Você sabe brincar com o seu filho?

A participação dos pais nas brincadeiras dos filhos é muito importante para o desenvolvimento das crianças. Confira dicas para aumentar essa aproximação

Escrito por Suzane Werdt
Foto: Getty Images

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Todo pai ou mãe interessado em seus filhos pretende participar da criação e dos momentos importantes da vida da criança. Atingir essa meta costuma ser um objetivo constante e não é raro que não se concretize de forma satisfatória, pois não se pode negar a correria dos dias de hoje e, consequentemente, a falta de tempo dedicado exclusivamente aos filhos.

Com a agenda cheia de compromissos – tanto a dos pais quanto a dos filhos, com cursos e atividades extracurriculares – pode ser difícil conseguir criar momentos em que todos estejam juntos e dispostos dar a atenção aos seus relacionamentos familiares.

Brincar com os filhos está muito além de simplesmente entretê-lo. A brincadeira entre pais e filhos estabelece vínculos emocionais e cria intimidade, tão importante para a autoconfiança e aceitação da criança. O momento de interação é muito importante para todo o desenvolvimento infantil.

“A criança demonstra grande parte de suas questões através das brincadeiras. A brincadeira é uma ponte direta ao universo infantil e a prova disso é que quando nos propomos a entrar em alguma brincadeira que remeta à nossa infância, rapidamente acessamos memórias e sentimentos adormecidos. A criança descobre o mundo através das brincadeiras e, quando percebe que existe um mundo em que não brinca mais, se sente solitária em seu próprio mundo, quando não há essa troca”, explica a educadora Vivian Amaral, da escola CIEI de Petrópolis-RJ.

De acordo com estatísticas, cerca de 66% dos pais acreditam passar pouco tempo com os filhos, enquanto apenas 35% acham que passam tempo suficiente. O maior vilão nesse caso parece ser, em sua maioria, as questões profissionais e também as atividades eletrônicas.

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A educadora Vivian Amaral analisa que, atualmente, quando o assunto é dedicação exclusiva, o tempo dedicado aos filhos não é só tem sido insuficiente como, em alguns casos, preocupante. “Além da questão óbvia de que os pais inserem cada vez mais atividades externas nas rotinas dos filhos, observa-se uma desatenção constante, por parte da família. Qualquer troca sugerida pelas crianças é imediatamente vetada e o argumento é que “a vida é corrida” e “não há tempo” para ficar prestando atenção nas ideias das crianças”.

Como descobrir se você brinca o suficiente com seus filhos

Foto: Getty Images

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Brincar com os filhos não deve ser confundido com proporcionar à criança algo que a divirta, seja um jogo eletrônico, computador, televisão ou brinquedo convencional. Crianças de todas as idades tem a capacidade de brincar sozinhas, variando o tempo que mantém a atenção fixada, e isso é natural. Mas a participação ativa familiar sempre será benéfica e produtiva.

“A interação da família através da brincadeira demonstra pra criança que você está disposto a conhecer ou reconhecer o mundo dela. Assim se aprende empatia, confiança, humanidade, etc. A relação deixa de ser unilateral, onde somente a criança precisa conhecer as coisas que julgamos necessárias e ela também passa a nos mostra seu mundo”.

Crianças podem ter dificuldade de compreender e organizar os pensamentos até conseguir verbalizar. Perceber esse afastamento pode não ser fácil porque a reação da criança não necessariamente será exatamente direcionada ao assunto. Vivian alerta que as crianças podem acabar demonstrando frustração de uma maneira não muito clara:

“Podem começar a perder o interesse pelas atividades da rotina e chorar para fazer coisas que faziam normalmente. Nessa hora é preciso ter atenção, pois os pais tendem a achar que algo novo aconteceu e podem entender que foi fora do ambiente familiar. Se a criança não consegue ter um tempo realizando com a família coisas que ela realmente gostaria, escolhidas por ela e que importam pra ela, naturalmente tendem a não fazer as atividades sugeridas pela família – essa é a forma de demonstrar sua necessidade.”

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“No caso dos maiores, normalmente essa cobrança vem em forma de agressividade. As crianças começam a responder de forma ríspida e a agredir a família com atitudes sutis, como ressaltar como a família dos outros é a ideal e fazer o oposto de coisas tidas como referência para a família”, completa.

Como se aproximar de seu filho e brincar com ele

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A falta de tempo pode ser um empecilho, mas é importante notar que a criatividade infantil arranja todas as alternativas para esse problema. Para a criança, qualquer coisa pode ser de brincar. Não espere por aquele final de semana prolongado para produzir alguma brincadeira extraordinária, isso pode fazer com que você procrastine algo que poderá nunca ser concretizado. Tente aproveitar cada momento propício.

“Aproveite a ida para a escola, explore o caminho, finja que são astronautas entrando numa nave, ou aventureiros caminhando por um vale encantado. Transforme a cozinha num portal de magia onde a mistura dos ingredientes faz coisas incríveis. Transforme o banho numa tempestade marítima ou numa aventura de piratas. Mostre como você costumava brincar e descubra como seu filho gosta. Vai encontrar mais afinidades do que imagina”.

Depoimentos: o que os pais dizem sobre o assunto

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“Quando o Arthur completou seis meses, eu voltei a trabalhar em tempo integral e ele ficava com babá e depois foi para uma creche. Só o via nos finais de semana. Quando percebi que ele pedia mais a presença do pai do que da minha, percebi que era a hora de mudanças. Larguei meu emprego e passei a trabalhar em casa. Passei a ser mãe presente e preferi diminuir a renda familiar para poder proporcionar isso. Há anos que tenho a possibilidade de participar de quase tudo com ele. Criei meu próprio negócio em casa e assim posso trabalhar com ele ao lado. Quando estou com ele, fazemos de tudo! Brincamos, conversamos muito, somos muito amigos e confidentes, adoramos fazer bagunça, inventar, criar, cantamos juntos, desenhamos….Acho o tempo que passamos juntos muito bom!” – Ana Hayss, atriz, mãe do Arthur de 6 anos.

“Nessa idade ele não se interessa muito por atividades que não sejam videogame e computador. Sou bastante frustrado por não ter tido mais oportunidades de jogar bola, brincar de pique e andar de bicicleta. Às vezes tento jogar videogame com ele, mas também não tenho paciência pra ficar por muito tempo. É difícil tirá-lo da frente da tela e reconheço que tenho boa parcela de culpa por não ter incentivado mais outros tipos de atividades”. – Evandro, alpinista industrial, pai do Cauê de 12 anos.

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“Atualmente passo bastante tempo com meu filho, pois estou com um trabalho que é a maior parte do tempo na internet. Todos os dias fazemos as refeições juntos e ele vai para a escola na parte da tarde. Já houve épocas em que sentia falta de ter mais tempo para ele. Essa fase da vida é uma que agradeço demais a oportunidade de poder me dedicar e estar presente na vida do meu filho. Costumamos ir à cachoeira, assistimos a filmes e brincamos…” – Fernanda, historiadora, mãe do Otto de 8 anos.

Ideias divertidas para brincar com seus filhos

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Precisando de inspiração para brincar com seus filhos e garantir um tempo de qualidade e diversão com eles? Veja as ideias a seguir separadas para as crianças de cada faixa etária:

De 0 a 1 ano

  • Escutar e cantar músicas
  • Rola-bola no chão
  • Brincar com água, baldinho ou piscina (sempre com supervisão)
  • Ler e interpretar: leia histórias para seu filho e interprete os personagens
  • Rolar

De 2 a 3 anos

  • Desenhar
  • Pique-esconde
  • Passa-anel
  • Dançar
  • Massa de modelar

De 4 a 6 anos

  • A-do-le-ta
  • Amarelinha
  • Bambolê
  • Estátua
  • Mímica

Acima de 7 anos

  • Cabra-cega
  • Malabarismo
  • Caça ao tesouro
  • Pipa
  • Jogos com bola: futebol, queimada, vôlei.

Existem incontáveis possibilidades de brincadeiras fáceis e divertidas, que proporcionam interação entre pais e filhos, fortalecendo os laços íntimos. Com ou sem espaço, faça chuva ou faça sol, e com um pouquinho de organização, é possível passar momentos gostosos com seus filhos, e que ficarão guardados na memória.

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