“Independentemente do seu corpo, você tem que usar o que sente vontade”, incentiva Amanda Pieroni

A influenciadora da área da moda fala sobre representatividade e como os padrões afetam a autoestima da mulher

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Em 17.06.22 às 10:35

Amanda Pieroni

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Em 17.06.22 às 10:35

Atualmente, muito se fala em transformação estrutural no setor da moda e há diversas pautas em discussão sobre padrões estéticos, empoderamento feminino, diversidade racial, étnica e gênero. Dessa forma, é essencial que as peças sejam criadas para haver identificação e mais inclusão.

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Nesse sentido, a representatividade na moda é fundamental para quebrar esteriótipos de beleza, encorajar mulheres a aceitarem os seus corpos e a usarem roupas para se sentirem confortáveis e bem consigo mesmas. Para isso, as redes sociais são importantes ferramentas de comunicação e influência de comportamento que podem ajudar a promover a diversidade, a democratização da moda e a aceitação.

A influenciadora digital Amanda Pieroni ficou famosa no TikTok por desafiar tendências mostrando se determinados looks são de fato bonitos ou só ficam bem em mulheres magras. Além disso, a engenheira química e fashion maniac, mostra em seu Instagram que mulheres consideradas fora do padrão, podem ser estilosas e sempre posta looks para inspirar essas mulheres.

Em conversa com o Dicas de Mulher, Amanda falou sobre a sua história, padrões da moda, autoestima e deu dicas de como as mulheres podem encontrar o próprio estilo. Confira!

Dicas de Mulher – O que te levou a postar looks em redes sociais para inspirar mulheres vistas como fora dos padrões?

Amanda Pieroni – Eu, desde que criei o meu Instagram, seguia blogueiras e influencers e mesmo gostando do conteúdo delas eu sentia que quando eu me inspirava nelas para fazer e construir algum look não ficava tão bom quanto e isso me frustrava completamente, porque eu não me sentia representada. Então um dia, eu pensei: se eu me sinto assim devem ter outras pessoas que também de sintam! E desse dia em diante eu decidi criar conteúdo para inspirar outras mulheres que se sentiam como eu! E que vendo uma outra mulher fora do padrão vestindo o que quer e o que gosta sentissem essa mesma vontade de se libertar desse padrão.

Você acredita que as tendências que estão surgindo hoje em dia são para todos os corpos? Qual a sua opinião sobre o assunto?

Não. As tendências sempre são pensadas para corpos magros. Vemos uma alta de mini-saias com croppeds super curtos e quase nenhuma mulher fora do padrão vestindo isso. Isso acontece muito também pela dificuldade de encontrar peças nesse formato e peças tendência em tamanhos maiores.

Como os padrões da moda podem afetar a autoestima e a autoconfiança da mulher?

Os padrões afetam porque nós mulheres sempre acabamos nos comparando com o que vemos na televisão, nas redes sociais. E muitas vezes nos comparamos com algo que sequer existe na vida real, que faz parte de uma foto super editada. E quando nos comparamos com esse padrão e percebemos que nunca vamos alcançar, ficamos muito frustradas e isso gera um impacto muito negativo na nossa autoestima porque pensamos que “nunca vamos ser bonitas como aquela pessoa que estamos vendo”, quando na verdade somos bonitas do nosso jeito cada uma com sua particularidade e beleza! Não é só um padrão que é bonito!

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Na sua opinião, mulheres com diferentes tipos de corpos podem usar qualquer peça que está na moda e se sentirem bem consigo mesma?

Nós temos que usar o que gostamos e o que nos sentimos bem. Se você se sente bem com determinada peça, isso já basta e tem que se sentir livre para usar! Então sim, eu acredito que independentemente do seu corpo, você tem que usar o que sente vontade!

Você acredita que a moda atualmente tem se preocupado mais em produzir roupas voltadas para mulheres plus size? Por que?

Há alguns anos vemos um aumento da quantidade de marcas produzindo roupas em uma grade de tamanhos maiores. Ainda é muito pequena comparada à quantidade de marcas que produzem roupas na tabela de medidas tradicional. Mas acredito que essa preocupação é um movimento lento mas que vêm ganhando força.

Você acredita que a indústria da moda tem se adequado ao movimento body positive?

Vemos recentemente aparecer tendências que são pensadas somente para o corpo magro, então muito está se falando na teoria, mas muito pouco vem sendo feito na prática. Então, não acredito que o mercado efetivamente vem se preocupando com o movimento.

Por que as mulheres estão buscando criar o próprio estilo ao invés de seguir tendências da moda?

Somos bombardeados com informação o tempo todo, principalmente proveniente das redes sociais e acabamos que vemos muitas coisas de forma “repetida” em especial as pessoas vestindo as mesmas roupas que estão em alta e são tendência no momento. Em contrapartida por conta disso tem uma necessidade muito grande de ser diferente e de querer criar sua própria identidade e não ser “mais um” e por isso, existe esse movimento de achar o seu próprio estilo e a sua identidade.

Na sua opinião, independente dos padrões de beleza e tendências de moda, o que é ser uma mulher estilosa? Quais as dicas que você dá para as mulheres encontrarem o seu próprio estilo?

Vestir o que ama e o que se identifica. Não existe regra de como ser estilosa porque cada um tem a sua personalidade e as roupas que se identifica, e quando a gente veste uma peça que se sente bem e bonita, isso já te faz estilosa! Procure peças que você ama, e veja se existe alguma peça que você não gosta de jeito nenhum – anota isso. Depois veja se tem algum tecido que você se identifica mais, como veludo, tule, etc. Agora veja os sapatos, quais você mais gosta? Provavelmente vai existir um padrão. Com tudo isso anotado, vai no seu armário e veja quais peças se encaixam nessas características que você colocou e quais não. O que não, você pode separar e o que se encaixa você deixa, em seguida quando você for comprar você vai comprar com um propósito, vai seguir a mesma linha das roupas que você deixou no armário.

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