Tudo sobre a Talidomida

O medicamento foi considerado a maior tragédia da história da medicina

Escrito por Carolina Werneck

Foto: Thinkstock

A Talidomida é um medicamento desenvolvido na Alemanha e usado, a princípio, como sedativo. Seu uso se tornou foco de polêmica após ser associado a malformações no feto, quando ingerido por mulheres em período gestacional.

História

A Talidomida foi descoberta em 1954 pela empresa farmacêutica alemã Chemie Grünenthal, durante pesquisas laboratoriais voltadas a encontrar novos medicamentos antibióticos. Nesse processo, os pesquisadores acabaram produzindo uma substância denominada ftaloilisoglutamina, derivada do ácido glutâmico e posteriormente chamada de Talidomida. No entanto, ela demonstrou não ter aplicações como antibiótico e passou a ser testada em animais para verificação de efeitos sobre o organismo.

Nos testes laboratoriais, a Talidomida não demonstrou ter efeitos sedativos ou mesmo anti-tumorais quando usada em animais mas, como também possuía um índice de toxicidade muito baixo, os cientistas decidiram testá-la em seres humanos. Esses novos testes demonstraram que o novo medicamento tinha uma enorme capacidade sedativa em pessoas. Essa vantagem, aliada ao fato de ser minimamente tóxico, fez com que a Talidomida fosse lançada no mercado alemão em 1957, sob o nome de Contergan®.

Imediatamente passou a ser amplamente utilizado por mulheres em período gestacional como alternativa de sucesso no combate à ansiedade, insônia e até às náuseas características da gravidez. Uma vez que não era necessário ter uma receita assinada por um médico para adquirir o medicamento, a Talidomida podia ser encontrada sob cerca de 40 denominações diferentes ao redor do mundo.

Efeitos da Talidomida

Os primeiros relatos de malformação de fetos remontam ao final da década de 1950. Em 1960 foram realizados os primeiros estudos tomando por base mães e crianças com essas malformações determinadas descobrindo-se, através das pesquisas, a relação existente entre esses problemas congênitos e o uso de Talidomida. Esses acontecimentos levaram à retirada do medicamento das prateleiras em 1961, exceto em alguns países como o Brasil, onde sua comercialização só foi interrompida em 1965.

Devido à gravidade dos transtornos sofridos por gestantes e bebês vítimas dos efeitos da Talidomida, atualmente o governo de diversos países, entre eles o Brasil, fornece uma indenização mensal a quem conseguir provar seu consumo.

Calcula-se que mais de dez mil crianças possam ter sido afetadas pelo medicamento, além de um incontável número de abortos possivelmente causados pelo mesmo.

Recentemente, a Talidomida voltou a ser utilizada por médicos para o tratamento de Lupus, hanseníase, AIDS, doença de Crohn e alguns tipos de câncer, apesar de seus efeitos colaterais comprovadamente maléficos. Pesquisadores vêm se dedicando ao desenvolvimento de substâncias sintéticas que ofereçam o mesmo potencial de cura para esses problemas sem, contudo, os efeitos colaterais.

Riscos na gravidez

Inicialmente indicada para tratar os enjoos matinais, principalmente nos três primeiros meses de gestação, a Talidomida é considerada o maior desastre da história da medicina.

Nos seres humanos, o processo de formação e desenvolvimento dos membros está compreendido entre a 4ª e a 9ª semanas, ou 23º e 55º dias de gravidez. Os efeitos para o feto são verificados em gestantes que tenham ingerido ainda que um único comprimido de Talidomida entre o 20º e o 36º dias de gestação.

Síndrome da Talidomida

As malformações podem se manifestar na forma de uma completa ausência de membros (amelia), um encurtamento dos membros (focomelia) ou a perda de dedos, em casos menos graves. Além disso, a substância pode provocar problemas auditivos, visuais, defeitos na coluna vertebral e, algumas vezes, no tubo digestivo. Alguns pacientes também apresentam problemas cardíacos.

A este conjunto de sintomas a comunidade médica chama “Síndrome da Talidomida”. No entanto, naturalmente, para que uma pessoa seja considerada portadora da Síndrome, é necessário que se prove a ingestão do medicamento pela mãe durante a gestação.

Lei da Talidomida

De acordo com a Lei nº 7.070, de 20 de dezembro de 1982, o governo brasileiro está obrigado a fornecer pensão alimentícia vitalícia às vítimas da Talidomida. Tal pensão tem seus valores variáveis entre meio e quatro salários mínimos, segundo grau de afetação. Os fatores levados em consideração para esse cálculo são alimentação, higiene, deambulação e incapacidade para o trabalho.

Em 1994 é publicada a Portaria nº 63, proibindo o uso da Talidomida por qualquer mulher em idade fértil. Posteriormente, em 1997, a Portaria nº 354 é publicada, regulamentando produção, registro, comercialização, prescrição e dispensação dos produtos à base da substância.

Em 16 de abril de 2003 é sancionada a Lei nº 10.651, que regulamenta o controle do uso da Talidomida em território nacional. Finalmente, em 2010, é promulgada a Lei nº 12.190, concedendo nova indenização – dessa vez por danos morais – às vítimas do uso indiscriminado do medicamento.

Para mais informações, acesse a bula da Talidomida.

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