Psoríase: sintomas e tudo o que você precisa saber sobre a doença

A principal característica é o surgimento de placas vermelhas com descamação na pele

Escrito por Tais Romanelli

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Você sabia que a psoríase atinge aproximadamente 2 % da população? Trata-se de uma doença inflamatória crônica que acomete a pele e também pode acometer as articulações.

A doença é caracterizada por períodos de melhora e piora, e o sintoma mais característico é o surgimento de placas vermelhas com descamação em qualquer parte da pele (principalmente no couro cabeludo, nos cotovelos, joelhos e nas costas).

A psoríase pode se manifestar em qualquer idade, mas é mais frequente entre os 30 e 40 anos, tanto em mulheres como em homens. Confira todas as informações importantes sobre a doença abaixo!

Quais são os tipos de psoríase?

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Existem vários tipos de psoríase, conheça os principais e suas características:

Psoríase vulgar

De acordo com a dermatologista Mayra Tosta, da Ortoderm, este é o tipo mais comum. “Acomete a pele causando manchas ou placas avermelhadas e com descamação. Nos casos mais leves, nos cotovelos, joelhos; e, em alguns casos, em outras regiões do corpo”, diz.

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Tais manchas ou placas avermelhadas costumam coçar e podem gerar dores. Em alguns casos mais graves, elas podem chegar a rachar e sangrar na pele ao redor das articulações.

Psoríase de couro cabeludo

Mayra destaca que, neste caso, a lesão se restringe à região do couro cabeludo. Os sintomas são basicamente os mesmos que aparecem na pele em outras partes do corpo: placas vermelhas que descamam e costumam coçar bastante.

Psoríase ungueal

É a psoríase que acomete as unhas das mãos e/ou dos pés. A doença faz com que a unha cresça mais grossa, fique sem cor, escame e contenha depressões ou manchas amareladas. Em alguns casos, a unha pode chegar a esfarelar ou descolar da carne.

“Nestes casos de psoríase ungueal, investigamos com exames laboratoriais para ver se não está associado o acometimento das articulações”, acrescenta Mayra.

Psoríase artropática (ou artrite psoriática)

Este tipo de psoríase prevê, além de inflamação e descamação na pele, dores nas articulações, podendo levar a uma rigidez articular progressiva.

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Psoríase invertida

Provoca o surgimento de manchas vermelhas inflamadas especialmente em áreas do corpo que formam dobras e que são mais úmidas, como axilas, virilha, abaixo dos seios e ao redor dos órgãos genitais.

Psoríase gutata

A psoríase gutata acomete principalmente crianças e pessoas até 30 anos e é desencadeada por infecções bacterianas. Caracteriza-se por pequenas feridas (em formato de gotas e cobertas por uma fina escama) geralmente no tronco, nas pernas, nos braços e no couro cabeludo.

Psoríase pustulosa

É um tipo mais raro de psoríase em que as manchas transformam-se rapidamente em bolhas com pus, podendo acometer todas as partes do corpo ou áreas específicas como pés, mãos ou dedos.

A psoríase pustulosa pode ainda, em alguns casos, causar coceira intensa, febre, calafrios e fadiga.

Psoríase palmoplantar

É quando as lesões aparecem nas palmas das mãos e nas solas dos pés. A pele, neste caso, torna-se bem espessa, costuma ficar avermelhada e com fissuras.

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Psoríase eritrodérmica

É o tipo mais raro de psoríase. Acomete praticamente todo o corpo (cerca de 75%) com manchas vermelhas que costumam coçar e/ou arder bastante. Pode ser desencadeado por outro tipo de psoríase que não foi controlado, por queimaduras graves, por infecções, entre outros fatores.

Vale destacar que o diagnóstico da psoríase é feito pelo exame clínico das lesões e, em alguns casos, pode ser necessário fazer uma biopsia da pele.

Sintomas da psoríase

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Os sintomas da psoríase variam de acordo com o tipo da doença, mas podem ser destacados:

  • Placas avermelhadas e com descamação na pele em uma área específica ou em diversas partes do corpo (como cotovelos, joelhos, costas, mãos e pés)
  • Pequenas manchas vermelhas (em formato de gota)
  • Pele ressecada e/ou com fissura
  • Unhas comprometidas (grossas, esfareladas, amareladas, descoladas da carne etc.)
  • Dor nas articulações e rigidez articular
  • Placas avermelhadas e descamação no couro cabeludo
  • Coceira e/ou ardor nas lesões de pele

Somente um médico poderá fazer o diagnóstico correto, por isso, ao notar qualquer sinal estranho na pele, o ideal é agendar o quanto antes uma consulta com o dermatologista de sua confiança!

Causas da psoríase

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Mayra explica que a psoríase é uma doença com origem genética e imunomediada: “ou seja, é uma patologia que depende do nosso sistema imunológico tanto para manifestação quanto nas recidivas e tratamentos”, diz.

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“Ocorre um processo acelerado na divisão celular, então isso leva a uma descamação de algumas áreas da pele. Geralmente essa descamação gera ressecamento acompanhado de coceira local, e pode ser leve, moderada ou intensa”, explica a dermatologista.

Mayra destaca que, como se trata de uma doença com origem genética e imunomediada, vários fatores estão relacionados tanto no tratamento quanto no melhor controle da doença.

Dessa forma, além da predisposição genética, alguns fatores que podem estar associados à psoríase são:

  • Uso de alguns medicamentos
  • Infecções
  • Fatores emocionais
  • Trauma na pele
  • Consumo excessivo de álcool
  • Tabagismo

Histórico familiar pode ser um fator de risco para a psoríase, além disso, a obesidade também pode facilitar o desenvolvimento da doença.

Tratamentos: existe cura para a psoríase?

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“Não podemos dizer que existe cura, mas podemos, sim, realizar alguns tratamentos e, em alguns casos, o controle com remissão da doença”, responde Mayra.

Alguns tipos de tratamento possíveis são:

  • Produtos para uso local;
  • Fototerapia;
  • Medicações orais e/ou injetáveis.

O tratamento é sempre individualizado, recomendado e acompanhado pelo médico dermatologista, e varia de acordo com as particularidades do caso.

Vale reforçar que nenhum método garante a cura definitiva, mas, na maioria dos casos, com os tratamentos é possível manter o controle adequado da doença.

Psoríase é contagioso?

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Diferentemente do que algumas pessoas pensam, psoríase não é uma doença contagiosa! É essencial que a população tenha consciência disso para que os indivíduos que convivem com a enfermidade não sofram preconceito e restrições quanto a beijos, abraços e compartilhamento de objetos.

Existe, inclusive, uma data comemorativa – o Dia Mundial da Psoríase (29 de outubro) – com o intuito, sobretudo, de conscientizar a população sobre o fato de a doença não ser contagiosa.

Convivendo com a doença

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É importe que o portador de psoríase mantenha uma postura otimista e tente conviver da melhor maneira possível com o problema. Isso, na maioria dos casos, já ajuda no controle da doença.

Outras medidas importantes para conviver com a doença são:

  • Evitar banhos quentes
  • Usar bastante hidratante
  • Ter um estilo de vida saudável, com alimentação adequada e exercícios físicos (quando não houver limitação para a prática)
  • Não beber ou reduzir ao máximo o consumo de bebida alcoólica
  • Não fumar
  • Evitar ao máximo situações de estresse

Mayra acrescenta que já existem também alguns trabalhos mostrando a influência alimentar com dieta isenta de glúten para melhor controle da patologia.

A exposição ao sol costuma ser benéfica em muitos casos. Mas, de toda forma, o acompanhamento com um dermatologista de confiança é o essencial para o controle da doença e de suas possíveis complicações.

Para as pessoas que não são portadoras da doença, a informação também se faz fundamental; somente assim pode-se evitar o preconceito em relação à psoríase e realmente ajudar os pacientes a lidarem da melhor forma com o problema!

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