Trainee: dicas para se sair bem em um processo seletivo

Entenda como funcionam as seleções e saiba como conquistar uma vaga de trainee

Escrito por Giselle Coutinho

Foto: Thinkstock

Todo ano o segundo semestre chega cheio de processos seletivos para ser trainee nas grandes empresas, que buscam contratações para o ano seguinte. Sites de vagas de emprego, de notícias e blogs especializados são as principais fontes de divulgação das vagas.

Programas de trainee são considerados para muitos profissionais processos ideais para começar a carreira e firmar-se em uma empresa disputada. Bateria de testes online, dinâmicas de grupo e entrevistas com gestores são alguns exemplos de etapas desafiadoras as quais os candidatos a trainee costumam passar.

Para os recém-formados ou profissionais cuja área de atuação seja diferente da atividade a ser desempenhada como trainee, a falta de experiência é a maior preocupação e grande motivo de insegurança ao candidatarem-se às vagas. Segundo Manoela Costa, gerente da Page Talent, é possível se sair bem em todas as etapas e até conquistar a vaga mesmo sem experiência.

A experiência anterior do candidato especificamente no trabalho a ser executado na vaga nem sempre é requisito obrigatório para a oportunidade. Embora a falta desta vivência represente uma ameaça, é possível contornar essa situação investindo em um bom marketing pessoal e atitudes estratégicas na seleção.

Um entendimento importante sobre os processos seletivos para trainee é que méritos superam experiências. O potencial de liderança é extremamente valorizado pelos recrutadores e, ao selecionar um candidato, a prioridade é para aqueles que detêm características essenciais para uma boa gestão, como facilidade de trabalho em equipe, criatividade e dinamismo.

Outro aspecto que pode tranquilizar os candidatos sem experiência é que qualquer atividade que ateste espírito empreendedor, mesmo que sem relação com o cargo pretendido ou com atividades acadêmicas é muito bem aceita e valorizada.

Porém, os processos seletivos para trainee ainda têm critérios eliminatórios que algumas pessoas consideram injustos, como a triagem de universidades, limite de idade e indicações.

Segundo os recrutadores, a triagem de universidades se dá porque as empresas têm um limite de candidatos que podem participar da seleção, o processo seletivo tem recursos financeiros e infraestrutura limitada e precisa terminar em um prazo determinado.

Um candidato que não tenha estudado em uma universidade pública ou particular renomada não é imediatamente eliminado se tiver bons resultados nos outros critérios de seleção, mas em caso de necessidade de se fazer um ranking para redução de participantes, este terá suas chances diminuídas diante de um candidato de mesmo nível que tenha estudado em uma universidade mais reconhecida.

Os recrutadores justificam este critério com o fato de que as universidades mais tradicionais têm um vestibular mais concorrido e o candidato a trainee que foi aprovado neste processo seletivo mostra ser alguém estudioso e esforçado.

Com relação ao limite de idade, as empresas adotam um limite que varia entre 26 e 30 anos. Como o próprio governo estipula limite de idade em programas de inclusão social em que as empresas contratam jovens aprendizes, nos processos seletivos para trainees as empresas estabelecem limites em nome da proposta de trazer jovens talentos para uma empresa e formá-los para que se tornem futuros líderes.

As empresas de seleção justificam que o cargo de trainee como o de estágio são os “entry levels” das empresas, isto é, portas de entrada, e que seria desleal a concorrência de jovens com uma pessoa mais velha, que em geral é bem mais experiente e possui especializações ou mais de uma formação superior.

As indicações de candidatos também existem nos processos seletivos para trainees, porém algumas regras fazem com que esta questão seja justificável.

Há duas maneiras de um candidato a trainee ter a “vantagem” de ser indicado: ou ele já é estagiário da empresa, são os chamados candidatos internos, ou é uma indicação de algum funcionário da contratante.

Cada empresa tem uma forma de conduzir o processo de seus candidatos internos a Programas de Trainee. Algumas abrem os seus Programas exclusivamente para seus estagiários, ou somente disponibilizam as vagas que não foram preenchidas após seleção interna.

A maioria das empresas, no entanto, faz um processo seletivo único para candidatos internos e externos. Mas, neste caso, os candidatos internos não precisam passar por todas as etapas, pois já foram aprovados em um processo seletivo ao entrarem na empresa.

Os candidatos a trainee que já são estagiários da empresa participam de etapas de seleção junto com outros candidatos internos e somente na fase final com os candidatos externos.

A indicação de uma pessoa por algum funcionário da empresa contratante, o chamado “Employee Referral”, também é uma prática adotada, pois além de ser uma forma de reduzir custos com processos de recrutamento e seleção, que demandam contratação de consultorias especializadas, as empresas consideram que contratar alguém com boas referências, dadas por pessoas em que ela confia, implicam em menores riscos na seleção.

Um grande mito quanto à seleção de trainees é sobre a obrigatoriedade de ter vivência no exterior. Existem várias outras experiências de vida que têm um impacto tão significativo quanto uma viagem internacional, como mudar do interior para estudar na capital, morar em república e participar de ONGs e organizações estudantis. Cabe a cada candidato mostrar como suas experiências pessoais agregaram valor e o quanto contribuíram para a sua formação pessoal e profissional.

O que os recrutadores querem dos candidatos nos processos seletivos

  • Brilho nos olhos: Para conquistar esta característica, o candidato tem que desejar verdadeiramente a vaga, por isso deve analisar a empresa e o cargo, avaliando se o programa de trainee é coerente com o que ele quer para a carreira.
  • O candidato deve prestar atenção em quais características são fundamentais para um bom desempenho das funções para o cargo. Com isso, conhecerá os erros que não pode cometer e as qualidades que irão se destacar no processo, ganhando a atenção do recrutador.

    Mostrar interesse e estar atento ao calendário é fundamental. O processo de seleção de trainee é longo porque geralmente há muitos inscritos. Para não se atrasar ou perder etapas, é importante agendar-se, pesquisando sobre o funcionamento e as etapas do programa em que se inscreveu.

  • Autoconhecimento: Avalie quais os motivos que o tornam um ótimo candidato para a vaga. Faça um planejamento antes de ir à entrevista, saiba responder questões como “quem é você?”, “o que já fez?”.
  • Uma forma de ajudar é ensaiar em casa o que irá dizer. Durante o processo seletivo é preciso estar confiante em si próprio, em seus objetivos e em sua carreira. Isso diminui o nervosismo e facilita na hora de falar. Transmitir segurança e tranquilidade são outros fatores importantíssimos. Mostrar que conhece a empresa, ter uma boa comunicação e expor uma postura correta, influenciam a decisão do entrevistador.

    Durante as dinâmicas, aja com naturalidade. A linguagem corporal é levada em conta. Nosso corpo é como se fosse o espelho de nossa mente: tom de voz, gestos, postura, olhar e posicionamento devem receber atenção.

  • Conhecimento sobre a empresa: Acima de tudo, os recrutadores buscam candidatos que tenham identificação com os valores da empresa. Estude o site da empresa e, se possível, converse com funcionários.
  • Pesquisar sobre o histórico da empresa e o mercado em que atua permite que o candidato sinta-se mais confiante quando for responder possíveis perguntas sobre a empresa e o porquê gostaria de trabalhar nela.

Lembre-se que geralmente, os programas de trainees têm uma enorme concorrência, e que independente do resultado da seleção, você deve sempre continuar investindo na carreira. Preparar-se para receber uma notícia negativa é fundamental para seguir para a próxima oportunidade sem desanimar.

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