Trombofilia: entenda as causas do problema, os riscos e saiba como tratar

Médico angiologista fala das principais consequências, como trombose e embolia, e explica porque isso acontece

Escrito por Mariana Bueno

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A trombofilia é um problema que faz com que a pessoa tenha mais predisposição a ter uma embolia pulmonar devido à formação dos chamados trombos. “Isso favorece a coagulação dentro da veia. A complicação mais grave é se o trombo formado sair da veia e se deslocar para o pulmão, causando a embolia pulmonar”, explica o médico angiologista Carlos Eduardo Jorge.

De acordo com o profissional, isso acontece por duas causas principais: a ausência de fator anticoagulante no sangue ou o excesso de fator pró-coagulante.

Ele explica ainda que a trombofilia pode ser hereditária – quando o pai, a mãe ou ambos possuem o problema; ou adquirida – quando surge ao longo da vida por diferentes fatores. Mas há, também, um grande número de pessoas que têm, só que de forma assintomática, ou seja, nunca chegam a desenvolver quadros de trombose ou embolia e, muitas vezes, sequer tomam conhecimento da trombofilia em suas vidas.

Saiba mais sobre os tipos de trombofilia existentes e seus sintomas, e veja como lidar com esse problema da melhor forma possível.

Trombofilia hereditária

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Como o próprio nome sugere, é aquela em que o paciente já nasce com fator de coagulação alterado – ou coagula demais ou tem fatores anticoagulantes diminuídos. Carlos Eduardo explica que todas as pessoas possuem algumas substâncias que não deixam o sangue coagular facilmente. Mas, em alguns, isso não é produzido de maneira correta, então há tendência do sangue coagular e essas pessoas são mais predispostas a formar trombos e ter uma embolia.

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“Nesse caso o problema pode ou não fazer com que a doença se manifeste com o passar dos anos. Então, a gente não trata a doença, mas a complicação ou o risco dela, prescrevendo anticoagulante para evitar que o paciente tenha trombose devido à trombofilia”, afirma o médico.

Trombofilia adquirida

Já a trombofilia adquirida pode acometer qualquer pessoa, sendo mais provável nas de idade avançada, que ficaram imobilizadas por muito tempo ou que tiveram câncer. O uso de pílula anticoncepcional também é um fator que pode desencadear a trombofilia.

“Nesses casos, a pessoa desenvolve um aumento da quantidade de substâncias que fazem a coagulação do sangue, condição favorável a formar trombo, então pode ter trombose mais facilmente”, explica.

Trombofilia na gravidez

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A gravidez e o pós-parto também são fatores que podem levar ao surgimento da trombofilia adquirida. “A gestante pode perder o bebê, ter uma trombose, uma embolia. Então é importante fazer o acompanhamento com ginecologista e, quando ele achar necessário, também com um angiologista e hematologista”, esclarece o especialista.

O médico explica ainda que, quando a pessoa sabe que tem trombofilia, ou se já teve trombose anteriormente, vai usar anticoagulante durante e depois da gravidez. Mas se não teve nada e nem suspeita, é gestação normal, indica-se os cuidados básicos como uso de meia, prática de esportes e controle para se manter no peso ideal.

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Como é feito o diagnóstico?

Os exames para diagnosticar o problema irão depender da manifestação dos sintomas. “A trombofilia causa outra doença, a trombose. Mas há pacientes que têm de forma assintomática, eles não desenvolvem sintomas, levam uma vida normal”, diz o angiologista.

Quando acontece uma trombose e não se consegue determinar a causa (se foi depois de uma cirurgia, um câncer, na gravidez, etc.), isso faz surgir a suspeita da presença de trombofilias. “Então são feitos exames genéticos para determinar se existe ou não o fator hereditário”, esclarece.

Como é o tratamento?

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O médico que cuida desses casos é o angiologista, mas os exames para identificar o tipo de trombofilia podem ser feitos também com um hematologista. “O desejável é que os dois médicos participem juntos do tratamento”, diz Carlos Eduardo.

O tratamento é contínuo, baseado no uso de anticoagulante, que pode ser via oral ou injetável. Isso varia de acordo com cada indicação e o histórico de cada paciente. “Quando possível, o ideal é tirar o fator que está causando o problema. O anticoncepcional, por exemplo. Se é a causa, então melhor não tomar. Mas, quando isso não é possível, então entramos com o anticoagulante”, explica o médico.

Por isso o mais importante é sempre procurar um especialista caso haja algum sintoma, algum fator de risco ou quando há casos na família. Quanto mais cedo o problema for identificado, menores as chances de que se agrave e mais fácil tratar para evitar complicações futuras.

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