Velhas Bonitonas: artista cria projeto para retratar a beleza feminina no auge da idade

As obras desta artista convidam o observador a refletir sobre seu próprio futuro ao se deparar com mulheres mais velhas e cheias de beleza

Escrito por Raquel Praconi Pinzon

Foto: Reprodução / Velhas Bonitonas

Na sua opinião, o que é ser uma mulher bonita? Talvez, para você, a beleza seja um conjunto de características que envolvem harmonia e equilíbrio nos traços externos e também qualidades interiores, como a alegria e a gentileza.

Entretanto, esse não é o conceito que vemos estampado nas revistas, nas matérias na internet, nos posts do Instagram e na televisão. Para a sociedade, a beleza ainda é sinônimo de um rostinho perfeito, um corpo “de modelo” e, é claro, juventude.

Infelizmente, ainda temos que conviver com a ideia de que a beleza se esvai com a chegada da maturidade, como se as pessoas mais velhas, especialmente as mulheres, fossem privadas de tudo o que é belo, incluindo a aparência, a feminilidade e a sexualidade.

Foi na contramão desse pensamento que a designer portuguesa Maria Seruya, de 36 anos, lançou o projeto “Velhas Bonitonas”, no qual ela retrata mulheres mais velhas, com muitas rugas, maquiagem e acessórios, expressando uma gama de sentimentos.

“Ousar ser quem querem, sem complexos nem culpas”

Foto: Reprodução / Velhas Bonitonas

Maria Seyura faz de cafés em Cascais ou Lisboa os seus ateliês. É nas mesas desses estabelecimentos que ela separa lápis de cor, aquarela, tinta e carvão para pintar as mulheres de idade mais avançada em folhas A5, A4 e A3.

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Maria conta que o projeto aconteceu por acaso e que seu objetivo era apenas pessoal. “À medida que ia desenhando, sentia que estas mulheres eram especiais. Passei a querer ser uma delas. O seu lema é ‘Ousar ser quem querem, sem complexos nem culpas’”, declarou a artista em entrevista ao site da associação Cabelos Brancos.

Questionada sobre os motivos para pintar mulheres mais velhas, Maria afirma que “elas não têm que provar nada a ninguém” e “têm liberdade de espírito” – daí a ousadia de ser quem elas querem ser. Além disso, a designer revelou admirar a beleza feminina por considerá-la mais sofisticada que a masculina.

Apesar de admitir que seu projeto não tinha um objetivo social, Maria afirma que ficaria muito feliz se suas obras puderem ajudar as pessoas mais velhas de alguma forma. “As ‘Velhas Bonitonas’ são velhas que têm vida própria, não são inúteis e inspiram outras pessoas […] É quase uma cultura de que não há idade, não há tamanho, não há estilo, não há um tipo de beleza-padrão”, acrescentou a artista ao site.

Uma aquarela de sentimentos

Foto: Reprodução / Velhas Bonitonas

Segundo Maria Seruya, suas modelos não existem na vida real. “No fundo, pego uma imagem e depois ‘vou ali fora’. A minha maneira de pintar é muito espontânea, rápida e despreocupada”, declarou a designer ao site Observador.

Em suas obras, Maria retrata senhoras que transmitem uma diversidade de sentimentos e mensagens com a finalidade de abordar temas como alegria, tristeza, discriminação, sensualidade e sexualidade.

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Para Maria, suas “velhas” não têm idade, mas sim uma personalidade e uma história. “As rugas carregadas transportam histórias […] Elas estão bem na pele delas. Se são ‘trombudas’, são isso mesmo e é exatamente assim que vou retratá-las”, explicou ela ao site.

Ainda segundo a artista, todas as suas obras são pintadas de forma emotiva, e o público tem se identificado com essa característica. “Ninguém fica indiferente, porque todo mundo vai envelhecer […] É uma história que sai dali. Crio as velhas e dou liberdade a quem as vê para imaginar as suas histórias. A obra só termina aí, no observador”, declarou Maria, destacando a importância da interpretação do público para que as obras cumpram seu papel.

Um projeto a partir do projeto

Foto: Reprodução / Velhas Bonitonas

O projeto Velhas Bonitonas está chamando atenção de pessoas, marcas e associações que se relacionam com a temática do envelhecimento. A partir disso, a artista fez uma parceria com a Associação Cabelos Brancos, uma fundação portuguesa sem fins lucrativos que desenvolve iniciativas para combater os estigmas relacionados à idade.

Com a parceria, Maria Seruya organiza workshops que, por meio da arte, visa à preparação para o envelhecimento considerando o corpo, a mente, o coração e a alma – afinal, todas nós chegaremos lá um dia.

Você pode conhecer outras “velhas bonitonas” pintadas por Maria Seruya no site do projeto e também pode seguir a página do Facebook para ficar por dentro desse trabalho tão inspirador.

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