Saiba quando considerar a opinião das crianças

Deixar que a criança tome decisões nas situações erradas é prejudicial ao desenvolvimento da personalidade

Escrito por Carolina Werneck

Foto: Thinkstock

Quantas vezes você se pega fazendo uma coisa apenas porque seu filho pediu? Observar esse tipo de situação é uma boa maneira de saber se você está dando a ele muito “poder” sobre as decisões que envolvem a família.

O que acontece é que as crianças não possuem, ainda, as faculdades necessárias para tomar certos tipos de decisão. Por isso, de acordo com o psiquiatra Içami Tiba, “ouvir a criança em situações nas quais ela não deve ser ouvida é ser um mau pai”.

Normalmente as crianças não sabem – e nem deveriam saber, dada sua idade – quais as circunstâncias envolvidas em determinada escolha e, por essa razão, deixar para elas a responsabilidade sobre essa situação pode ser, além de incorreto, prejudicial para seu próprio desenvolvimento. Irene Maluf, especialista em Psicopedagogia e Neuroaprendizagem, faz uma pequena lista para que os pais saibam quando é indicado pedir a opinião dos pequenos.

Escola

É natural que as crianças queiram decidir em que escola estudarão mas, devido a fatores como o orçamento e a localização, é preciso que os pais saibam lidar com as vontades de seus filhos.

Façam uma lista com as escolas que preencham pré-requisitos definidos por vocês. Se houver mais de uma igualmente viável, apresentem as opções e deixem que os pequenos opinem. No final, entretanto, a decisão dos pais deve prevalecer sobre a dos filhos.

Animal de estimação

Quase toda criança pede – e quase todos os pais que cedem ao pedido fazem o mesmo acordo: é preciso que o filho cuide do bichinho, alimentando e limpando o ambiente em que ele for colocado, além de dar afeto e (dependendo da natureza do animal) banho regularmente.

É preciso lembrar, porém, que as crianças em geral não dão conta nem de cuidar de si mesmas – basta observar quantas vezes você precisa manda-las tomar banho ou comer, antes que acatem a ordem. Portanto, seu filho pode dar opinião, mas cabe a você e ao seu marido decidir se querem ter mais essa responsabilidade no dia a dia. Se possível, optem pela adoção de animais. E sejam responsáveis: se seu filho não quiser mais o bichinho, não abandone o animal, tente doá-lo para alguém que possa cuidar dele com carinho e responsabilidade.

Alimentação

Seja em casa, no restaurante ou na casa de um conhecido, a criança precisa entender que nem sempre o que ela quer comer é o mais adequado. Muitas vezes, aliás, nem é possível oferecer a ela o que ela quer. De vez em quando, os pais podem separar um dia para que a criança escolha o cardápio ou em qual restaurante comer, por exemplo, dentro de uma lista selecionada previamente por eles. Só é importante entender que essa exceção não pode virar regra. Em geral, quem decide onde e o que a criança vai comer são os pais. Ponto final.

Hora de dormir

Crianças gastam muito mais energia que adultos durante o dia. Além disso, manter a atenção na sala de aula será muito difícil para elas, se não estiverem acostumadas a dormir cedo. Deixar essa decisão para seu filho pode prejudicar o desempenho dele na escola, à medida que horas a mais de brincadeira signifiquem horas a menos de descanso.

A exceção é o final de semana mas, se você pretende manter a criança em uma rotina, para que ela não esteja muito fora do ritmo quando a segunda-feira chegar é necessário não passar muito dos limites no sábado e no domingo. Estabeleça uma tolerância de uma hora a mais em relação ao horário normal. Depois disso, cama.

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