Bem-estar

O sexo após os 60 anos contribui para a autoestima e o bem-estar feminino

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Ginecologista e sexóloga Dra. Michelli Osanai fala sobre tabu, preconceito e benefícios do sexo na maturidade

Em 27.07.22

Envelhecer pode ser um processo difícil, sobretudo para as mulheres, que sempre foram cobradas pela sociedade em vários aspectos. Ainda há grande dificuldade em aceitar a sexualidade no processo de envelhecimento, sendo um dos temas mais presentes quando se fala em etarismo. Sendo assim, existem diversos estigmas e estereótipos relacionados à sexualidade feminina e ao sexo após os 60 anos.

Para a ginecologista, sexóloga e terapeuta sexual Dra. Michelli Osanai, “os idosos não tiveram a sua sexualidade reconhecida devido à crença de que o envelhecimento está associado à doença, à incapacidade, e de que o idoso é um ser assexual. É preciso desconstruir esses preconceitos.”

Ainda segundo a especialista, existem as questões socioculturais, crenças negativas sobre o sexo, alterações hormonais e doenças crônicas. “Nesse sentido, é importante estar com a saúde em dia, por meio de hábitos saudáveis e acompanhamento médico regular. Bem como a melhora dos demais aspectos de qualidade de vida, que representam importantes fatores a influenciarem a sexualidade do idoso.”

Benefícios do sexo após os 60+

O sexo após os 60 anos faz bem para a saúde física e mental. “Não apenas o coito ou o orgasmo, mas o contato íntimo em si desperta uma série de reações fisiológicas e neuroquímicas que são muito benéficas do ponto de vista físico e emocional”. Além do mais, os “hormônios e neurotransmissores, como ocitocina, dopamina, óxido nítrico, endorfinas, entre outros, promovem reações prazerosas e relaxantes com impacto psicofísico muito positivo”, explica a especialista.

De acordo com a Organização Mundial de Saúde (OMS), uma vida sexual saudável e prazerosa pode trazer qualidade de vida e melhorar a saúde em geral. Outro ponto importante, segundo a Dra. Michelli Osanai, é que “se manter ativa e satisfeita nesses aspectos também é muito positivo, construindo relações saudáveis e satisfatórias”.

O tabu e o preconceito na menopausa

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Existem tabus e preconceitos associados à menopausa de que, com o fim do período reprodutivo, a mulher encerra a atividade sexual. Já que, conforme informa a ginecologista, historicamente, o sexo foi atrelado à função reprodutiva e não ao prazer feminino.

Nessa fase, a mulher passa por mudanças físicas e emocionais e pode apresentar dispareunia (dor na relação sexual), devido à queda dos níveis hormonais. “A mulher percebe a falta de lubrificação nas relações sexuais, que causa certo desconforto e até dor durante a penetração. Essa associação do sexo com dor faz com que muitas passem a evitar as relações sexuais, e podem desenvolver uma disfunção de desejo secundária”, esclarece a ginecologista.

Além disso, os sintomas da menopausa, como fogachos, insônia e alterações de humor, podem comprometer o desejo sexual feminino e o bem-estar em geral. “Esse quadro pode ser evitado ou revertido por meio de cremes contendo hormônios ou hidratantes vaginais, terapias não hormonais, terapias hormonais sistêmicas ou laser, quando indicados.”

Sexualidade feminina na maturidade

Segundo a Dra. Michelli Osanai, apesar da idade, a mulher madura pode chegar ao orgasmo, mas algumas necessitarão de mais estímulos e tempo para isso. “Em algumas condições, como no diabetes, na depressão, alguns medicamentos ou na atrofia vaginal, pode haver uma redução da sensibilidade prazerosa genital e dificuldade de atingir o orgasmo”, pontua.

Nesse caso, a profissional diz ser importante investir em preliminares, conhecimento do próprio corpo e uma comunicação sexual adequada com o parceiro ou a parceira. Ademais, para manter a vida sexual ativa nessa fase, é importante cuidar da autoestima, da alimentação e praticar atividade física.

Sendo assim, a terapeuta explica que “a má qualidade de vida, em geral, é um dos fatores impeditivos de uma plena realização sexual em qualquer idade. Manter-se ativa e curiosa, manter o convívio social, cuidar do cabelo, perfumar-se e valorizar as suas qualidades são receitas para manter-se cheia de energia para a vida e para o sexo.”

Formada em Letras e pós-graduada em Jornalismo Digital. Apaixonada por livros, plantas e animais. Ama viajar e pesquisar sobre outras culturas. Escreve sobre diversos assuntos, especialmente sobre saúde, bem-estar, beleza e comportamento.