O que é o aborto habitual?

O problema atinge entre 0,3% e 1% das gestações

Escrito por Carolina Werneck

Foto: Thinkstock

A prática do aborto encontra diversas opiniões contrárias, muitas a favor e continua sendo polêmica, mesmo depois de ter sido legalizada em vários países. Mas e quando o aborto é natural? Quando ele independe da vontade da mamãe e a gravidez é subitamente interrompida por outros fatores? A isso se dá o nome de aborto espontâneo. Por um motivo ou outro, o corpo da mamãe não consegue levar a gestação adiante, ou malformações no feto impedem que ele se desenvolva da maneira adequada.

A ocorrência de um aborto espontâneo não significa nada com relação a gestações futuras. É, na verdade, um fato relativamente comum, variando entre 6,5% (Jansen, 1982) e 21% (Warburton e Fraser, 1964), segundo relatos de diferentes autores.

Já o chamado aborto habitual é a ocorrência de três ou mais abortos, antes da 20ª semana de gestação. A frequência desse tipo de aborto é significativamente menor, girando em torno de 0,3% e 1% (Javert, 1957; Rai e cols., 1996).

Causas

Alguns fatores podem influenciar a ocorrência do aborto habitual. Dentre eles estão a idade da gestante, um histórico prévio de abortamento espontâneo sem causa determinada, o consumo de cigarro, álcool e café em grandes quantidades, além de estresse psicológico.

Além desses fatores, chamados “ambientais”, há ainda alguns fatores relacionados a enfermidades pré-existentes, tais como diabetes, doenças da tireoide (hipotireoidismo ou hipertireoidismo) e problemas na fase lútea, como anomalias na maturação do endométrio causadas pela produção insuficiente de progesterona.

Alguns pesquisadores afirmam ainda que as causas do aborto habitual podem estar relacionadas a fatores genéticos. Também há considerável incidência de fatores anatômicos, tanto da mãe quanto do feto em formação.

Dentre estes, encontram-se as anomalias mullerianas, que são malformações uterinas responsáveis por cerca de 15% das perdas no segundo trimestre. A chamada incompetência cervical normalmente decorre de trauma cervical no útero. Esses traumas podem ser ocasionados por laceração do colo uterino, curetagem uterina semiótica ou pós-aborto, dentre outros. A curetagem uterina pós-aborto também pode ser responsável pelas sinéquias uterinas, que são outra causa do aborto habitual.

Por fim, infecções de diversas naturezas e anomalias no sistema imunológico materno também podem ser causadoras das perdas frequentes da gestação.

Tratamento

De acordo com a Sociedade Europeia de Reprodução Humana, de 40% a 70% das mulheres que sofrem de aborto habitual por motivos desconhecidos acabam desenvolvendo uma gestação normal sem qualquer tipo de tratamento.

No entanto, se as causas forem diagnosticadas, convém trata-las de acordo com a especificidade de cada caso. A prevenção é feita evitando-se a exposição aos fatores ambientais nocivos, mantendo hábitos de vida saudáveis e tentando manter o nível de ansiedade por uma nova gestação sob controle. Dessa forma, há evidências de que a paciente não terá grandes problemas em levar a gravidez até o fim.

Assuntos: Gravidez

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