Triglicerídeos: informações importantes que você precisa saber

Níveis alterados de triglicerídeos no sangue podem causar prejuízos à saúde e devem ser evitados

Escrito por Tais Romanelli

Foto: Thinkstock

A maioria das pessoas já ouviu falar deste nome, mas nem todas sabem exatamente o que representa e quais são os riscos que pode trazer à saúde. Os triglicerídeos (ou triglicérides) são lipídios produzidos no fígado ou extraídos de alimentos ricos em carboidratos (pães, massas, entre outros). São popularmente conhecidos como gorduras, cuja função principal é fornecer energia para o funcionamento do organismo.

Assim como os colesteróis HDL e LDL, os triglicerídeos, quando se encontram em níveis alterados no sangue, podem causar prejuízos à saúde.

Hipertrigliceridemia: o que causa a alta dos triglicerídeos?

“Quando há elevação dos níveis sanguíneos de triglicerídeos (acima de 149mg/dl), temos uma condição denominada hipertrigliceridemia. Ela pode ser familiar ou estar associada à síndrome metabólica, obesidade, diabetes tipo 2 e é um fator de risco para doença arterial coronariana (o estreitamento dos pequenos vasos sanguíneos que fornecem sangue e oxigênio ao coração)”, explica Patrícia Peschel Alves e Silva, endocrinologista, membro titular da Sociedade Brasileira de Endocrinologia e Metabologia. “Causas secundárias de aumento de triglicerídeos são hipotireoidismo, gravidez, doença renal e infecção por HIV”, acrescenta a profissional.

Além de uma dieta desequilibrada, com consumo excessivo de carboidratos e gorduras, a ingestão de álcool e algumas medicações como corticoides, diuréticos tiazídicos e estrogênios orais podem elevar seus níveis, conforme destaca a endocrinologista.

Sintomas

Normalmente, os pacientes com hipertrigliceridemia não apresentam sintomas. Mas em alguns casos é possível observar sinais desta condição. “Quando os níveis de triglicerídeos estão acima de 500mg/dl, especialmente acima de 1000mg/dl, há um risco aumentado para desenvolvimento de pancreatite e, nesta ocasião, o paciente sentirá forte dor abdominal, acompanhada de náuseas e enjoos”, explica a endocrinologista Patrícia.

“A severa hipertrigliceridemia (>1000mg/dl) pode ser acompanhada por xantomas cutâneos (presença de protuberâncias gordurosas sob a pele), lesões amareladas no dorso, tórax e/ou extremidades próximas, causadas pelo acúmulo de gordura. Níveis acima de 4000mg/dl podem causar lipemia retinalis, que é o acúmulo de gordura em vasos sanguíneos da retina, vista por meio de exame de fundo de olho”, acrescenta a médica.

Exames necessários

Os altos níveis de triglicerídeos são descobertos por meio de exame de sangue específico, prescrito pelo médico. Por isso, é muito importante fazer esse “check-up” regularmente, ficando também atenta ao possível aumento nos níveis de colesterol.

“Recomenda-se a realização de screening de lipídios (triglicerídeos, colesterol HDL, LDL e total) a homens acima de 35 anos e mulheres acima de 45 anos ou antes, em ambos, se houver fatores de risco para doença cardiovascular (histórico familiar, obesidade, diabetes)”, diz a endocrinologista Patrícia.

“Para pessoas com menos de 35 anos, não há consenso sobre a realização de screening sem que haja risco de doença coronariana. Porém, em casos de histórico familiar de doença cardíaca prematura ou dislipidemias (presença de níveis elevados ou anormais de lipídios no sangue), inclusive em crianças e adolescentes, recomenda-se o exame”, acrescenta a médica, destacando que o screening é feito por meio de coleta sanguínea comum, com jejum de 10-12 horas.

É importante lembrar que pacientes que consumirem uma refeição rica em gordura, consumirem álcool na noite anterior ao exame, ou não respeitaram o jejum, podem ter seus níveis de triglicerídeos elevados.

Tratamento

O tratamento da hipertrigliceridemia consiste em medidas dietéticas, estímulo à prática de atividade física (pelo menos 150 minutos de atividade aeróbica por semana), perda de peso e uso de medicações específicas (fibratos, niacina e ômega 3).

“As medidas dietéticas são extremamente importantes e consistem na diminuição da ingestão de alimentos ricos em colesterol (manteiga, leite integral, queijo amarelo, carnes vermelhas etc.), farinha branca, massas, açúcar, refrigerante, álcool, associado ao aumento do consumo de fibras, verduras e frutas”, explica a endocrinologista.

“Em pacientes tabagistas orienta-se parar de fumar, pelo maior risco cardíaco que apresentam”, lembra Patrícia.

É preciso evitar!

Como os quadros de hipertrigliceridemia estão geralmente relacionados à obesidade ou ao consumo excessivo de calorias, o ideal é se prevenir e, antes mesmo de qualquer problema de saúde deste tipo, adotar um estilo de vida saudável, que inclua boa alimentação e atividade física. Outra dica valiosa é optar, sempre que possível, por “carboidratos do bem”, que são aqueles ricos em fibras e, geralmente, integrais.

Para você