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Conheça o SIU, um dos métodos contraceptivos mais seguros

Com uma taxa de 99,8% de eficácia, ele se torna uma alternativa interessante para as mulheres que estão em busca de novos métodos anticoncepcionais

em 07/06/2017

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É cada vez mais importante para as mulheres saberem sobre os diferentes tipos de métodos contraceptivos disponíveis, afinal, isso permite uma maior liberdade de escolha e autonomia sexual para elas que, desde a invenção da pílula anticoncepcional, se tornaram mais seguras de si nesse aspecto e puderam ter uma maior independência sexual.

Hoje você não precisa se render apenas à pílula como método combinado junto com a camisinha para evitar uma possível gravidez. Não faltam opções no mercado para que se enquadrem nas preferências e peculiaridades dos organismos de cada mulher.

Uma das opções que está se popularizando bastante é o SIU, o Sistema Intra Uterino. Bastante semelhante ao DIU (Dispositivo Intra Uterino), é cada vez mais solicitado pelas mulheres nos atendimentos ginecológicos e pode ser uma boa opção de método contraceptivo.

Você não o conhece ainda? Ou está procurando um outro método para adotar? Então aproveite para saber mais e tirar todas as suas dúvidas sobre o SIU.

Como ele funciona e para quem é indicado?

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Segundo Luiz Alberto Manetta, médico ginecologista e doutor em Ginecologia e Obstetrícia pela Universidade de São Paulo Ribeirão Preto, seu método de ação está diretamente ligado com o hormônio levonorgestrel, que é liberado no organismo em doses pequenas e diárias através do dispositivo. Em formato de T, o SIU se adapta facilmente ao formato do útero.

Essa liberação possui uma dupla função contraceptiva no corpo da mulher. “Previne a gravidez através do controle do desenvolvimento da camada de revestimento do útero (endométrio) de forma que esta não fique suficientemente espessa para possibilitar gravidez. Além de promover o espessamento do muco normal no canal cervical (abertura para o útero), de forma que o espermatozoide encontre dificuldade para entrar no útero e fertilizar o óvulo. O SIU também afeta o movimento do espermatozoide dentro do útero”, explica o ginecologista.

Sua principal indicação é para as mulheres que desejam fazer prevenção da gravidez, mas não só para isso. Dr. Luiz Alberto ressalta as demais indicações do SIU:

  • Menorragia idiopática (sangramento menstrual excessivo, sem causa orgânica);
  • Proteção contra hiperplasia endometrial (crescimento excessivo da camada de revestimento interno do útero) durante terapia de reposição de estrogênio;
  • Tratamento para pacientes portadoras de endometriose e adenomiose que não desejam gestação.

Como é o procedimento para inserção do SIU?

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A colocação do SIU é um procedimento simples que pode ser feito dentro do consultório médico, exceto em alguns casos de complicações ou então quando ele vai ser colocado logo após o parto.

Ele será inserido em centro cirúrgico quando a mulher tiver intolerância a dor ou então tiver alguma anomalia anatômica que dificulte a colocação no consultório.

Como preparação prévia é necessário ter realizado exame ginecológico recente e ter certeza de que não há qualquer infecção no local. Também é preferível colocá-lo logo após a menstruação, pois facilita o procedimento.

O Dr. Luiz Alberto explica como é realizado o procedimento: “Após exame ginecológico minucioso, o espéculo vaginal é inserido, identificando-se o colo uterino. Uma solução asséptica é aplicada para limpar o colo do útero. O sistema é inserido no útero por meio de um tubo de plástico fino e flexível (insertor).”

Uma das principais preocupações está relacionada com a dor. Sobre isso, o médico afirma que é possível sim sentir dor e tontura logo após o procedimento, mas que isso costuma passar em alguns minutos. E ele também ressalta: “Se for considerado apropriado, pode ser aplicada anestesia no colo do útero antes da inserção”.

SIU x DIU: qual a diferença?

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É possível confundir não só pelo nome parecido, mas até mesmo pelos dispositivos serem semelhantes. Porém, seus mecanismos de ação diferem consideravelmente.

O ginecologista ressalta as diferenças entre os métodos: “O DIU é um método não hormonal medicado com cobre de uso intra-uterino. O SIU é um método hormonal de uso intra-uterino. Com o DIU as usuárias permanecem com sangramento mensal e com aumento do fluxo menstrual, fatos incomuns nas usuárias do SIU”.

Efeitos colaterais possíveis

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Como quase todo método contraceptivo, ele pode levar a efeitos colaterais após sua inserção. Os mais comuns são:

  • Sangramento irregular nos primeiros meses;
  • Desconforto ou dor no baixo ventre;
  • Corrimento vaginal persistente;
  • Dor na relação sexual.

Vale lembrar que, mesmo sendo estes os efeitos colaterais mais comuns, nem todas as mulheres que passam a utilizar o SIU sofrem deles.

Mais dúvidas respondidas

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Ufa, quanta informação! Mas ainda há mais coisas a se saber sobre o SIU. Veja mais dúvidas respondidas pelo Dr. Luiz Alberto Manetta:

O ciclo menstrual muda após a inserção do SIU?

“Sim. Nos primeiros meses de uso é muito comum a ocorrência de sangramento irregular de diferentes intensidades. Cerca de 60 a 70% das pacientes, após 6 a 8 meses de uso, evolui para cessar o sangramento e permanecer sem menstruação por vários meses/anos (até 5 anos – que o limite de cada SIU). Um percentual baixo de usuárias pode permanecer com sangramento mais intenso e duradouro, levando ao abandono da metodologia.”

O SIU dispensa o uso da camisinha?

“Como contraceptivo sim. Mas a utilização do SIU não evita o risco de a usuária apresentar DST ou contrai o HIV”. Portanto, a combinação dos dois métodos é o ideal.

Qual o risco real de engravidar usando o SIU?

“Extremamente baixo em contracepção, com 99,8 % de eficiência (um índice de falha de aproximadamente 0,2%).”

A mulher pode colocar o SIU logo após a gravidez?

“O SIU deve ser inserido somente 6 semanas após o parto, tempo que o útero leva para voltar ao seu tamanho normal.”

E ela pode amamentar normalmente após a sua colocação?

“A amamentação não sofre efeitos negativos, podendo a paciente amamentar com tranquilidade, sem que ocorra prejuízo na produção de leite (doses baixas de levonorgestrel foram identificadas em amostras de leite materno de usuárias de SIU, não havendo efeitos negativos no desenvolvimento do lactante).”

Como é o procedimento de remoção?

“Após exame ginecológico para identificação do fio do SIU, realiza-se a remoção do SIU por meio de uma pinça e um leve movimento de tração para fora da vagina. Em alguns casos, quando o fio do SIU não é visível e mesmo utilizando-se de pinças específicas não conseguimos “pescar” os fios, se faz necessário a remoção em centro cirúrgico.”

Quais os cuidados que devem ser tomados após a colocação?

Segundo o especialista, as mulheres devem se atentar à “presença de dor que não cessa (apesar do risco de perfuração uterina ser baixo), sangramento irregular/intermitente e abundante e infecções ginecológicas.”

O fio para remoção do SIU pode atrapalhar as relações sexuais?

“Não, ele não interfere nas relações sexuais.”

Há alguma atividade de risco que pode ajudar no deslocamento do SIU após sua colocação?

“Dentro das atividade rotineiras, não há atividade que aumente o risco de deslocamento.”

O hormônio liberado pelo SIU pode causar algum problema para mulher a longo prazo?

”Por se tratar de uma liberação baixa de hormônio, não existem evidências de efeitos indesejáveis no longo prazo.”

É verdade que a inserção no período menstrual é menos dolorosa?

“Sim, quando a paciente está menstruada é mais fácil e menos dolorosa a inserção do SIU.”

É verdade que há proteção, mesmo que parcial em caso de deslocamento?

“Na dependência do deslocamento, a efetividade do método se reduz. Logo que detectado o deslocamento o médico deve ser consultado para avaliar qual conduta deva ser adotada.”

Quais os indícios de que houve o deslocamento do SIU?

“O SIU deve ser verificado de 4 – 12 semanas após a inserção através de exame ginecológico minucioso e ecografia pélvica transvaginal. Após a primeira avaliação e constatando que tudo esta dentro da normalidade, o acompanhamento deve ser feito pelo menos uma vez por ano. Além disso, o médico deve ser consultado em qualquer uma das seguintes ocorrências: presença de dor abdominal persistente, a paciente ou o parceiro sentir dor ou desconforto durante relação sexual, alterações repentinas no período menstrual (por exemplo, após um período de sangramento reduzido ou ausência de sangramento, ocorrer sangramento persistente, dor ou sangramento intenso).”

A fertilidade volta ao normal após a retirada do SIU?

“Após a retirada do SIU, os níveis de levonorgestrel se reduzem, não se encontrando concentrações do hormônio na circulação. Após poucos dias, a mulher está apta a engravidar. Em um ano após a retirada, cerca de 60 a 80% das ex-usuárias já engravidaram, uma porcentagem similar àquelas que nunca usaram métodos contraceptivos.”

Em quais casos o uso do SIU não é indicado?

“O SIU não deve ser utilizado:

  • Se a paciente estiver grávida ou com suspeita de estar grávida;
  • Se a paciente tem doença inflamatória pélvica atual ou recorrente (infecção dos órgãos reprodutores femininos) ou infecção vaginal ou do colo uterino;
  • Se a paciente tem infecção do útero após parto ou após um abortamento ocorrido durante os últimos 3 meses;
  • Se a paciente tem anormalidades celulares no colo do útero ou suspeita de câncer do colo do útero ou do útero;
  • Se a paciente tem tumores que dependem do hormônio progestógeno para se desenvolver;
  • Se a paciente tem sangramento vaginal anormal não-diagnosticado;
  • Se você tem anormalidade do colo do útero ou do útero, incluindo leiomiomas (miomas) ou malformações uterinas e estes causarem deformação da cavidade uterina.”

Ele oferece problemas para quem possui casos de trombose no seu histórico familiar?

“Como o produto é o levonogestrel, não há evidências de aumento de eventos tromboembólicos pelo uso do SIU.”

Agora que você tirou todas as suas dúvidas sobre o uso do SIU, possui mais uma alternativa de método contraceptivo. Se você acha que ele pode ser uma boa opção para você, consulte seu médico e estude essa possibilidade.

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