“Red: crescer é uma fera” gera polêmicas por falta de representatividade amarela

A animação, que discute menstruação e relações familiares, gerou incômodo por falta de representatividade asiática na dublagem

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Em 24.03.22 às 17:37

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Em 24.03.22 às 17:37

O filme Red: crescer é uma fera (2022) estreou exclusivamente no Disney+ e vem conquistando mais público a cada dia. Apesar da boa recepção, devido aos temas sensíveis abordados, a dublagem brasileira se envolveu em polêmica por não respeitar representatividade por trás das câmeras.

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Sobre temáticas abordadas na animação

Dirigido por Domee Shi, vencedora do Oscar pelo curta Bao, em 2018. O filme conta a história da jovem Mei-Mei (Rosalie Chiang) de apenas 13 anos que acredita estar sempre no controle de todas as suas atividades do dia a dia, com boas notas, atividades extracurriculares e sendo uma boa filha. Até que um panda grande e vermelho surge na sua vida.

O filme consegue reunir em uma trama sensível e divertida o conflito das alterações hormonais, a descoberta da sexualidade e a importância da amizade, ao mesmo tempo que também retrata as complicações da pressão familiar e ancestralidade.

O longa é o primeiro da Disney a abordar o tema da menstruação e início da puberdade, que por muitas vezes é visto como motivo de constrangimento, vergonha e ansiedade para muitas meninas nessa idade. Assim mostra também como lidar com esse momento, garantindo momentos leves com risadas.

Em entrevista para o NerdBunker, a diretora comenta sobre a importância de compartilhar alguns aspectos desse universo feminino com o público. A obsessão pelos membros de uma banda, o primeiro crush e o fascínio por sereias são coisas importantes para a personagem e que aproximam o público dessa mesma fase, e até mesmo quem já passou por ela.

Representatividade e polêmica

Esse é o primeiro filme da pixar dirigido exclusivamente por uma mulher e com uma equipe principal feminina. Além da representatividade presente na história, esse trabalho também aconteceu atrás das câmeras com a escolha do elenco para dublar os personagens.

A família da protagonista Mei Mei recebeu a dublagem original de atores das mesmas etnias dos personagens. A família é dublada por atores asiáticos: a atriz Sandra Oh interpreta Ming Lee, mãe da Mei Mei; Rosalie Chiang interpreta a Mei Mei; James Hong faz o papel do pai, Mr Gao.

No entanto, esse mesmo cuidado não aconteceu com a dublagem brasileira, que escolheu atores brancos para dublar os personagens, e não pessoas amarelas. Ary Fontoura (Sr Gao), Rodrigo Lombardi (Jin Lee) e Flávia Alessandra (mãe de Mei) foram escolhidos para dublar os personagens de origem asiática.

O fato gerou indignação na internet devido à falta de representatividade desses papéis no Brasil. A atriz Bruna Aiiso comentou sobre o caso em suas redes sociais e lamentou a escolha:

Além disso, a atriz também fez uma outra postagem sobre atores asiáticos que poderiam dublar os papéis. Com isso, mostrou que há profissionais capacitados para esse trabalho e que manteriam a representatividade.

Diante disso, não é possível dizer que faltam opções de profissionais amarelos. Contudo, não é a primeira vez que uma escolha como essa foi feita na dublagem brasileira. O filme do Pantera Negra (2018), que conta com um elenco majoritariamente negro, foi dublado em sua maioria por atores brancos.

Para saber mais sobre Red: crescer é uma fera, veja o trailer:

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