à localização do intestino, mas isso pode variar de acordo com a causa do problema.

“Um clássico exemplo da cólica intestinal é a sensação de evacuar. Muitas vezes sentimos dores em ondas intermitentes, pois o intestino se contrai para empurrar e eliminar as fezes”, acrescenta Fontes.

Cólica intestinal na gravidez

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A cólica intestinal pode ser comum na gravidez, pois, conforme explica Fontes, geralmente, devido à ebulição hormonal desta fase, as mulheres apresentam quadros de constipação intestinal (intestino preso).

“E, desta forma, os gases são acumulados, assim como as fezes ressecadas, e o intestino é obrigado a realizar mais contrações para se livrar dos mesmos”, esclarece o gastrenterologista.

Como aliviar os sintomas?

Mas quais são, então, os cuidados que a grávida deve tomar para que os sintomas aliviem e também possam ser evitados? Uma vez que quadros de doenças mais graves sejam descartados, Fontes cita as principais orientações para evitar a cólica intestinal na gravidez:

Evitar determinados alimentos: é essencial que a mulher evite qualquer alimento que possa causar gases, prisão de ventre ou diarreia. “O grupo FODMAP (Oligosacarídeos, Dissacarídeos, Monosacarídeos e Polióis Ferementáveis) é encontrado em uma grande variedade de alimentos (frutas, legumes e laticínios) que são dificilmente absorvidos pelo intestino delgado. Alguns dos alimentos ricos em FODMAPs são maçã, abacate, cereja, cebola, repolho, brócolis, leite e iogurte. Estes hidratos de carbono mal absorvidos são, por sua vez, fermentados por bactérias do intestino, produzindo gases. Assim, os mesmos devem ser evitados”, explica.

Beber bastante água: quem toma pouca água também deve se atentar ao perigo da cólica intestinal, destaca Fontes, pois o líquido é responsável por amolecer o bolo fecal, fazendo com que as fezes não fiquem presas no intestino.

Praticar atividade física: a prática de atividade física é outra questão essencial, ressalta Fontes, uma vez que favorece o funcionamento do órgão.

A cólica intestinal é, então, um incômodo comum entre as gestantes e que, geralmente, não traz consequências sérias, podendo, inclusive, ser evitada. Mas, em alguns casos, a cólica pode indicar complicações mais graves, por isso, é essencial buscar ajuda médica e avaliar o caso individualmente.

Complicações

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Fontes destaca que é de extrema importância ficar atenta às cólicas intestinais prolongadas, aquelas que duram muito tempo. “Comer algo que não te fez bem pode acarretar em cólica, mas, após certo período, ela passa e tudo segue normalmente”, diz.

“Porém, deve-se procurar imediatamente a orientação médica caso a mesma venha acompanhada de febre, perda de peso, sangramento intestinal, diarreia e/ou quadro de fraqueza, dores ou moleza pelo corpo”, acrescenta o gastroenterologista.

Quando a cólica não é decorrente de maus hábitos diários, pode ser sinal de algumas patologias, como as destacadas pelo gastrenterologista Márcio Fontes:

  • Doenças Inflamatórias do Intestino (DII), como a Retocolite Ulcerativa e a Doença de Crohn;
  • Doenças diverticulares;
  • Síndrome do Intestino Irritável (SII);
  • Gastroenterites.

Para entender qual é a causa da cólica intestinal, descartar possíveis doenças e seguir o tratamento correto, é essencial procurar ajuda médica.

“O clínico geral pode ser procurado no primeiro momento para avaliar a situação do quadro. Porém, o gastroenterologista é o especialista mais indicado, uma vez que pode diagnosticar com maior exatidão os possíveis problemas por trás das cólicas intestinais”, finaliza Márcio Fontes.

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