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Desodorante íntimo: entenda como o produto funciona

Ele não é uma necessidade, mas uma questão de escolha para a mulher que aprecia recursos para se sentir mais confortável com sua higiene íntima

em 19/06/2015

Foto: Getty Images

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Do sabonete íntimo – que inclusive está à venda na maioria das farmácias e supermercados –, praticamente todas as mulheres já ouviram falar. Mas, um produto recém-chegado no mercado ainda desperta curiosidade: o desodorante íntimo.

Entre muitas pessoas, ele pode deixar, inclusive, a dúvida: o que há de errado com o cheiro natural da vagina? E a resposta é: nada! Pois, assim como o suor, os odores na região íntima são fisiológicos, ou seja, fazem parte da natureza do corpo.

Porém, assim como o desodorante axilar e talcos para os pés, por exemplo, o desodorante íntimo surge como uma alternativa para oferecer uma sensação de frescor e um cheiro mais agradável às mulheres.

Não é, portanto, uma necessidade, mas pode ser visto como um aliado das mulheres que se incomodam com o cheiro natural da vaginal, apreciam produtos com cheiros suaves e acreditam se sentir mais confortáveis/protegidas com esse tipo de produto.

Dados de uma pesquisa feita pela Vagisil (marca de produtos voltados à saúde íntima) apontou que, nos Estados Unidos, por exemplo, são vendidos 12 milhões desodorantes íntimos por ano.

Patrícia Toniolo Varella Costa, ginecologista e obstetra pela Universidade de São Paulo, comenta que o desodorante íntimo é relativamente novo no Brasil. “Ele chegou como um hábito que contribui significantemente para que a mulher se sinta mais fresca e confortável. Por ser prático, pode ser levado na bolsa da academia, da balada, do trabalho etc. Esse tipo de produto surgiu de uma necessidade atual da rotina corrida das mulheres modernas”, diz.

Mas, afinal, como esse produto deve ser utilizado? Há riscos no seu uso? Essas são algumas dúvidas comuns sobre o assunto, mas você confere todas as respostas abaixo.

Como usar o desodorante íntimo

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Patrícia recomenda aplicar duas borrifadas sobre a área externa da vagina e virilha. Não é necessário enxaguar. “Além do uso habitual preventivo do desodorante pela manhã, mulheres ativas que têm uma rotina intensa podem utilizá-lo ao longo do dia para retoque”, acrescenta.

A ginecologista destaca que a mulher não deve utilizá-lo mais do que quatro vezes ao dia.

Existem ainda outras formas de usar o desodorante, de acordo com as preferências de cada mulher:

  • Aplicar o produto diretamente na parte externa da região íntima no pós-banho;
  • Aplicar o desodorante na calcinha pela manhã ou pós-banho;
  • Aplicar o desodorante no papel higiênico, transformando-o em um lenço umedecido, para higienizar a parte externa.
  • Aplicar uma quantidade generosa na parte externa da região íntima, depois secando com papel higiênico.

Onde comprar desodorante íntimo

O desodorante íntimo ainda é uma novidade para você?! Nos links abaixo você confere duas lojas online que já vendem o produto:

  • Desodorante íntimo Vagisil por R$16,85
  • Desodorante íntimo Racco por R$38,90

É recomendado usar desodorante íntimo?

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Patrícia reforça que não é uma questão de necessidade, mas, sim, uma questão de escolha para a mulher que aprecia recursos para se sentir mais confortável com sua higiene íntima. “Ele é especialmente um aliado para períodos em que a mulher está menstruada e talvez mais incomodada com os odores da região, então é opcional”, diz.

A ginecologista explica que a área íntima possui muitas glândulas sudoríparas, mais até do que as axilas. “Portanto, é uma região de alto nível de transpiração. O desodorante íntimo possui uma ação odor block que previne a formação de eventuais odores, sem disfarçar”, diz.

Patrícia destaca que é fundamental que o produto escolhido seja aprovado pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa), e seja desenvolvido e testado por ginecologistas.

“Além disso, é importante escolher um produto formulado especialmente para atender as características específicas da região vaginal, ou seja, hipoalergênico, sem álcool, que não contenha bactericidas ou antitranspirantes etc.”, acrescenta a ginecologista.

De acordo com Patrícia, o desodorante íntimo pode ser usado sem problemas após a depilação. Não há restrições. Pode também ser utilizado antes da praia ou piscina, pois não contém álcool e é hipoalergênico.

Desodorante íntimo X sabonete íntimo

É interessante entender as diferenças entre o desodorante íntimo e o sabonete íntimo.

Patrícia explica que os sabonetes íntimos têm a função de limpar e preservar o pH ácido habitual da área. “Já os sabonetes comuns ou bactericidas podem contribuir para um desequilíbrio e o desenvolvimento de doenças”, diz.

O desodorante íntimo é um complemento, de acordo a ginecologista, “que previne odores indesejados, ao mesmo tempo em que não interfere na flora da região vaginal, que é um elemento natural, fundamental para a manutenção da saúde íntima”.

Cuidado com a preocupação excessiva com odores

Foto: Getty Images

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Vale lembrar: o uso do desodorante íntimo, assim como do sabonete íntimo, não é uma necessidade. Mas, sim, uma possibilidade às mulheres que sentem uma sensação melhor usando esse tipo de produto e/ou gostam de usar produtos específicos para cada região do corpo.

É importante a mulher se atentar, porém, se, por trás da vontade de usar um desodorante ou sabonete íntimo, não existe um desejo de “disfarçar sua própria natureza”.

Gabriella Squizato, especialista em estética integralista do Personare, destaca que uma mulher não deve se preocupar/envergonhar de seus odores naturais. “Pelo mesmo motivo que ela não deve se envergonhar do seu tipo de cabelo ou do formato do seu corpo: porque eles fazem parte de quem ela é. Inclusive, não só deixar de se envergonhar, mas se orgulhar. Quando está excitada, a vagina da mulher solta uma fragrância de feromônios que atraem e excitam o seu parceiro, e toda mulher saudável e com a libido bem integrada pode usar isso para ter relações sexuais mais satisfatórias”, explica.

Roberta Struzani, especialista em ginecologia do Personare, acrescenta que a mulher não deve se envergonhar do seu odor também porque o excesso de cheiros artificiais não agrada tanto o sexo oposto, que gosta de sentir o cheiro natural da genital feminina. “Usar o desodorante íntimo de qualidade é até positivo se não for exagerado. Ele deve ser usado após o banho e de uma a duas vezes por dia, no máximo”, orienta.

Na opinião de Gabriella, existe um excesso de vaidade íntima imposto pela indústria de produtos de higiene. “Esse excesso serve para reforçar a crença que nos é passada desde crianças de que nossos órgãos sexuais são ‘sujos’ e ‘feios’. Isso é imposto porque beneficia muitas pessoas, desde a sociedade, que tem dessa maneira mais participantes inconscientes do seu poder pessoal e a indústria, que se beneficia cada vez mais com mulheres infelizes e insatisfeitas com seu corpo. Já imaginou quantas marcas desapareceriam se todas as mulheres simplesmente aprendessem a se amar?”, comenta.

Para Roberta, os cuidados com a saúde íntima e os odores produzidos pela genital são realmente importantes. “Pois a mulher em especial conta com muitas variações hormonais ao longo de 28 dias antes da menstruação. O próprio sangue em contato com o oxigênio produz um cheiro mais forte, o que pode incomodar”, explica.

Mas, afinal, até que ponto é saudável/recomendável cuidar da saúde íntima, mas sem cair num excesso de vaidade íntima?

“Deve-se ter cuidado com o exagero de desodorantes íntimos, porque a genital tem um odor próprio e natural, que quando é bem higienizado, é gostoso. Esse odor vem acompanhado de feromônio. O feromônio é interpretado pelo inconsciente do parceiro como um afrodisíaco muito atrativo”, responde Roberta.

Para Gabriella, o ponto de limite a pessoa vai identificar quando deixar de se sentir confortável com ela mesma. “Quando algum produto ou sua propaganda te faz sentir inadequada se não utilizá-lo, é bom ligar a anteninha de ‘alerta’”, destaca a especialista.

Lembre-se sempre: mais importante do que usar um determinado produto ou outro, é cuidar de uma forma geral da sua saúde, realizando visitas regulares ao ginecologista, fazendo os exames pedidos, e, sobretudo, entendendo como funciona e respeitando seu próprio corpo. Se optar por utilizar o desodorante íntimo, por exemplo, ótimo, mas não exagere no uso. Em caso de dúvidas, consulte sempre seu médico.

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