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9 tipos de arroz para compor uma dieta rica e balanceada

O arroz, ao lado do feijão, faz parte das refeições cotidianas dos brasileiros. Gostoso e versátil, ele aparece em receitas salgadas e doces, mas desperta dúvidas em termos de nutrição e saúde. Para esclarecer as principais questões, as nutricionistas Julia Schmidt (CRN 03/62307/P) e Jacqueline Machado (CRN 04/101596) explicaram sobre os principais tipos de arroz. Confira!

1. Arroz agulhinha ou branco

O arroz agulhinha é um dos tipos de arroz mais populares. A nutricionista Julia explica que, para obter a cor branca e a textura lisa, o grão passa por um extenso processo de refinamento e polimento, o que acaba removendo parte de suas vitaminas e minerais e deixando-o menos nutritivo.

De acordo com Julia, “os pontos positivos deste tipo de arroz são, principalmente, seu fácil acesso, a flexibilidade e simplicidade de preparo, podendo ser combinado com feijão, molhos, strogonoff, carnes, legumes.” Além disso, a profissional afirma que esse tipo de arroz “é uma boa opção de alimento para quem busca hipertrofia ou ganho de peso, pois sua porção oferece uma boa quantidade de energia”.

Por outro lado, devido à perda de nutrientes e fibras durante seu refinamento, os grãos possuem alto valor glicêmico, o que “significa que é rapidamente absorvido pelo organismo e não tem um efeito tão positivo no que diz respeito à saciedade”, explica Julia. Ela também alerta: “se não for combinado da maneira correta com outros alimentos, o arroz branco pode não ser a melhor opção para quem está em processo de emagrecimento, por exemplo”.

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2. Arroz integral

Extremamente comum para quem deseja uma alimentação um pouco mais regrada e saudável e divisor de opiniões em relação ao seu sabor, o arroz integral só perde para o arroz branco no quesito popularidade. Julia explica que, neste tipo de grão, apenas a casca externa e não comestível é retirada, fazendo com que a “a maior parte das vitaminas, minerais e antioxidantes” permaneça no alimento.

A nutricionista explica ainda que, apesar de ter uma cocção mais lenta, o arroz integral tem a mesma versatilidade do arroz branco nas receitas. “Ele também é de fácil acesso e é quase tão flexível quanto o arroz branco no quesito possibilidades de preparo”, afirma a profissional.

Além disso, pode ser um ótimo aliado do processo de emagrecimento, pois, como explica a nutricionista, “o arroz integral contém um pouco mais de fibras e possui menor índice glicêmico em comparação com o arroz branco e, por esse motivo, pode ser uma opção melhor para quem busca saciedade”. Contudo, a textura mais firme e menos macia “pode diminuir o nível de aceitação do paladar de algumas pessoas”, conta Julia.

3. Arroz parboilizado

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Semelhante ao arroz branco, mas divisor de opiniões, o arroz parboilizado passa por um processo bem diferente dos demais. “Como o próprio nome já diz, é o grão que passa pelo processo de parboilização, no qual o arroz, ainda com casca, é deixado de molho em um tanque de água quente e, em seguida, submetido a uma temperatura elevada para secagem, e por fim o polimento”, explica a nutricionista.

Esse procedimento, de acordo com Julia, é realizado para levar as vitaminas e os nutrientes da casca para o interior do grão. Apesar de existirem semelhanças entre “as informações nutricionais referentes aos macronutrientes (proteínas, carboidrato e gordura)” do arroz branco e do parboilizado, o último, “mesmo que refinado, contém uma maior quantidade de fibras, vitaminas e minerais”.

Além disso, esse tipo de arroz também tem muita versatilidade e vai bem com infinitas receitas, como arroz de forno, galinhada, arroz carreteiro etc. A profissional ainda ressalta: “um ponto positivo extra do arroz parboilizado é que ele geralmente fica bem soltinho após o cozimento, enquanto o arroz branco comum pode ficar ‘empapado’”.

4. Arroz cateto ou japonês

Um pouco menos comum que os tipos de arroz citados acima, o cateto tem algumas particularidades interessantes. Começando por suas características, Julia explica que esse tipo de arroz “tem seus grãos menores e mais arredondados, que, quando cozidos, têm um grande potencial de aglutinação, integração, que faz com que seja muito utilizado em algumas áreas específicas da culinária, como a asiática e até mesmo em risotos”.

Conforme a nutricionista Jacqueline Machado, isso acontece porque esse tipo de arroz possui “grande quantidade de amido, que o torna mais macio e cremoso após o preparo”. Além de seu formato diferenciado, o cateto também chama atenção pelo sabor, que, segundo a profissional Julia, “é mais acentuado em comparação com outros tipos de grão”.

Julia ressalta que esse tipo de arroz é mais calórico que os demais grãos citados até aqui, o que “faz com que ele não seja a melhor escolha para alguém que visa a perda de peso e tem uma alimentação restrita em calorias, por exemplo”. Outro fator negativo do alimento é o seu valor. Segundo a nutricionista, “o custo mais elevado, em comparação com outros alimentos, faz com que ele não se adéque tanto ao consumo diário”.

5. Arroz glutinoso ou mochigome

Tipicamente asiático, o arroz glutinoso possui o grão mais curto e pode ser encontrado nas cores branca, rosa ou preta. É um dos tipos de arroz mais utilizados na culinária japonesa, devido à sua capacidade de integração. Conforme a nutricionista Jacqueline, esse tipo de arroz, “após cozido, torna-se ainda mais pegajoso que o arroz japonês comum”.

Seu uso não se restringe apenas ao cozimento ou a refeições salgadas. O alimento que também pode ser encontrado como arroz mochi, pode ser moído e utilizado como farinha – que, segundo Jacqueline, é a base para o preparo do famoso bolinho de arroz japonês, o mochi, bem como de outras sobremesas da cultura oriental.

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6. Arroz vermelho

De coloração avermelhada, esse tipo de arroz originalmente cultivado na China se destaca por algumas características. Segundo a nutricionista Julia, “o grão é integral, possui boa concentração de fibras e ferro, contém em sua composição as antocianinas, que conferem a cor avermelhada do grão, e tem potencial antioxidante”. A profissional Jacqueline, por sua vez, explica ainda que o arroz vermelho “é rico em monocolina, substância que auxilia no controle do colesterol LDL”.

Com o preparo semelhante ao do arroz branco, o cereal “contribui também com a melhora da circulação sanguínea, digestão e funções intestinais”, explica Jacqueline. Mas, apesar dos inúmeros benefícios do grão, Julia ressalta: “no que diz respeito ao custo, trata-se de um alimento não tão acessível e não tão presente nos mercados”.

7. Arroz negro

Também originário da China, o arroz negro, na opinião de ambas as nutricionistas, é o tipo mais nutritivo. “É um grão nutricionalmente riquíssimo, principalmente em antioxidantes, como as antocianinas, que são as responsáveis pela coloração, além de vitaminas do complexo B, ferro, vitamina C e E”, afirma Julia. Além disso, de acordo com Jacqueline, os grãos também possuem “menor quantidade de gordura e menor valor calórico”.

Contudo, o arroz negro não é muito comum na alimentação cotidiana do brasileiro devido ao seu valor elevado. Mas, aos que quiserem provar, a profissional Julia explica: “é um arroz de sabor forte e muito utilizado em preparações refinadas com peixes e carnes nobres”.

8. Arroz basmati

Muito utilizado nas culinárias indiana e tailandesa, o arroz basmati é um pouco mais nobre que o arroz branco, mesmo possuindo composição nutricional similar. Jacqueline explica que os grãos possuem um “aroma adocicado de nozes e, apesar de reterem muita água durante seu preparo, os grãos não ficam grudados”, como no caso do arroz cateto e do glutinoso.

O basmati contém menos amido que os demais tipos de arroz, e, portanto, o valor glicêmico é menor, contribuindo para uma boa digestão e sendo um bom aliado de quem deseja perder peso. Além disso, os grãos combinam com variadas receitas, porém é comumente servido com carnes, legumes, verduras e oleaginosas. “Sua preparação dispensa a adição de temperos, visto que possui sabor característico”, revela Jacqueline.

9. Arroz arbório

Perfeito para o preparo de deliciosos risotos, o arroz arbório é originário da Itália. A nutricionista Julia explica que “os grãos são menores e mais arredondados, e sua característica marcante é a elevada concentração de amido (ou amilopectina), que fornece cremosidade ao arroz quando cozido”. Em questão de valor nutricional, esse tipo de cereal é semelhante ao arroz branco comum, afirma Jacqueline.

Além disso, Julia explica que “a baixa quantidade de fibras faz com que o arroz arbório tenha um índice glicêmico alto, fator negativo no quesito saciedade”. Outro fator a ser levado em consideração, de acordo com a profissional, é que, por ser mais calórico, os grãos não são aliados do processo de emagrecimento.

O arroz é um alimento essencial na mesa dos brasileiros e, apesar de todos os tabus que o cercam, ele é uma ótima fonte de vitaminas e nutrientes. Julia destaca que, de “maneira geral, o tipo de arroz escolhido para compor as refeições acaba não sendo tão importante, se a pessoa que o consome souber combiná-lo com outros alimentos, para formar uma refeição equilibrada”. Por sua vez, Jacqueline ressalta: “não tenha medo de consumir arroz nas refeições, o ideal é ter o equilíbrio sempre”.

Todo mundo sabe que o par perfeito para o arroz é o feijão. Então que tal conferir como fazer feijão para acompanhar um delicioso prato de arroz fresquinho?

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