O amor não tem idade ou tempo para acontecer

O sentimento pode acontecer em inúmeras fases da sua vida e ser sincero em todas elas

Escrito por Vanessa Herrmann
Foto: Getty Images

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Como qualquer outro sentimento, o amor não é escolhido para ser sentido em determinado momento, ele simplesmente acontece. A pessoa que sente pode reagir de diferente formas, é claro, dependendo do momento da vida que esteja passando, ou a idade que tenha, mas isso não torna o sentimento menos verdadeiro.

Letícia Guedes, psicóloga clínica, coach de relacionamentos e analista do comportamento, comenta que, “de fato o amor surge de repente, não escolhe idade, lugar, hora certa e nem a pessoa correta. Ele simplesmente aparece. E cabe a nós decidir ir em frente ou descartar sua possível ‘cara metade’. O amor é uma completa desordem, nos dias atuais as pessoas vivem correndo, sem tempo para si próprio e principalmente para os outros, e quando se fala em amor, muitos podem pensar que seria um ao outro ou a si mesmo”.

Porém, mesmo cabendo à pessoa aceitar esse amor, ou não, muitas vezes, em relacionamentos que as pessoas não possuem uma idade que seja julgada como ‘a ideal’, isso acaba causando sofrimento para os envolvidos.

“Penso que a sociedade generaliza que as pessoas mais velhas não amam da mesma forma que os jovens. É como se os mais velhos ficassem reservados a qualquer amor que seja assexuado. A idade não pode ser caracterizada como conceito, o amor na velhice pode ter a mesma intensidade quanto na juventude, porém ele é mais vivido e com mais experiência”, explica a coach.

“É preciso compreender que o amor, a paixão, a sexualidade não estão condicionados apenas ao nosso corpo físico, nem atrelados exclusivamente à idade biológica. Apesar disso, o machismo, a cultura e a sociedade moderna como um todo descreve que amar se restringe a juventude e que após isso existe somente respeito. Não é porque a idade já ultrapassou uma determinada marca, que as pessoas não irão se apaixonar novamente. O ser humano é capaz de se apaixonar e viver vários amores”, acrescenta a especialista.

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A pressa em que a sociedade vive pode ser boa e ruim para o amor. “O lado bom é que pode surgir um amor repentino e o ruim é que ficamos presos aos trabalhos, famílias, finanças e nos esquecemos de olhar para o lado e procurar um amor. As categorias institucionalizadas pelo ser humano os prejudicam a viver a vida plenamente, aprisionando os desejos, os sentimento, as emoções, os prazeres. O amor, a paixão e a sexualidade fazem parte de toda a vida. O amor contribui para a preservação da saúde física e mental, é como um exercício. Se tabelarmos uma idade para amar alguém, corremos o risco de ficar sozinhos e isso não faz bem para a saúde. O melhor é se permitir sempre que o amor bater em nossa porta”, destaca Letícia.

“Encontrei o amor quando menos imaginava”

Foto: Getty Images

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Confira depoimentos de quem viveu o amor quando menos esperava e inspire-se com as histórias.

Luana Costa, 33

Luana conheceu o marido quando tinha 17 e ele 32. Ela conta que passava todos os dias em frente ao barzinho que ele tocava violão e sempre que ela passava ele tocava a música Ludo Real, do Chico Buarque.

“O primeiro ano foi o mais difícil, minha família foi contra, pesava muito ele ter sido casado e ter um filho, naquela época tinha cinco anos. Minha mãe me proibiu de atender os telefones dele, até falou pra ele se afastar, ficamos um tempo distantes, eu e ele até tentamos namorar outras pessoas, mas bastava um encontro e tudo voltava. Foi até que depois de fazer 18 anos, eu disse pra mim, pra ele, pra minha mãe, pra todo mundo, que íamos ficar juntos, namoramos de cadeirinha a moda antiga.”

Ivone Migorance, 78

Ivone se casou duas vezes, uma aos 13 e a outra aos 27. Ficou viúva de ambos os maridos, do último, com 39 anos. Mas isso não a fez parar de acreditar no amor. Aos 66 anos se apaixonou novamente. O colega de dança nos bailes para idosos foi se mostrando um bom amigo e uma ótima companhia. O que se transformou em um relacionamento feliz que durou por 7 anos, até que José faleceu.

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D. M., 59

D. M. nunca foi casada, mas tem planos para que isso aconteça ainda esse ano. Está com seu namorado V. J., 68, há 2 anos. Para ela, que já teve outros relacionamentos duradouros, o amor que você sente durante alguns períodos da vida é diferente de outros.

“Hoje, para mim, o amor está relacionado ao companheirismo que temos um pelo outro, o que é muito importante nesse momento das nossas vidas”.

O amor é um sentimento maravilhoso e quando compartilhado, gera uma sensação melhor ainda. Permita-se amar e não deixe que o passar dos anos a impeça de se sentir digna de ter um novo amor, uma nova paixão, novos relacionamentos.

Assuntos: Relacionamentos

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