Sororidade: empatia e solidariedade fortalecendo a rede de mulheres

A sororidade é indispensável na construção de uma sociedade mais justa para as mulheres

Escrito por Beatriz Castells

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No ano de 2017 as pessoas pesquisaram muito sobre sororidade. Mais precisamente, foi a 5ª pesquisa que aparece em maior destaque no Google para complementar o termo “o que é”. As pessoas pesquisaram mais “o que é sororidade?” do que “o que é bitcoin?”, por exemplo.

Mas se você faz parte das pessoas que ainda não fez essa pesquisa no Google, nós te explicamos: a palavra é derivada do latim soror, irmã, e significa irmandade. Provavelmente você já tenha ouvido a palavra fraternidade, uma vez que essa palavra tem a ver com “irmão”. Nenhuma novidade essa palavra ser tão mais popular, mais uma evidência de que o mundo é machista.

A sororidade colocada em prática significa ter empatia com outras mulheres, se colocar no lugar da outra antes de julgá-la, não enxergar uma mulher como rival e prestar apoio em qualquer situação, estendendo uma mão amiga. Ou seja, é a união de mulheres.

Por que a sororidade é importante?

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O feminismo tem gerado muitas discussões e elas vão além da luta pela igualdade de direitos entre os gêneros. Essa luta não seria possível se não existisse a união entre as mulheres e, muitas vezes, essa união não existe mesmo. A sororidade é importante para criar uma rede entre essas mulheres que não tem a quem recorrer diante de algumas situações. Em uma sociedade machista, a luta feminista se fortalece principalmente com o apoio mútuo entre mulheres que juntas são muito mais fortes.

Outro ponto importante é a rivalidade entre mulheres. A atual do seu ex-namorado, por exemplo, é vista automaticamente como uma inimiga, e isso não deveria ser assim. Não estamos falando que você precisa se tornar a melhor amiga dela, mas demonstrar apoio é importante e lembre-se que você, se ainda não foi, um dia será a atual do ex-namorado de alguém. Lembra da empatia que falei no começo desse texto?

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Sororidade: não vale escolher com quem vai praticar

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É muito fácil ajudar uma amiga que está passando por um momento difícil, né? Estar sempre ali para as pessoas da sua família e do seu círculo de amizades é exemplar. Estender a mão para mulheres que você não conhece ou ainda que tem alguma divergência é admirável.

Não adianta nada ser solidária com a sua amiga que está passando por um momento difícil se você se cala diante de uma conhecida que acabou de descobrir que está grávida e o pai da criança não quer assumir. Essa mulher precisa de apoio; qualquer tipo de apoio. Ou ainda se uma garota teve um vídeo íntimo vazado na internet e você acha que não pode fazer nada sobre isso. E a atual do seu ex-namorado abusivo? Você vai ficar parada e deixar que ela passe por tudo que você passou? Todas nós erramos e é normal você não simpatizar com alguém, mas isso nunca deve falar mais alto que a solidariedade e a empatia.

8 dicas para praticar a sororidade no dia a dia

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Você pode praticar a sororidade com pequenas atitudes no seu cotidiano e inspirar muitas mulheres a sua volta a fazerem o mesmo. Confira 8 dicas para criar esse hábito:

  1. Indique mulheres para vagas de emprego: segundo a Pesquisa Nacional por Amostra de Domícílios realizada em 2015, as mulheres são a maioria da população brasileira, mas representam 54% do número de pessoas desempregadas. Apenas 37% dos cargos de gerência e direção são ocupados por mulheres no setor privado. No setor público, os números são ainda menores.
  2. Ofereça ajuda à uma mãe sozinha em algum lugar: no Brasil, existem 11,6 milhões de mães solo, o que representa mais de 16% do total de mães, segundo os últimos dados colhidos pelo IBGE. Mas sabemos (ou imaginamos) que toda mãe precisa de ajuda em algum momento. Que tal ajudar aquela mãe que está sozinha com seu filho no supermercado, por exemplo? Ofereça-se para segurar a criança enquanto ela tira as compras do carrinho, garanto que já vai ajudar muito!
  3. Ajude uma mulher na rua que tenha sido abordada por um homem estranho: isso sem dúvidas já aconteceu com muitas de nós. Seja na rua, na balada ou em qualquer outro ambiente, você pode se aproximar dessa mulher e fingir que a conhece caso perceba algo errado ou que aquele homem está a incomodando de alguma forma.
  4. Auxilie uma colega de trabalho que está com alguma dificuldade: muitas mulheres relatam que se sentem ameaçadas pelas colegas de trabalho, mas é claro que se você estiver fazendo o seu melhor, não há razões para se sentir assim. O que acontece é que, diante dessa situação, muitas deixam de ajudar as colegas de trabalho e muitas vezes até tentam prejudicá-las. Pense melhor na próxima vez que puder ajudar uma colega de trabalho e faça isso sempre tendo a empatia em mente, um dia pode ser você precisando de ajuda.
  5. Dê preferência a serviços prestados por mulheres: existem mulheres para prestar qualquer serviço. É claro que, para alguns deles, o número de homens no mercado é maior, mas isso não significa que não existam mulheres buscando por reconhecimento também. Experimente procurar uma mulher encanadora na próxima vez que a torneira do seu banheiro der problema! Ah, e não esqueça de indicá-la quando alguém precisar desse tipo de serviço.
  6. Não julgue uma mulher pela forma como se veste: quantas vezes já caímos em contradição e negamos tudo o que o feminismo prega ao criticar a roupa de alguma mulher? Ou por que julgamos “vulgar” ou por não “estar na moda”. Devemos assumir nossos erros e refletir sobre eles para não repeti-los. Qualquer mulher veste o que quiser e o que a faz se sentir bem. E ela é a única pessoa responsável por decidir se quer vestir um vestido curto e justo ou uma burca que a cubra da cabeça aos pés.
  7. Não utilize palavras ofensivas para se referir a mulheres: louca, mandona, desequilibrada, vagabunda, bruxa… E mais várias outras que temos certeza que você sabe muito bem. Pode riscar essas palavras do seu caderninho!
  8. Tenha sempre na bolsa objetos que podem ser úteis: não somente para você. Tenha sempre itens extras, como um remédio para cólica, absorventes e até mesmo camisinhas. Sempre ofereça caso alguma mulher precise e espalhe esse hábito dentro do seu convívio social.
  9. Saiba mais: 3 vídeos que vão ampliar sua visão sobre a sororidade

    Ouvir outras mulheres falando sobre esse assunto é sempre importante para aumentar sua percepção e também para expandir o conhecimento. Que tal compartilhar tudo o que vem aprendendo com as mulheres que convive? Isso também é uma forma de praticar a sororidade. Veja vídeos que vão te ajudar nessa tarefa.

    Sororidade, por Hel Mother

    A Hel Mother é uma youtuber que trata de temas que, infelizmente, ainda são polêmicos, como por exemplo o fato de amar seu filho, mas não gostar de ser mãe. Nesse vídeo ela explica de forma muito bem humorada o que é a sororidade e como podemos aplicá-la em situações do nosso dia a dia.

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    Competição feminina – Sororidade e o feminismo no Brasil, por DRelacionamentos

    O canal DRelacionamentos traz nesse vídeo um bate-papo entre quatro mulheres que têm muito a te ensinar sobre sororidade e algumas teorias feministas que falam sobre o papel da mulher na sociedade.

    Sororidade não é amizade, por Beca com Cê

    Nesse vídeo, a Beca explica a diferença entre sororidade e amizade com exemplos bem simples. Como já falamos, não é preciso ser amiga de uma outra mulher para apoiá-la, respeitá-la e se colocar em seu lugar.

    Não pratique a sororidade somente no mês da mulher, que é quando você vai ouvir falar muito desse assunto. A sororidade deve ser levada para a vida e ensinada em todas as esferas para que essa rede cresça cada vez mais e alcance o maior número de mulheres possível. Ouça e dê voz a outras mulheres, todas nós temos algo a ensinar e a aprender.

Assuntos: Mês da Mulher

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