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Infecção urinária: conheça os tipos, sintomas, tratamentos e prevenção

Os casos são mais frequentes em mulheres, pois o maior fator de risco é a atividade sexual e a anatomia do aparelho urinário feminino

em 14/03/2016

Foto: Getty Images

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Geralmente relatada como “aquele incômodo e ardor ao urinar”, a infecção urinária pode ser resumida como a infecção causada por bactérias no trato urinário.

Muita gente usa o termo para descrever a cistite (infecção da bexiga), muito comum nas mulheres. Porém, é importante saber que cistite é uma infecção somente da bexiga (ou parte baixa do trato urinário), ou seja, é um tipo de infecção urinária. Já o termo infecção urinária expressa um quadro infeccioso que pode ocorrer em qualquer parte do sistema urinário (como rins, bexiga, uretra e ureteres).

Maria Letícia de Azevedo, médica nefrologista do Hospital Santa Lúcia e diretora da Clínica de Doenças Renais de Brasília (CDRB), explica que infecção urinária é a presença de dor e ardência ao urinar, causada pela reação do corpo à presença de bactérias, vírus ou até fungos na bexiga e nas vias urinárias, que normalmente são estéreis”.

As mulheres em idade reprodutiva, de acordo com a médica nefrologista, são o grupo de maior incidência por faixa etária.

O problema merece bastante atenção. Patrícia de Rossi, médica ginecologista e obstetra do Conjunto Hospitalar do Mandaqui, em São Paulo (SP), destaca que mais de metade das mulheres terá uma cistite ao longo da vida, principalmente a partir do início da vida sexual.

Tipos de infecção urinária e seus sintomas

É possível falar, basicamente, em três tipos de infecção urinária:

Cistite

Este é o tipo mais comum. Maria Letícia explica que acontece quando os germes se encontram na bexiga e na uretra. “Os sintomas são ardência ao urinar, aumento da frequência urinária. Na maioria dos casos de cistite, a cura da infecção aconteceria mesmo sem uso de antibióticos. Contudo, esses são indicados, pois abreviam a duração dos sintomas.”

Pielonefrite

De acordo com Maria Letícia, é quando os germes se encontram nos ureteres e nos rins. “Além dos sintomas de cistite, pode haver febre, tremores no corpo, sensação de mal-estar e dor na região das costas (local onde ficam os rins). Todos os casos de pielonefrite merecem tratamento para evitar que a infecção se dissemine pela corrente sanguínea.”

Bacteriúria assintomática

Patrícia destaca este tipo de infecção urinária que acontece quando há bactérias na urina sem causar sintomas. “É relevante na gravidez, pois aumenta a chance de parto prematuro e bebês de baixo peso”, diz.

Causas das infecções urinárias

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Patrícia diz que as bactérias são provenientes da própria flora intestinal da mulher.

A infecção urinária acontece quando uma bactéria entra no sistema urinário (por meio da uretra) e começa a se multiplicar. Normalmente, o trato urinário consegue expelir tais organismos estranhos, porém, algumas vezes essa defesa falha e, então, a bactéria passa a crescer dentro do trato urinário, dando início a uma infecção.

As causas variam muito de acordo com o local onde ocorre a infecção, mas é possível citar alguns fatores que mostram por que as infecções urinárias (especialmente a cistite) são mais comuns nas mulheres:

1. Particularidades anatômicas da mulher: as mulheres têm uma uretra mais curta e próxima ao ânus, dessa forma, as próprias particularidades anatômicas do trato urinário feminino já possibilitam que elas tenham mais infecções urinárias.

2. Relação sexual: durante a relação sexual, naturalmente, a flora vaginal se altera; e, quando o organismo não consegue expelir organismos estranhos, eles podem subir para a uretra chegando à bexiga e causando infecção.

3. Gestação: nesta fase, naturalmente ocorre o aumento de bactérias. Vale destacar que, no caso da gestante, a infecção geralmente é assintomática (sem sintomas), por isso, pede bastante atenção do profissional.

4. Menopausa: nesta fase ocorre queda hormonal, além disso, a imunidade também baixa – fatores que, juntos, fazem com que a mulher esteja mais propensa a este tipo de infecção.

5. Segurar a urina: comum no caso de pessoas que ficam muito tempo sem ir ao banheiro no trabalho ou em uma viagem, por exemplo. O “xixi parado” na bexiga cria o ambiente perfeito para a proliferação de bactérias.

6. Baixo consumo de líquidos: tomar pouca água diariamente é um fator agravante. A pessoa faz assim menos xixi e a “urina parada” possibilita a proliferação de bactérias.

7. Outros fatores: existência de algum cálculo no trato urinário; existência de uma secreção vaginal; presença de verrugas genitais que alteram a flora vaginal; baixa imunidade (que pode ocorrer devido a vários problemas de saúde) são outros fatores que podem favorecer a infecção urinária.

Diagnóstico do problema

Patrícia destaca que os sintomas de cistite são muito característicos:

  • Dor ao urinar (disúria);
  • Vontade frequente de urinar (polaciúria);
  • Desejo urgente de urinar (urgência miccional);
  • Dor na parte inferior do abdômen;
  • Sangue na urina (hematúria) é observado em alguns casos;
  • Assim como urina com odor fétido.

Já a pielonefrite, ainda de acordo com a ginecologista e obstetra, tem sinais de infecção sistêmica, como:

  • Febre;
  • Mal-estar;
  • Náuseas e vômitos.

“Essa condição é grave e necessita atenção médica com brevidade”, lembra Patrícia.

A ginecologista explica que, levando em conta os sintomas, os exames são auxiliares no diagnóstico e, dependendo do caso, podem até ser dispensados. “Os mais comumente usados são o exame simples de urina e urocultura de urina. Em casos selecionados e na pielonefrite também são necessários exames de sangue”, diz.

Tratamentos para as infecções urinárias

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Patrícia explica que a infecção urinária deve ser tratada com antibióticos. “Há vários medicamentos e esquemas, dependendo das características da paciente e da gravidade do caso. Para cistite, há desde tratamentos em dose única até esquemas de sete dias”, diz.

“Analgésicos e/ou anti-inflamatórios são usados para controlar a dor e o desconforto na bexiga”, acrescenta a médica ginecologista.

“Uma orientação muito importante é tomar o antibiótico pelo tempo prescrito pelo médico, pois a melhora dos sintomas não significa que a infecção está completamente debelada. A interrupção pode levar a uma recaída”, ressalta Patrícia.

De forma geral, geralmente é recomendado que a pessoa evite relações sexuais por cerca de uma semana (já que a uretra ainda está machucada). E, além disso, que tome bastante líquido (assim que ela já conseguir urinar normalmente, sem dor).

Vale destacar que uma infecção aguda pode ser tratada por qualquer profissional capacitado para isso. Já nos casos das infecções crônicas de repetição (quando acontecem 4 ou 5 ou mais vezes no ano), a paciente deve recorrer a um médico especialista que, por sua vez, investigará a causa do problema.

Prognóstico

De acordo com Patrícia, as possibilidades de cura são boas. “Em caso de não melhora, deve-se avaliar se o tratamento foi feito corretamente. Outras possibilidades são resistência das bactérias ao antibiótico usado ou alguma complicação”, diz.

Vale reforçar a importância de tratar o problema, para que não ocorram complicações. “No caso da cistite, o risco de não tratar basicamente é o desconforto. Mas há possibilidade da infecção se estender aos rins. Na pielonefrite, a infecção pode se tornar generalizada, causar interrupção do funcionamento dos rins, ou complicações pulmonares graves. Em casos graves, pode levar até à morte”, explica a ginecologista.

Como prevenir a infecção e se cuidar?

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As orientações básicas, de acordo com Patrícia, são: tomar líquidos em quantidade suficiente para que a urina saia clara; urinar após a relação sexual; fazer a higiene genital correta. “ Se a mulher tiver muitos episódios de cistite, o médico pode orientar medidas adicionais para prevenir a infecção”, diz.

Podem ser resumidas como principais medidas preventivas:

  1. Tomar líquidos em quantidade suficiente para a urina sair clara;
  2. Urinar após a relação sexual;
  3. Fazer a higiene genital correta (não fazendo, porém, duchas genitais);
  4. Não segurar o xixi por muito tempo;
  5. Evitar roupas íntimas muito justas ou que retenham calor e umidade;
  6. Trocar os absorventes ou as fraldas (no caso das mulheres mais velhas) com frequência;
  7. Manter alta a imunidade (por meio de exercícios físicos, boa alimentação);
  8. Procurar o ginecologista em casos de corrimentos para tratar o problema;
  9. No caso da infecção urinária já ter ocorrido, tomar o antibiótico corretamente como foi prescrito pelo médico;
  10. No caso de repetidas infecções, procurar um médico especialista para investigar as causa e tratar do problema da melhor maneira.

A infecção urinária na gravidez

Na gestação, as mulheres ficam mais suscetíveis às infecções do trato urinário, especialmente devido à baixa do sistema imunológico e ao aumento de proteínas na urina (que provocam maior crescimento e desenvolvimento de bactérias).

A bacteriúria assintomática (quando são detectadas bactérias no exame de urina, mas a gestante não apresenta sintomas), por exemplo, ocorre em 2 a 7% das grávidas. Já a cistite aguda ocorre em aproximadamente 1 a 2% de mulheres grávidas; e a ocorrência da pielonefrite é de 0,5 a 2%.

Como no caso da mulher grávida a infecção urinária geralmente é assintomática, é fundamental que o profissional que a acompanha fique atento, pois uma infecção mais séria pode levar ao aborto ou ao parto prematuro.

Patrícia reforça a importância de tratar todos os casos de infecção urinária, mesmo sem sintomas, usando antibióticos seguros para uso na gravidez.

9 dúvidas sobre infecções urinárias esclarecidas

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Confira as respostas para algumas dúvidas comuns relacionadas às infecções urinárias:

1. Sexo sem camisinha causa infecção urinária?

“Sexo sem camisinha não aumenta o risco de infecção. Porém, a relação sexual com ou sem preservativo e o uso de espermicidas aumentam o risco”, esclarece Maria Letícia.

2. É verdade que a incidência é maior em grávidas? Por quê?

“A incidência é maior em grávidas, sim. Alterações hormonais e anatômicas propiciam um ambiente mais favorável para multiplicação bacteriana”, explica a nefrologista.

3. Qualquer ardência para urinar significa infecção ou devo investigar melhor as causas do problema?

“A ardência ao urinar é um sintoma importante, pode ser causado por outras doenças como DST (uretrites, herpes genital) ou candidíase. Mas na maioria das vezes (90%) é devido à cistite”, explica Maria Letícia.

De toda forma, no caso deste sintoma, o médico deve ser sempre procurado para que, se julgar necessário, investigue melhor as causas do problema.

4. Existe alguma forma de aliviar a ardência para urinar?

O uso de antibióticos, anti-inflamatórios e alguns analgésicos para as vias urinárias (como “Pyridium”) aliviam a ardência, de acordo com Maria Letícia.

Qualquer um destes medicamentos deverá ser indicado pelo médico.

5. Infecção urinária é contagiosa?

Maria Letícia destaca que infecção urinária não é contagiosa. Vale lembrar que a bactéria é do próprio corpo da pessoa e não é repassada.

6. É normal não menstruar quando se está com infecção urinária?

De acordo com Maria Letícia, a infecção urinária não causa alteração do ciclo menstrual.

7. Frutas ácidas e chocolate pioram o quadro de infecção urinária?

A nefrologista afirma que frutas ácidas e chocolates não causam piora.

O que se recomenda, de forma geral, no caso de infecção urinária e também como forma de prevenção é o consumo adequado de água.

8. A cor da urina pode ser usada como indicador sobre a quantidade de água ingerida?

“A cor da urina se relaciona com a quantidade de água que bebemos. Quanto mais clara, quer dizer que ingerimos mais água; quanto mais escura ou concentrada significa que houve uma menor ingestão de água”, esclarece Maria Letícia.

9. Por que a infecção urinária é mais frequente em mulheres?

“As ITU (infecções do trato urinário) são mais frequentes em mulheres, pois o maior fator de risco é atividade sexual e a anatomia do aparelho urinário feminino, cuja uretra é mais curta em relação à masculina”, explica a médica nefrologista.

Com ações simples do dia a dia, geralmente é possível prevenir as infecções urinárias. Mas, no caso de qualquer sintoma (ardência ou dor para urinar, aumento da frequência urinária etc.), um médico de sua confiança deverá ser procurado, para que possa indicar o tratamento correto e, se necessário, investigar melhor as causas do problema.

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