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O pensar gordo também afeta nossas relações pessoais

Desenvolver a percepção de nossas necessidades é um caminho importante para mudar comportamentos

em 05/12/2012

Foto: Thinkstock

Refletindo em como funcionam as pessoas com sobrepeso/obesidade, vejo a relação entre o peso e os relacionamentos que se estabelecem de uma forma bem clara. Se puder escolher entre um pequeno brigadeiro ou um grande, é este mesmo que irá optar em comer.

Não precisamos ir muito longe para observarmos em como esses comportamentos se dão quando algumas pessoas ao entrarem a uma loja para comprar um sapato, experimentam um preto que seria o que está precisando no momento, mas acabam comprando vários outros modelos diferentes, e se percebem saindo da loja com quatro sacolas de sapatos, pois não só comprou só o par de sapatos que precisava, mas precisou se sentir satisfeito, se empanturrado de alimentos emocionais que os sapatos representavam naquele momento.

A compulsão pode se dar em vários aspectos de nossas vidas, e cada um experimenta de forma diferente essa manifestação, um comportamento a qual chamamos de perda de controle, gerado pela necessidade de satisfação rápida.

Nas relações interpessoais, a situação se repete de uma forma mais disfarçada e menos visível aos olhos das pessoas envolvidas. A compulsão vem transvertida através da necessidade do outro nos completar, uma necessidade que também tem a função de satisfação de necessidades.

Fica claro tanto na clínica como também nas vivências pessoais várias relações nas quais podemos detectar um adoecimento do afeto, uma necessidade de que o outro nos complete e possa preencher nossos anseios, vazios, solidão e angústias.

A partir deste ponto podemos detectar que uma grande parte das pessoas pensam gordo, e acreditam realmente que o outro deva encarnar a sua idealização, e se decepcionam quando se deparam com as diferenças, com a não completude de seus pensamentos, seu corpo (simbiose), e na seqüência, cortam as suas relações, destrói o outro. Quem já não vivenciou essa situação ou mesmo percebeu no outro essa atitude?

O outro o decepcionou, não deliberadamente, mas por ser justamente – O OUTRO, com anseios, desejos, crenças, referências diferenciadas, e que realmente não vai e não pode, se colar ao desejo e no anseio do amigo.

Penso na relação do pensar gordo nesse aspecto, do desejar mais, querer que o outro seja o maior dos amigos, o melhor, o mais compreensivo, o mais presente, para justamente compartilhar a forma de ver e vivenciar as situações do dia a dia, o pensamento mágico de que tudo vai melhorar, se o outro os preencher.

E a comida, não é essa a função que ela exerce nas pessoas que comem demais? A necessidade de ingerirem uma grande porção de comida para sentirem-se satisfeitos? A comida que entra como substituto do afeto, do toque, do beijo, da atenção? É importante parar para refletir no como nos relacionamos com as pessoas, se não estamos exigindo comportamentos que ultrapassam a linha do que seria o normal para que duas pessoas possam conviver em harmonia sem sentirem-se lesados pela demanda do parceiro, do amigo, da família.

Vale parar e refletir no como estabelecemos nossos vínculos, pois sempre há tempo de mudar nossos posicionamentos e buscar nos alimentar de outras formas que nos daria prazer, sem grudar em somente a algumas pessoas, podendo ampliar nossa rede de contato e principalmente de situações que também nos traz prazer em nossas vidas.

Luciana Kotaka

é colunista do Dicas de Mulher e especialista em Psicologia

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