Óleo de coco pode não ser tão saudável quanto você pensa

Você já ouviu falar que óleo de coco é bom para emagrecer? Pois saiba que isso não é totalmente verdade e que esse alimento não é tão saudável assim

Escrito por Raquel Praconi Pinzon

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O óleo de coco se tornou uma febre nos últimos anos devido às suas alegadas propriedades de aumentar o metabolismo e favorecer a perda de peso, atribuídas aos triglicerídeos de cadeia média que fazem parte de sua composição.

Esse óleo ainda é conhecido por facilitar o processo de digestão, promover o equilíbrio hormonal e controlar as taxas de açúcar no sangue, ou seja, uma série de benefícios reunidos em apenas um alimento.

Além de suas propriedades relacionadas à saúde, o óleo de coco tem muitos usos na culinária, sendo excelente para fritar e saltear alimentos e também participando como ingrediente de bolos e tortas.

Até aí, nenhuma novidade, certo? O que você talvez ainda não saiba é que, há poucos dias, a Associação Americana do Coração divulgou um artigo desencorajando o consumo do óleo de coco, pois ele não seria assim tão benéfico para nosso organismo. Será que a moda desse alimento está chegando ao fim?

O que diz a Associação Americana do Coração

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O artigo divulgado pela Associação Americana do Coração traz uma análise sobre diversos tipos de alimentos que são fonte de gordura saturada, entre eles o óleo de coco. Esse tipo de gordura é conhecido por aumentar o colesterol “ruim” (LDL), que se deposita nas artérias e eleva o risco de problemas cardíacos – e, segundo a Associação, o óleo de coco é capaz de produzir esse efeito no nosso organismo.

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Além disso, os pesquisadores afirmam que o óleo de coco apresenta 82% de gorduras saturadas, um índice bastante superior ao de outras fontes desse tipo de gordura, como a manteiga (63%), a gordura da carne bovina (50%) e a banha de porco (39%).

Para você ter uma ideia de como essa quantidade é grande, o azeite de oliva apresenta apenas 14% de gorduras saturadas, enquanto o óleo de canola tem 7%. Ou seja, o óleo de coco seria mais prejudicial à saúde do coração do que todos esses alimentos, mesmo aqueles famosos por serem prejudiciais, como a carne vermelha.

Fomos enganadas esse tempo todo?

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Frank Sacks, o chefe da equipe de pesquisas por trás do relatório da Associação Americana do Coração, disse não entender por que as pessoas em geral pensam que o óleo de coco é saudável. “Ele é quase 100% gordura. Talvez os estudos anteriores relacionando o óleo de coco à perda de peso sejam os responsáveis por isso”, declarou Sacks.

Um desses artigos foi publicado em 2010 pela cientista Marie-Pierre St-Onge, professora de medicina nutricional da Universidade de Columbia. A própria pesquisadora defende que a crença de que o óleo de coco é um alimento saudável se deva parcialmente à sua publicação.

“O óleo de coco tem uma taxa de triglicerídeos de cadeia média mais elevada do que outros tipos de gorduras ou óleos, e a minha pesquisa mostrou que consumir esses triglicerídeos pode aumentar a taxa de metabolismo mais do que consumir triglicerídeos de cadeia longa”, explica St-Onge.

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O problema disso, conforme a própria pesquisadora explica, é que a pesquisa foi realizada com um óleo especial, contendo 100% de triglicerídeos de cadeia média, enquanto o óleo de coco tem apenas de 13% a 15% dessas substâncias em sua composição.

Inclusive, o estudo afirma que uma pessoa teria que consumir de 15 a 30 gramas do óleo especial (com 100% de triglicerídeos de cadeia média) diariamente para que fosse possível detectar um aumento na taxa de metabolismo. Isso significa que seria necessário ingerir uma quantidade muito grande de óleo de coco para obter tal efeito – como mostra este artigo de 2017 também publicado pela professora St-Onge.

Ao que parece, a confusão em relação à pesquisa de St-Onge foi muito bem aproveitada pela indústria alimentícia, que conseguiu aumentar as vendas desse produto graças à falsa crença de que ele seria um alimento muito saudável.

O óleo de coco tem algum benefício, afinal?

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Antes que você jogue seu óleo de coco fora, saiba que ele ainda é uma boa opção para o preparo das frituras. Segundo Fabian Dayrit, professor de química na Universidade das Filipinas, as gorduras saturadas são mais estáveis para fritar os alimentos, portanto o óleo de coco é mais resistente à degradação sob altas temperaturas, apresentando menos chance de liberar radicais livres e polímeros associados ao desenvolvimento de câncer e doenças cardíacas.

Ainda, de acordo do Sacks, que conduziu a pesquisa da Associação Americana do Coração, o óleo de coco é um ótimo hidratante para o corpo e os cabelos. “Você pode colocá-lo sobre o seu corpo, mas não dentro dele”, conclui o cientista.

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Assuntos: Alimentação

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