Síndrome de Couvade: quando o papai fica “grávido”

Cerca de 54% dos homens apresentam sintomas relacionados à gravidez de suas companheiras

Escrito por Carolina Werneck

Foto: Thinkstock

As delícias e dificuldades experimentadas durante a gravidez são, tradicionalmente, uma exclusividade das mulheres. Há, porém, uma pequena parcela da população masculina que pode estar propensa ao desenvolvimento do que os especialistas chamam de Síndrome de Couvade.

A síndrome, que é conhecida em alguns países como Gravidez Simpática ou Gravidez Fantasma, atinge homens que convivem com uma mulher em período gestacional. Ela não é propriamente uma doença, mas a apresentação de um conjunto de sintomas por parte do companheiro da gestante.

Algumas pesquisas apontam que cerca de 54% dos futuros papais desenvolverão algum sintoma diretamente relacionado à gestação. A incidência dos sintomas é observada com maior frequência em pais de primeira viagem e que estejam positivamente envolvidos com a espera do bebê.

Papai “ligeiramente grávido”

O homem que desenvolve essa síndrome pode apresentar náuseas no período da manhã, desejos relacionados a alimentos específicos, aumento significativo de peso, indigestão, distúrbios do sono antes inexistentes, alterações no sistema gastrointestinal, dores nas costas, cefaleia e, em casos extremos, até mesmo alterações de natureza hormonal. Alguns homens, excepcionalmente, chegam mesmo a experimentar um crescimento da barriga semelhante ao ocorrido com a gestante.

Este curioso estado vem sendo descrito por diversos pesquisadores desde a década de 1970. No âmbito psicológico, estudos demonstram que os sintomas são mais frequentes em casais que esperam pelo bebê com grande ansiedade, seja por terem sofrido algum aborto anterior ou simplesmente porque a mulher apresenta certa dificuldade para engravidar. Também costuma acontecer em casos de uma gestação inesperada, em que as sensações emocionais são vividas de forma muito rápida e intensa.

Já no âmbito biológico, alguns indícios apontam a possibilidade remota de que a mulher, através da respiração, alguns mediadores hormonais que acabam sendo interceptados por seu companheiro. Pesquisas realizadas com mamíferos e insetos já provaram que esse tipo de transmissão hormonal é real e acontece com frequência bastante considerável. Injetando-se determinada substância na fêmea, o macho passava a apresentar sintomas similares aos dela sem que tivessem um contato mais próximo que apenas a divisão do mesmo espaço físico. No entanto, esses estudos não são conclusivos, no tocante a seres humanos.

Em alguns relatos médicos, homens que não sabiam da condição de gestante da parceira descreviam sintomas estranhos e, em certo número de vezes, antes mesmo que a própria mulher se desse conta dos sintomas gestacionais.

O que a ciência já provou é muito pouco para explicar a síndrome: alterações nos níveis hormonais do homem durante a gravidez da mulher, que o predispõem a assumir a paternidade. Essas alterações, todavia, nada têm a ver com a síndrome, que deixa o homem muito mais equiparável à mulher, no período da gestação.

Assuntos: Família

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