Incontinência urinária: sintomas, prevenção e tratamentos

Fatores como obesidade e tabagismo estão associados ao maior risco do problema que atinge principalmente mulheres e idosos

Escrito por Tais Romanelli
Foto: Getty Images

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Um problema bastante constrangedor. Talvez esta seja a melhor maneira de definir a incontinência urinária, que pode atingir tanto homens como mulheres de todas as idades, mas é mais comum no público feminino e em pessoas idosas.

O tema ainda é pouco falado no Brasil – país em que 10 milhões de pessoas sofrem do problema, de acordo com estimativa da Sociedade Brasileira de Urologia (SBU).

Ainda segundo a SBU, 35% das mulheres pós-menopausa apresentam incontinência urinária de esforço e 40% das gestantes apresentarão um ou mais episódios durante a gravidez, ou logo após o parto. Entre as pessoas acima de 65 anos, o índice pode chegar a mais de 60%.

Mas enfim, o que significa incontinência urinária? Como tratá-la? Há como evitá-la? Abaixo você confere as respostas para essas e outras perguntas.

O que é incontinência urinária?

Incontinência urinária é a perda involuntária de urina, conforme explica Maria Alice Lelis, consultora da SCA (empresa de produtos voltados à incontinência urinária) e especialista em incontinência urinária.

O nome parece complexo, mas a explicação é simples: “sempre que houver escape de urina em situações em que a pessoa não deseja urinar voluntariamente, temos um episódio de incontinência urinária”, explica Maria Alice.

A especialista acrescenta que em algumas pessoas a perda urinária ocorre diariamente, enquanto outras apresentam episódios esporádicos de perda urinária.

Alexandre Crippa, urologista e coordenador do Núcleo de Urologia do Hospital Samaritano de São Paulo, ressalta que a incontinência urinária é a falta de controle sobre a perda de urina.

De acordo com Crippa, ela pode ser causada por inúmeros fatores, como, por exemplo:

  • Gravidez
  • Tumores
  • Obesidade
  • Tosse crônica
  • Bexiga hiperativa
  • Procedimentos cirúrgicos que lesem os nervos do esfíncter
  • Infecção ou inflamação da próstata, entre outros.

Maria Alice lembra que a incontinência urinária ocorre em homens e mulheres de diferentes faixas etárias, mas mulheres e idosos são mais afetados. “Fatores como obesidade, tabagismo e uso de alguns medicamentos também estão associados ao maior risco de incontinência urinária”, diz.

Sintomas e como detectar o problema

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Maria Alice explica que algumas vezes a perda urinária ocorre ao fazer esforços como carregar peso, correr, tossir, espirrar. “Em outras situações, a pessoa apresenta sensação de urgência para urinar, seguida pela perda urinária”, diz.

A especialista acrescenta que pessoas que apresentam incontinência urinária podem viver situações de constrangimento, tanto do ponto de vista social como do higiênico. “Algumas se afastam do convívio social e podem ficar mais isoladas, preocupadas com a perda urinária”diz.

Por isso, de acordo com Maria Alice, é necessário procurar ajuda médica ao perceber os sintomas, para que sejam possíveis o diagnóstico e tratamento precoces.

“Além disso, hoje estão disponíveis produtos absorventes específicos para incontinência urinária, feminino ou masculino, com variações que atendem pessoas que apresentam desde pequenos escapes de urina (absorventes urinários) ou perdas urinárias de volume moderado ou intenso (roupa íntima absorvente e fraldas)”, acrescenta a especialista.

Alexandre Crippa destaca que história clínica de perda involuntária de urina, associada ao exame físico do paciente, é suficiente para o diagnóstico.

Tratamentos contra incontinência urinária

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O urologista explica que o tratamento deve ser individualizado a depender do tipo e grau de incontinência urinária. “Por isso se faz necessária a avaliação médica antes de iniciar qualquer tipo de tratamento”, diz.

Dentre as opções terapêuticas, ele destaca:

  • Mudanças de hábitos de vida;
  • Fisioterapia do assoalho pélvico;
  • Medicamentos;
  • Procedimentos cirúrgicos, como o Sling – que é uma tela sintética que promove um suporte da uretra média, melhorando a continência urinária.

Maria Alice ressalta que para cada tipo de incontinência urinária existem diferentes modalidades de tratamento, “que podem variar desde medidas simples como ajuste de dieta, exercícios da musculatura do assoalho pélvico, horários programados para urinar, até uso de medicamentos e cirurgia. A indicação dos possíveis tratamentos depende de avaliação médica criteriosa”, diz.

Como evitar a incontinência urinária

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Crippa destaca que a incontinência urinária nem sempre pode ser evitada. Entretanto, alguns fatores podem reduzir o seu risco:

  • Não fumar;
  • Manter um peso saudável;
  • Praticar exercícios de moderada intensidade;
  • Fazer exercícios que reforçam os músculos do assoalho pélvico;
  • Evitar o consumo de bebidas e alimentos que podem piorar o quadro, como, por exemplo, café e bebidas alcoólicas.

É interessante saber ainda que a SCA promoveu uma pesquisa com mulheres brasileiras de 30 a 60 anos para entender qual a percepção delas sobre incontinência urinária. Entre os mitos e verdades questionados na pesquisa, 89% das pessoas que sofrem da incontinência acreditam ser um mito o fato de o café fazer aumentar as perdas urinárias. Entre as cuidadoras de pessoas com a doença, esse número é de 86% e, entre as mulheres que possuem conhecimentos sobre o assunto, 82% discordam da afirmação.

Porém, evitar bebidas cafeinadas auxilia o problema, visto que o café superestimula a bexiga, de acordo com a docente Aline Menezes Tibúrcio Roque, do curso de nutrição da Unopar.

“Além do café, o músculo da bexiga tem nervos que podem ser afetados por substâncias irritantes, como alimentos e bebidas ácidas que levam laranja, limão e tomate – que podem agravar os sintomas de incontinência”, acrescenta Aline.

A docente alerta que alimentos carregados em pimenta e condimentos também pioram a condição da doença, além do chocolate e doces em geral, devido à grande presença de cafeína em sua composição.

Outras dicas da docente para amenizar os efeitos da incontinência urinária são:

  • Evitar a ingestão de bebidas gaseificadas;
  • Aumentar o consumo de água. “É importante salientar que a ingestão de água deve ser estimulada a fim de contribuir para uma boa hidratação e evitar problemas como obstipação e cálculos renais. A recomendação é evitar a ingestão de fluídos durante a noite apenas”, esclarece Aline.

A incontinência urinária é um problema mais comum do que parece. Até pelo grande constrangimento e impacto que causa na qualidade de vida da pessoa, deve ser tratada o quanto antes. Por isso, se você sofre com situações de perda involuntária de urina, não hesite em procurar ajuda médica.

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