“Temos conquistas muito recentes sofrendo um grande retrocesso”

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Atualizado em 27.04.22

Reprodução / Elisa Riemer

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Em 01.04.22 às 14:16

Elisa Riemer á artista, paranaense, lésbica e criadora do Nosotras Tarot, o primeiro deck feminista no mundo e que conta com imagens de mulheres. Esse é seu principal trabalho, embora tenha muitos outros projetos.

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Suas colagens e artes gráficas são construídas mediante suas autodescobertas, demonstrando que adentrar seu próprio universo é fundamental para compreender-se. Já fez trabalhos importantes para livros e portais midiáticos, como a Revista Cláudia.

Como mulher lésbica vivendo em uma cidade do interior, Maringá-PR, conta que muitas demandas não foram conquistadas efetivamente, enfrentando ainda preconceitos em relação a assuntos básicos.

“[…] faz pouco mais de 1 mês que foi aprovado na câmara de vereadores em minha cidade o reconhecimento de casais homoafetivos como família. Eu e a minha companheira temos dificuldades de acesso na escola de nossa filha e em locais que sempre estão reafirmando que a gente não é nada”.

Elisa destava que já esteve pensando em mudanças no sentido macro, mas que entendeu que precisa estar ativamente no micro “pra ver o doce mexendo”, ou seja, atenta a pequenas situações cotidianas que ainda excluem mulheres lésbicas e casais homoafetivos, por exemplo.

Censura, preconceito e violência

Reprodução / Elisa Riemer


Para Riemer, avanços para a comunidade LGBTQIA+ têm regredido no país. “Conquistas muito recentes estão sofrendo um grande retrocesso com o Governo atual. Essa é uma das maiores dificuldades no Brasil da atualidade, todxs nós sentimos”, destaca.

Esse retrocesso está em diversas áreas da vida, conta Elisa:

“Eu senti em minha arte, a censura. Eu senti na minha família, o tratamento nos locais públicos. Vi muitos amigos serem violentados. Não basta estarmos passando por esse sentimento de luto que o COVID-19 nos deixou, ainda temos que lidar com questões e atitudes desumanas com nossa comunidade”.

Uma arte da colagista já gerou grande polêmica anos trás. Seu cartaz da II Parada LGBT de Maringá, evento que tinha como tema “Estado Laico & Transdespatologização”, foi alvo de polêmica por trazer a catedral da cidade, com um prisma contendo luzes que representavam as cores do arco-íris, o que lembrava não só a bandeira do movimento, mas também um disco do Pink Floyd.

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A respeito disso, a artista acredita que a interpretação da arte é individual e que a maldade está nos olhos de quem vê, conforme dito à Revista Lado A na época.

Referências políticas e esotéricas

Em seus trabalhos artísticos e no cotidiano Elisa Riemer tem muitas mulheres como referência, pessoas que buscam espaços para construir uma sociedade mais justa e igualitária. Um delas é sua companheira e parceira de trabalho, a taróloga Paula Mariá Riemer.

Inspira-se na líder indígena Sônia Guajajara e na astróloga Mariana Candeiras, bem como nas esotéricas Andrezza Mota e Tatiane Lisbon, personalidades que falam sobre misticismo acrescentando importantes discussões sociais, como racismo, feminismo e LGBTfobia.

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Assuntos: Entrevistas