9 rituais de beleza que podem ser ruins para a saúde

O bronzeamento artificial, por exemplo, pode causar câncer de pele, envelhecimento precoce e catarata

Escrito por Tais Romanelli

Foto: Thinkstock

A cada dia que passa, as pessoas se tornam mais vaidosas e vão em busca dos mais variados procedimentos que possam deixá-las mais satisfeitas com a sua aparência. Muitas mulheres passam horas em academias; vão com frequência a salões de beleza e clínicas de estética; isso sem falar de todos os rituais de beleza que seguem no dia a dia em casa.

Tudo isso, claro, tem seu lado positivo. Toda pessoa deve fazer o que estiver dentro de seu alcance para se sentir bem com ela mesma, garantindo mais autoestima. Porém, nessa busca por mais beleza, ela não deve deixar em segundo plano a preocupação com a sua saúde.

Muitos rituais de beleza podem gerar efeitos negativos e, em alguns casos, oferecer sérios riscos à saúde. Por isso, todo cuidado é pouco! Abaixo você confere uma lista com alguns destes hábitos que podem ser prejudiciais:

1. Bronzeamento artificial

Cristina Salaro, dermatologista membro da Sociedade Brasileira de Dermatologia, destaca que o bronzeamento artificial não deve ser feito em circunstância alguma.

“O bronzeamento artificial, composto exclusivamente pelos raios UVA, em uma quantidade de energia altíssima, está entre os agentes cancerígenos mais perigosos que existem, segundo a Organização Mundial de Saúde (OMS). Os raios UVA penetram mais fundo na pele do que o UVB e o UVC e alteram as fibras de sustentação da pele. Dez minutos numa câmara de bronzeamento artificial equivalem, em média, a uma hora de sol sem proteção”, explica a médica.

Com isso, os principais riscos que o bronzeamento artificial pode oferecer são: câncer de pele, envelhecimento precoce da pele e catarata.

“Em pessoas com menos de 30 anos, o bronzeamento artificial aumenta em até 75% o risco de incidência de melanoma. O melanoma é o tipo de câncer de pele mais perigoso, com alto grau de metástase (capacidade de se espalhar para outros órgãos do corpo). O risco é maior em pessoas com olhos e pele claros”, acrescenta e alerta a dermatologista.

2. Manter os cabelos sempre presos ou em tranças

Muitas mulheres mantêm seus cabelos constantemente presos em rabos de cavalo ou em tranças (muito comum especialmente no caso das mulheres negras). Mas esse hábito pode trazer resultados negativos.

“Existe um tipo localizado de alopecia (queda de cabelo), a ‘alopecia de tração’, que decorre justamente da tração excessiva dos fios de cabelo”, destaca a dermatologista Cristina Salaro.

3. Fazer chapinha diariamente

Ainda dentro da ideia de cuidar dos cabelos, o hábito de fazer chapinha diariamente é extremamente negativo. Isso porque, os fios são formados por uma proteína, chamada queratina, que é revestida de cutículas em forma de escamas. Essas escamas protegem o fio de todos os agentes danificadores, como o vento, o sol, as químicas etc. E o calor excessivo da chapinha, normalmente acima de 180º, deteriora essa proteção.

Fazendo chapinha diariamente também os cabelos tendem a cair mais, já que a prancha puxa os fios.

Portanto, a dica é alisar os cabelos com moderação! E sempre usar um produto específico que proteja (ou pelo menos ajude a proteger) os fios contra o calor. O mesmo cuidado vale para quem usar o secador com frequência.

4. Fazer tatuagem

Atualmente, muitas pessoas já têm ou estão fazendo tatuagens. Porém este é um procedimento que pode oferecer riscos à saúde.

“O principal risco de uma tatuagem é o de se contrair hepatite B ou C. Pessoas com tatuagens têm um risco significativamente maior de serem portadoras de hepatite C, segundo uma publicação na revista americana Hepatology”, diz Cristina Salaro.

“O risco de se desenvolver alergia a pigmentos das tintas também existe, assim como o de quelóide – em pessoas com predisposição a esta reação”, acrescenta a dermatologista.

A pessoa que decidir fazer tatuagem mesmo assim, deve tomar certos cuidados. “O principal diz respeito à forma como esta tatuagem será feita. O local deve contar com profissional que utilize equipamento esterilizado e descartável”, alerta a dermatologista Cristina.

5. Fazer Botox

Cristina Salaro destaca que a aplicação da toxina botulínica tipo A, popularmente chamada de “Botox”, é bastante segura quando aplicada por profissionais adequadamente preparados (em geral, os que possuem título de especialista pela Sociedade Brasileira de Dermatologia ou Sociedade Brasileira de Cirurgia Plástica). “Um risco potencial é o de ‘ptose’ palpebral, ou seja, queda da pálpebra, dificultando a abertura ocular e o de assimetria facial – quando um lado do rosto relaxa de forma desigual em relação ao outro lado. Como qualquer procedimento invasivo, o material utilizado (as agulhas) precisa ser esterilizado e descartável”, explica.

A dermatologista acrescenta que as aplicações com fins cosméticos faciais costumam ser realizadas a cada seis meses, entretanto, a aplicação pode ser mais frequente, até de quatro em quatro meses.

Dessa forma reforça-se a necessidade de buscar profissionais capacitados para realizar este procedimento para evitar possíveis problemas.

6. Usar cremes clareadores em excesso

Os cremes clareadores são indicados em casos em que existem manchas hipercrômicas que incomodam a pessoa, esteticamente. Porém, eles nunca devem ser usados em excesso e sem prescrição médica.

De acordo com Cristina Salaro, os compostos clareadores de pele comumente contêm dois ativos que, se mal utilizados, podem ser prejudiciais à pele: corticoide e hidroquinona. “O uso indevido de corticoides na pele causa seu afinamento e surgimento de pequenos vasinhos, parecidos com varizes, que no rosto se tornam muito inestéticos. Já a hidroquinona pode acarretar uma reação chamada ‘ocronose’ – quando surgem manchas hipercrômicas (escuras), com um tom azulado ou azul-acastanhado na pele, de dificílimo tratamento. Esse é um risco significativo às pessoas que se medicam sem o acompanhamento rigoroso de um dermatologista”, destaca.

7. Depilação com cremes depilatórios

A depilação é um hábito comum entre a maioria das mulheres. Porém, a dermatologista destaca que o uso de alguns cremes depilatórios pode causar dermatite de contato por irritação primária ou de contato (alergia).

Nesses casos, é fundamental suspender o uso do creme em questão e procurar orientação de um(a) dermatologista.

8. Cremes alisantes de cabelos

Muitas mulheres, por buscarem cabelos aparentemente mais lisos, usam com frequência cremes alisantes. “O problema é que eles podem levar à ruptura dos fios”, diz a dermatologista Cristina.

Por isso, antes de optar por este tipo de tratamento dos cabelos, é fundamental consultar profissionais de confiança, que possam apontar todos os prós e contras deste procedimento.

9. Usar esmaltes frequentemente

A maioria das mulheres gosta de estar com as unhas sempre “bem feitas”. Muitas delas, inclusive, não passam um dia sequer sem esmaltes. Porém, destaca a dermatologista Cristina, este hábito bastante comum pode levar à dermatite de contato nas pálpebras. “Essa é uma reação cada vez mais frequente em consultórios de dermatologia”, finaliza.

Agora você já conhece alguns rituais de beleza que podem trazer resultados negativos – alguns devem ser evitados totalmente; outros devem ser feitos com moderação e sempre com orientação profissional. Afinal, por resultado estético nenhum vale a pena colocar em risco a sua saúde!

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