Teste da orelhinha: entenda como é feito e a sua importância

Escrito por Lia Nara Bau

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Quando os bebês nascem, um dos primeiros testes realizados é o chamado teste da orelhinha. Com essa medida preventiva, possibilita-se o diagnóstico precoce de problemas de audição e, assim, o seu tratamento.

Ouvir é um dos sentidos mais importantes do ser humano. É através da audição que a criança reconhece os seus pais e se situa no ambiente, além de ser fundamental para o desenvolvimento da fala e da linguagem.

Para que serve o teste da orelhinha?

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A otorrinopediatra Elise Zimmermann Mathias explica que a triagem auditiva neonatal universal (TANU), o chamado teste da orelhinha, serve para detectar alterações no sistema auditivo do recém-nascido. O teste geralmente é feito no segundo ou terceiro dia de vida do bebê, ainda na maternidade.

Desde 2010 é determinado por lei que nenhuma criança saia da maternidade sem ter feito o teste. Ele se tornou obrigatório porque o número de deficiências detectadas é considerável: são 3 casos para cada 1.000 nascidos vivos.

Teste da orelhinha: como é feito?

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O exame é indolor e é feito com o bebê dormindo. O fonoaudiólogo coloca um aparelho de emissões otoacústicas evocadas, que produz estímulos sonoros leves e mede o retorno desses estímulos de estruturas do ouvido interno.

Elise ressalta que o teste é simples, rápido, indolor e não invasivo. “É introduzido um pequeno cone de silicone no conduto auditivo externo do bebê e emite-se alguns cliques (sons) para detectar as respostas ao exame.”

Fatores que influenciam alterações no teste

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Os bebês que têm mais chances de apresentarem alterações no teste nas seguintes condições:

  • Nasceram prematuros
  • Apresentam algum caso de surdez na família
  • Ficaram mais de 5 dias internados na UTI
  • Nasceram com menos de 1,5 kg
  • Apresentam alguma síndrome, como Waardenburg, Alport, Pendred ou alteração como o lábio leporino
  • Quando a mãe teve alguma infecção durante a gravidez, como toxoplasmose, rubéola, herpes, HIV, entre outras
  • Em caso de mal formação envolvendo a orelha ou os ossos da face
  • Se o bebê teve alguma doença ao nascer: citomegalovírus, herpes, sarampo, varicela e meningite
  • Se o bebê sofreu traumatismo craniano
  • Se o bebê faz quimioterapia.

No entanto, em alguns casos o teste pode apresentar alteração, mas o bebê ter uma audição normal. “Qualquer alteração no formato da orelha, estreitamento do conduto auditivo externo ou presença de restos de pele ou líquido do parto ou mesmo cera podem afetar o resultado do exame”, frisa Elise.

Teste da orelhinha alterado: o que fazer?

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O teste pode dar alterado em apenas uma orelha, quando o bebê apresenta líquido amniótico no ouvido. Nesse caso, repete-se o teste em 30 dias.

Quando é identificada alteração nas duas orelhas, recomenda-se avaliação para iniciar tratamento, se necessário. Pode ser indicado, ainda, observar o desenvolvimento auditivo da criança e, posteriormente, realizar o teste novamente, normalmente entre 6 e 12 meses de idade.

“É muito importante procurar um especialista otorrinolaringologista para esclarecimento e correta avaliação da alteração”, fala Elise.

Desenvolvimento auditivo da criança

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É importante que desde o nascimento se observe o desenvolvimento auditivo do bebê e da criança para identificar possíveis problemas. Em qualquer fase desse desenvolvimento, se percebida alguma alteração e/ou atraso, deve-se procurar o otorrinolaringologista para avaliação e acompanhamento.

  • 0-6 semanas: se assusta e silencia ao som de vozes. Se expressa com choros e sons primitivos, mas começam a aparecer os sons vogais.
  • 3 meses: identifica o local de onde a voz é emitida e observa o ambiente com mais atenção.
  • 6 meses: identifica a voz de sua mãe de forma emotiva.
  • 9 meses: consegue identificar pedidos simples feitos juntamente com gestos. Já entende palavras como “não”, “tchau”, “sim”.
  • 12 meses: já consegue entender palavras muito utilizadas e ordens simples.
  • 18 meses: consegue identificar partes do seu corpo, a procurar objetos e já começa a brincar com miniaturas e bonecos.
  • 24 meses: atende instruções mais elaboradas, envolvendo mais de um conceito em uma mesma frase.
  • 30 meses: entende instruções com mais de três conceitos, e passa a interpretar verbos.
  • 36 meses: reconhece diversas cores, plurais, pronomes e adjetivos
  • 48 meses: entende conceitos abstratos e usa linguagem também para raciocínio. Reconhece expressões como “por que”, “quanto”, e já compreende mais de 1.500 palavras.

Perguntas frequentes

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1. Quem precisa fazer o teste da orelhinha?

Segundo o Ministério da Saúde, todos os bebês devem fazer o teste nos primeiros dias de vida. Se o bebê nasceu fora do ambiente hospitalar, deve realizar o teste até o terceiro mês de vida.

2. O teste da orelhinha é obrigatório por Lei?

Sim, a Lei Federal 12.303 de 2 de agosto de 2010 define que é obrigatória a realização gratuita do exame denominado “emissões otoacústicas evocadas” em todos os hospitais e maternidades, nas crianças nascidas em suas dependências.

3. O teste é gratuito?

Sim.

4. O teste é indolor?

Sim.

5. Qual profissional realiza o teste?

O fonoaudiólogo.

6. Com que idade se faz o teste da orelhinha?

O ideal é que seja realizado no primeiro mês de vida, preferencialmente nos primeiros dias de vida.

Não deixe de realizar o teste da orelhinha no seu filho, exija-o na maternidade. Além de ser um direito garantido, auxilia no diagnóstico e tratamento precoce em casos de problemas de audição.

Fique por dentro também algumas informações sobre circuncisão em bebês e esteja sempre atenta à saúde do seu filho.

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