Sling: praticidade para a mãe e conforto para o bebê

Escrito por Ananda Almeida

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Quando o assunto são crianças e maternidade/paternidade, parece ser assim: apesar da tecnologia, a gente sempre volta para resgatar a sabedoria do passado. Quer um bom exemplo disso? É só olhar para os slings, essa forma de carregar bebês que, apesar da cara “moderninha”, é bem mais antiga que os carrinhos.

Presentes em diversas culturas e em todos os continentes, os slings existem há milhares de anos. Embora seu nome mude de um lugar para outro – Manta no Peru, Mei-tai na China, Amauti no Alasca… – todos eles têm em comum o fato de acarretarem uma série de benefícios para o bebê e para os pais, como você confere a seguir.

9 benefícios do sling para o bebê e para os pais

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De acordo com o neuropediatra Clay Brites, um dos idealizadores do projeto Neuro Saber, há diversas vantagens no uso do sling, sendo a segurança uma das principais. “Bem colocado e o bebê bem posicionado, a grande vantagem do sling é evitar acidentes”, diz. Veja abaixo mais algumas razões para apostar no sling.

  1. Deixar o bebê em posição confortável: por ser bastante versátil, o sling permite diversas posições ergonômicas capazes de atender a diferentes necessidades como, por exemplo, garantir apoio para a cabeça do bebê nos primeiros meses de vida, quando ela ainda não tem sustentação. O sling também favorece o desenvolvimento da curvatura lombar na criança.
  2. Auxiliar no seu desenvolvimento emocional: de acordo com o neuropediatra, o sling simula o abraçar e a forma como a gente aconchega o bebê, dando a ele mais segurança, o que é bom para seu desenvolvimento afetivo e emocional.
  3. Fortalecer o sistema imunológico da criança: isso ocorre porque o sistema imunológico responde de maneira positiva ou negativa a situações emocionais. Sendo assim, garantir ao bebê uma sensação de segurança pode, inclusive, reduzir a chance de ele desenvolver problemas infecciosos.
  4. Aumentar o campo de visão do bebê: ao contrário do que ocorre com o carrinho, no sling a criança vê o mundo praticamente da mesma forma que vocês. Isso faz com que seu cérebro seja mais estimulado, mas de maneira tranquila, graças ao contato pele a pele.
  5. Estreitar os laços entre pais e filhos: nos primeiros meses de vida da criança, o tato é uma de suas principais formas de interação. Com o uso do sling, essa troca ocorre com os pais o tempo todo, estreitando os laços.
  6. Deixar os braços dos pais livres: acredita-se que esse tenha sido um dos principais motivos para o surgimento dos slings, já que, após o nascimento, era necessário manter as atividades cotidianas. Com o bebê amarrado ao corpo de maneira confortável, os pais conseguem fazer praticamente tudo, desde que não haja o risco de queda na atividade.
  7. Garantir maior mobilidade aos pais: andar com carrinho de bebê por ruas esburacadas e sem acessibilidade é um dos problemas evitados pelo sling, que permite livre circulação não importando o relevo do terreno.
  8. Manter o bebê próximo o tempo todo: além de melhorar a relação afetiva entre os pais e a criança, isso também ajuda a diminuir a preocupação, já que os pais conseguem supervisionar a criança na maior parte do tempo.
  9. Proporcionar mais comodidade e privacidade durante a amamentação: uma das posições permitidas pelo sling é a usada durante a amamentação, que se torna mais confortável com o uso do equipamento. Além disso, devido ao pano, o sling também garante maior privacidade tanto para a mãe quanto para o bebê.

Quanto às restrições de uso, o pediatra Clay Brites orienta que o sling só deve ser usado com crianças a partir de um mês de vida. “Há riscos respiratórios e riscos de o bebê ter muita dificuldade de movimentação. Nessa idade, com menos de um mês, ele é muito dependente de ser carregado de uma forma adequada para evitar problemas”, explica.

Quais são os tipos de sling?

Lembrando que os slings modernos são derivados de slings presentes em diferentes culturas, não é de estranhar que haja mais de um modelo disponível. Atualmente, são cinco as opções mais populares, e a escolha vai depender da necessidade e da adaptação dos pais e da criança com cada um deles. Conheça:

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Wrap Sling

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Bastante popular, consiste em uma longa faixa de tecido, geralmente de algodão, que pode variar de 5 a 8 metros. Em sua amarração clássica, o wrap sling é apoiado nos dois ombros do adulto, enquanto o bebê permanece sentado, com as pernas abertas, virado para os pais.

É uma das melhores opções para distribuir o peso da criança de maneira uniforme, sem pesar mais em um dos lados. Por outro lado, é mais demorado de ajeitar, sendo indicado para situações em que os pais ficarão bastante tempo com o sling.

Sling de argola

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Com duas argolas grandes em uma das pontas, este tipo de sling tem ajuste prático e fácil, que dispensa uma amarração completa trabalhosa. Com as argolas na altura de um dos ombros, ele permite diferentes posições, sendo que uma das mais comuns é manter o bebê sentado ou deitado na lateral.

Outro diferencial do sling de argola é que, depois de amarrado, ele deixa uma faixa de tecido solta, como se fosse um xale. Mais do que só ficar bonito, isso é legal porque serve para proteger o bebê do sol e para dar mais aconchego na hora da soneca.

Por manter o peso do bebê apenas em um lado do corpo do adulto, recomenda-se seu uso em curtos períodos de tempo, para não sobrecarregar as costas.

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Pouch Sling

Foto: Reprodução / Slings da Vovó

Semelhante ao sling de argolas, este tipo de sling é formado por um tecido maleável com uma espécie de emenda lateral para acomodar o bebê. Por já vir com essa “bolsa”, ele também é bastante prático, ótimo para situações em que será necessário tirar e colocar o sling mais de uma vez.

Como desvantagem, esse tipo de sling também é apoiado em um único ombro, sendo recomendado somente para uso em curtos períodos de tempo. Além disso, por já vir “pronto”, ele é menos versátil. O ideal é tirar as medidas exatas do bebê a fim de que fique mais seguro.

Mei-tai

Foto: Reprodução / Goo Goo Baby

Inspirado nos carregadores de bebê chineses, o mei-tai lembra uma mochila colocada na frente do corpo. Assim como ocorre na posição mais utilizada do wrap sling, nele o bebê fica de frente para os pais, com as pernas abertas e com as costas bem apoiadas, como se estivesse sentado. Além de distribuir o peso do bebê de maneira uniforme, outra vantagem do mei-tai é que ele tem uma amarração mais intuitiva que o wrap sling.

Por não ter apoio para a cabeça, não é recomendado para bebês com menos de três meses.

Canguru

Foto: iStock

É como se fosse uma evolução ou releitura moderna do mei-tai. A principal diferença é que ele vem praticamente pronto para ser colocado, sem a necessidade de amarrações.

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Além das alças, que lembram as de uma mochila, ele também possui cinto e travas ajustáveis, assim como apoio para as pernas do bebê.

Por tudo isso, é uma das opções mais práticas da lista, embora perca na versatilidade. Além disso, por também não possuir apoio para a cabeça, não deve ser usado com recém-nascidos.

Além da questão estética e da praticidade, outros fatores devem ser considerados na hora de escolher o seu sling. Por exemplo, quem tem problemas de coluna deve preferir modelos como o wrap sling, mei-tai e canguru. Já quem vai compartilhar o uso do sling com outra pessoa deve evitar modelos feitos sob medida, como é o caso do pouch sling.

Como usar o sling

Enquanto alguns slings são bastante intuitivos, outros, como é o caso do wrap sling e do sling de argola, exigem certa dedicação na hora de fazer as amarrações. Aprenda diferentes jeitos de utilizá-los com estes vídeos:

Como usar wrap sling (amarração peito a peito)

Neste vídeo curtinho, com pouco mais de dois minutos, a youtuber ensina uma das amarrações mais tradicionais para o wrap sling, a chamada peito a peito. A técnica é recomendada para bebês de 8 meses a 2 anos.

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Como usar o sling (amarração cruz envolvente)

Enquanto a amarração ensinada no vídeo anterior é praticamente finalizada antes do encaixe do bebê, na chamada Cruz Envolvente, ele fica no colo ao longo do processo. Vale lembrar que os ajustes sempre devem ser feitos manipulando o tecido do sling e não as pernas e braços do bebê.

Como usar o sling de argola na posição passeio

O fato de o sling de argola ser um pouco mais simples que o wrap sling não quer dizer que não tenha seus truques. De maneira rápida e didática, o vídeo demonstra, com a ajuda de um bebê de verdade, qual a melhor forma de deixá-lo mais seguro e confortável com o equipamento.

Seja qual for o modelo ou tipo de amarração escolhida para o sling, o Dr. Clay Brites alerta para alguns outros cuidados. “É sempre importante deixar a cabeça da criança visível para quem o coloca no colo, para que sempre se observe se o bebê não está cianótico (ou se não está ficando roxo) ou se está tendo algum tipo de alteração na respiração”, diz. Segundo o especialista, também é muito importante que a criança fique sempre a distância de um beijo.

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Outra vantagem importante do sling é que, diferente do que ocorre com carrinhos de bebê, ele tem um valor bastante acessível, sendo possível encontrar modelos com preços a partir de 100 reais.

Imagem: Dicas de Mulher

Onde comprar

  1. Wrap Sling em malha vinho com frente colorida, na Maria Pretinha
  2. Mei Tai lilás, na Ventre Luz
  3. Wrap Sling Soul, na Slingaê
  4. Sling Pouch dupla face, na Individualli Kids
  5. Sling Argolas Jazz, na Slingaê
  6. Mei-Tai 100% algodão dupla face com frente estampada, na Maria Pretinha
  7. Sling Ring azul turquesa, na Ventre Luz
  8. Wrap Sling Nix 100% algodão, na Ninho Slings

Vai sair com o bebê no sling ou em outro tipo de carregador? Veja também 10 coisas interessantes de levar ao sair de casa com o bebê.

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