Sentir sono no trabalho pode não ser apenas cansaço

As altas concentrações de CO2 no ar podem ser a causa do excesso de sonolência

Escrito por Carolina Werneck

Foto: Thinkstock

Todo mundo já passou por essa situação: você está no trabalho e, de repente, manter os olhos abertos e a concentração funcionando parecem ser tarefas impossíveis. Algumas pessoas têm mais dificuldade que as outras em se manterem acordadas durante o horário de trabalho ou estudo, e há diversos fatores que levam a essa dificuldade.

A maneira como trabalha o relógio biológico de cada indivíduo influencia nesse ponto, já que algumas pessoas se sentem mais dispostas no período da noite enquanto, durante o dia, dormir parece ser a atitude mais adequada (ou, ao menos, a atitude pedida pelo organismo).

Também é importante prestar atenção ao tipo de alimentação que se tem, principalmente pela manhã e no horário de almoço. Alimentos pesados ou gordurosos exigem um grande esforço do organismo para serem digeridos. Por isso, ingerir esses alimentos ajuda a aumentar a sensação de sono, principalmente após as refeições.

No entanto, se você dorme bem durante à noite, pratica atividades físicas regularmente, se alimenta de maneira saudável e, ainda assim, o sono ataca no meio do expediente ou da aula, a causa pode não ser um comportamento seu, mas o ar do ambiente em que você se encontra.

De acordo com um estudo realizado pela State University of New York, em parceria com a University of California, e publicado pelo Daily Mail, a grande quantidade de dióxido de carbono encontrada no ar dos ambientes de trabalho e salas de aula pode ser a responsável pela sensação de sono excessivo. Isso porque essa substância afeta nossa capacidade de concentração e até mesmo de tomar decisões com clareza.

A pesquisa contou com a participação de 24 voluntários, que foram orientados a realizar algumas tarefas simples envolvendo concentração. Elas deveriam ser realizadas em três ambientes diferentes. Um deles possuía uma concentração de CO2 de 600 partes por milhão (ppm), na segunda essa taxa era de 1000 ppm e, na terceira, atingia as 2500 ppm. Os resultados foram claros: nas salas com maior concentração de CO2 os voluntários tinham maior dificuldade para realizar as atividades propostas sem bocejar.

Esse é um problema bastante difícil de ser resolvido, uma vez que a principal fonte de dióxido de carbono é a respiração humana. Portanto, em lugares em que muitas pessoas convivem, é natural que haja uma grande concentração de CO2. Em geral, essa concentração pode chegar a ser de duas a oito vezes mais alta em ambientes fechados que em espaços abertos.

Segundo a pesquisa, em um ambiente externo a concentração de dióxido de carbono é de cerca de 380 ppm, enquanto em ambientes de trabalho ela chega a ser de 1000 ppm. Nas salas de aula o problema é ainda mais sério e as taxas de CO2 podem chegar a 3000 ppm.

Para resolver a questão, é importante entender que a quantidade e a qualidade da ventilação estão diretamente relacionadas a esses números. Em ambientes bem arejados, com circulação de ar, a concentração de dióxido de carbono diminui e, com isso, a sensação de sonolência tende a diminuir. Acontece que, quando bocejamos, nosso corpo está tentando reequilibrar a relação entre oxigênio e CO2 no sangue. Portanto, janelas abertas ou um condicionador de ar com filtros limpos podem ser a solução.

Assuntos: Bem-Estar, Sono

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