Banco de Lenços: projeto que incentiva a autoestima de mulheres em tratamento contra o câncer

Projeto que distribui lenços gratuitamente leva energia positiva às pacientes que perderam os cabelos

Escrito por Raquel Praconi Pinzon

Receber o diagnóstico de câncer não é um momento fácil. Afinal, essa é uma doença agressiva, cujo tratamento requer medidas drásticas, como cirurgias ou o uso de medicamentos com muitos efeitos colaterais.

Para as mulheres, o tratamento medicamentoso, conhecido como quimioterapia, pode ser especialmente difícil, pois é comum que ocorra a queda dos cabelos e ficar careca é uma condição geralmente complicada para quem está em tratamento.

Apesar de ser algo delicado, é preciso lembrar que cabelo não é sinônimo de beleza e que, na verdade, o importante é nos livrarmos de todas essas imposições que nos cercam. A autoestima de nenhuma mulher tem que atender a padrões!

Porém, para as mulheres que não se sentem a vontade com a perda de cabelo, existem iniciativas muito bacanas que visam a resgatar a autoestima dessas pacientes, como o Banco de Lenços Flávia Flores, que distribui lenços às mulheres em tratamento.

Conheça o projeto Banco de Lenços

O Banco de Lenços é um projeto criado por Flávia Flores dentro de outro projeto seu, o Quimioterapia da Beleza. Flávia é uma blogueira e escritora que enfrentou um câncer de mama em 2012 e utilizou sua própria experiência para ajudar outras mulheres com a doença. O objetivo do Banco de Lenços é ajudar as pacientes que perderam os cabelos a se sentirem mais seguras por meio da distribuição de lenços a essas mulheres.

Leia também: Câncer bucal: sintomas, diagnóstico, prevenção e tratamento

O projeto funciona da seguinte forma: as pacientes com câncer se inscrevem no Banco de Lenços e têm a oportunidade de descrever seu estilo. Alguns dias depois, elas recebem em casa, completamente grátis, um lenço que atenda às suas preferências da melhor forma possível, embalado em uma caprichada caixa cor-de-rosa.

Todos os lenços distribuídos pelo projeto são doados por pessoas ou empresas, e eles podem ser novos ou usados. Depois de chegar ao Banco de Lenços, as peças são triadas de acordo com o pedido das pacientes e enviadas para as suas casas.

As despesas com triagem, embalagem e envio são arcadas com doações a partir de 30 reais – quantia suficiente para entregar um lenço para uma paciente. É possível fazer uma assinatura e doar a mesma quantia mensalmente, de qualquer lugar do país.

A história por trás do Banco de Lenços

Em 2012, Flávia Flores, na época com 35 anos, percebeu que estava com um carocinho na mama. O médico disse a ela que não se preocupasse, pois ela estava com os exames preventivos em dia, porém seria necessário trocar sua prótese de silicone, que estava rompida.

Na cirurgia, o médico aproveitou para remover o nódulo e enviá-lo para a biópsia, que constatou, para o espanto de todos, que Flávia estava com um câncer de mama em estado avançado.

Leia também: Câncer de colo de útero

Flávia precisou fazer outra cirurgia, desta vez para fazer uma mastectomia e uma reconstrução de mama. Em seguida, ela iniciou os 15 meses de tratamento, com 30 sessões de quimioterapia e 28 de radioterapia.

Infelizmente, os efeitos colaterais não tardaram em aparecer e, junto com os cabelos, também foram embora os amigos e o namorado de Flávia, que não souberam como lidar com a situação. Então, para não se sentir tão sozinha, Flávia começou a compartilhar suas experiências nas redes sociais.

“Minha mãe não gostava de me ver sem maquiagem, porque ela se assustava com a ‘cara de doente’. Decidi mostrar que a doença não poderia roubar isso de também, então resolvi falar aos outros como me sentia e como estava vencendo aquela dor”, contou Flávia ao Correio 24 Horas.

Em pouco tempo, sua página Quimioterapia e Beleza virou um sucesso, e Flávia dava dicas de beleza para outras mulheres que também faziam esse tratamento, inclusive ensinando a fazer diferentes amarrações com o lenço.

Por meio dessa rede, Flávia começou a ganhar e a trocar lenços com amigas que passavam pelo mesmo problema. Quando a troca começou a ficar grande demais, surgiu uma parceria com um hospital para gerenciar as doações de lenços e os pedidos das pacientes.

Leia também: Câncer de pele: é possível se prevenir

“Ao receber um lenço, a paciente não se sente sozinha, pois ela sabe que, assim como ela, há outras mulheres que estão passando pelo mesmo tratamento”, explica Flávia Flores. Isso porque, ao receber o lenço, a paciente não está recebendo apenas um objeto, mas sim uma troca de energia positiva, que vai se manifestar por meio da beleza.

Fundado em 2014, o Banco de Lenços já doou mais de 10 mil lenços, distribuídos em todos os estados do país. Em sua fanpage no Facebook, Flávia fala com mais de 100 mil seguidoras, que aproveitam o espaço para compartilhar suas próprias experiências com o câncer, o tratamento e a vida nova depois da recuperação. Um projeto incrivelmente inspirador.

Dicas pela Web