8 perguntas que você deve se fazer antes de comprar uma roupa nova

Saiba como descobrir se você realmente precisa de uma roupa nova e aprenda a consumir de forma consciente e responsável com dicas práticas

Escrito por Mayara Benatti
Foto: Getty Images

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A frase “comprar roupa nova” pode gerar, por si só, uma enorme euforia em algumas mulheres. Ainda mais se ela vier acompanhada pela palavra “liquidação”. Muitas vezes a compra de uma roupa nova é feita por impulso e isso pode acarretar danos: um guarda-roupa superlotado, limite do cartão de crédito estourado, sensação de vazio, entre outros.

A consultora de estilo e organização pessoal, Fernanda Maranho, orienta que para evitar compras supérfluas e acumulação de itens inúteis, é preciso fazer da compra um ato consciente “ela (a compra) não deve ser encarada como lazer ou como um recurso para cobrir buracos internos. Tentar tapar buraco com compras certamente gera desperdício”.

Comprar excessivamente também pode ser um sinal de que algo não está bem. A psicóloga Raquel de Mello orienta “logicamente, vestir-se é um ato social e é saudável uma preocupação com a aparência que vamos mostrar, mas quando essa preocupação é excessiva, pode causar danos financeiros e emocionais”.

Ao comprar, portanto, devemos levar em conta a necessidade, a durabilidade da peça e se satisfaz o gosto pessoal. As melhores peças, segundo Fernanda, são aquelas que “rendem um montão de novas combinações, que vai acrescentar uma informação bacana de estilo, que você já não tenha nada muito parecido ou similar e que seja de boa qualidade para fazer valer o dinheiro investido”.

8 perguntas que você pode e deve se fazer

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Para evitar desperdícios é importante estar certa de que a compra vai valer a pena. Com a ajuda da consultora de moda Fernanda Maranho e da psicóloga Raquel de Mello, listamos abaixo algumas perguntas para facilitar o ato da compra e torná-lo mais responsável, confira:

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1. Minha prioridade é um guarda-roupa superlotado ou com peças úteis?

Pode parecer um sonho ter um guarda-roupa lotado, mas Fernanda aponta os malefícios da superlotação: “Quando temos muitas roupas e acessórios, principalmente com pouco espaço de armazenamento disponível, é muito difícil manter a organização. Quando empilhamos as roupas, fica difícil ver e acessar tudo o que a gente tem. E se a gente não vê, não lembra e não usa!”

Além disso, a superlotação propicia o acumulo de peças que não servem mais, ou ainda, peças que não fazem parte do seu estilo atual. “Não precisamos de lembretes visuais de que aquele vestido que você usava antes de engravidar não te serve mais”, comenta Fernanda. Então, antes de comprar uma roupa nova verifique seu guarda-roupa e certifique-se de ter nele apenas o útil, como Fernanda indica: “tire tudo o que não te serve, seja porque está pequeno ou grande demais, seja porque não representa mais o seu estilo atual ou porque ‘saiu de moda’”.

2. Essa peça vai fazer diferença no meu guarda-roupa?

É importante ter certeza que de no seu guarda-roupa já não tem outras peças similares à que você vai comprar, se houver, não há necessidade. Para uma roupa fazer a diferença é preciso também que ela complete as peças que você já tem e forme ótimas combinações. “Lembre-se que todas as peças que você compra devem merecer estar dentro do seu armário”, Fernanda dá a dica.

3. Essa roupa valoriza meu tipo físico?

É importante ter autoconhecimento do seu tipo físico e se sentir bem com a roupa que for comprar. É necessário refletir se posteriormente, no momento do uso, a roupa será um instrumento para te fazer sentir bem ou se ela evidenciará alguma característica não desejada.

4. A peça combina com pelo menos outras três roupas que eu já tenho no meu guarda-roupa?

Fernanda orienta que “o segredo de um guarda-roupa coordenado (conciso, versátil e inteligente) é ter a menor quantidade de peças com a maior possibilidade de combinações”. Portanto, antes de comprar uma roupa nova pense se essa peça irá combinar com suas outras roupas ou se ficará isolada por não haver nada que combine com ela.

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5. Já tenho algo similar?

“Ninguém precisa de 4 saias pretas ou 15 pares de calças jeans”, comenta Fernanda. É muito mais proveitoso gastar dinheiro e tempo escolhendo uma peça que fará diferença no seu guarda-roupa do que comprar algo que você já tenha.

6. Essa peça combina com meu estilo?

Muitas vezes as tendências de moda podem causar euforia e te levar a acreditar que precisa comprar uma peça que não tem nada a ver com o seu estilo. Fernanda exemplifica “Se você faz o estilo mais esportivo romântico, não adianta comprar um par de sapatos de salto alto finíssimos com estampa de onça que você não vai ter nem com o que usar”.

7. Será que não é melhor esperar até semana que vem para ter certeza de que preciso?

Em casos em que a vontade de comprar é apenas um impulso, a espera pode fazer essa vontade passar e até mesmo pode ser esquecida. É um bom exercício de autocontrole também.

8. Eu posso pagar por isso?

Essa pergunta é de suma importância, já que ninguém quer adquirir uma dívida que não possa pagar. Portanto, pense várias vezes antes de estourar o limite do cartão de crédito em algo que talvez você nem queira tanto assim. Liquidações também podem gerar gastos em excesso, já que muitas vezes no desconto há a ilusão de que se está por metade do preço você pode levar várias peças. O barato pode sair bem caro nesses casos.

Como saber se você já tem tudo o que precisa

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Periodicamente pode ser necessário dar uma conferida no guarda-roupa para saber se ele abriga tudo o que é preciso ou até mesmo para retirar excessos. O número de roupas para cada tipo de ocasião deve ser proporcional em relação ao tanto que você participa dessas ocasiões. “Se a maior parte da sua semana (ou da vida) você passa trabalhando, isso significa que a maioria das peças devem pertencer ao seu guarda-roupa profissional”, recomenda Fernanda.

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A consultora complementa: “a partir daí, sugiro pegar papel e caneta e registrar tudo o que você tem. Divida por tipos de peças. Por exemplo: calça social, calça jeans e calças estampadas e etc., e escreva a quantidade de cada uma. Assim você terá uma ideia clara do que possui”.

O próximo passo é retirar excessos. Retire peças que não servem mais, que não fazem parte do seu estilo ou peças muito similares já que, como orienta Fernanda, “mesmo que você tenha um emprego que exija o uso de peças formais, ninguém precisa de cinco camisas brancas”.

O último passo é averiguar se você tem peças básicas, pois elas são a base de qualquer guarda-roupa, até mesmo os mais modernos. “Peças tipo camisetas lisas, calças retas, calças jeans, cardigans, bolsas ou sapatos em cores neutras funcionam como uma tela em branco onde a gente pode “colorir” com nossa personalidade”, orienta Fernanda.

Ter peças básicas não é sinônimo de ter peças sem graça. A consultora ensina como ter peças básicas porém modernas: “que tal investir numa jaqueta de couro azul marinho no lugar do blazer preto? Você já pensou que a bolsa bege lisa pode ser trocada por uma super estilosa de textura de cobra? E que tal substituir a camisa branca de algodão por uma camisa de crepe de seda nude?”

Dicas para consumir de forma consciente

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Uma maneira muito enraizada no pensamento de muitas pessoas é a de que para praticar o consumo consciente é preciso ter apenas roupas atemporais, ou seja, aquelas que nunca saem de moda. Mas essa é apenas uma das diversas maneiras de consumir conscientemente. Confira abaixo mais dicas para consumir sem culpa:

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Saiba de onde vem a matéria-prima

Muitos tecidos são produzidos a partir de processos químicos que causam danos ao meio-ambiente, sejam tecidos sintéticos ou até mesmo o algodão, que em sua produção pode deixar muitos resíduos de agrotóxico no ambiente. Se você busca um consumo consciente procure comprar de marcas que dão informações nas etiquetas sobre seus produtos, tais como origem e composição da matéria-prima.

Dê preferência a produtos artesanais

Comprar de uma pessoa ou até mesmo de uma marca que produz em pequena escala e artesanalmente, ajuda a movimentar a economia local, além de dar a possibilidade de saber de onde toda a matéria-prima veio, como o produto foi feito e, ainda por cima, leva uma peça única.

Compre produtos feitos com materiais de qualidade

Um produto de qualidade pode durar muito mais do que um produto de qualidade ruim. Se o produto dura mais, a necessidade de substituir ele demorará a aparecer, o que diminui o consumo e a quantidade de lixo no planeta.

Prefira marcas que tenham consciência ambiental

Quanto mais pessoas buscam comprar de marcas que tenham consciência ambiental, mais marcas buscarão esse recurso diferencial para atrair clientes. Além dos outros vários motivos citados nos tópicos acima.

Busque saber se o produto é fruto de trabalho escravo

A não ser que você esteja comprando de quem fez, pode ser difícil ter certeza de que um produto não é fruto de trabalho escravo. Fernanda recomenda um aplicativo chamado Moda Livre que lista empresas e marcas de roupas que fazem uso de trabalho escravo. O aplicativo está disponível para download gratuito na GooglePlay.

Raquel orienta que o consumo desenfreado pode causar graves danos à saúde emocional “comprar pode se tornar um vício como comer, usar drogas ou beber, por isso é importante refletir sobre esse comportamento”. Comprar envolve uma série de fatores e planejar o ato de forma responsável e consciente pode fazer bem para você, para o seu bolso e para o planeta.

Assuntos: Bem-Estar

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