Presidente Jair Bolsonaro fez discurso machista em homenagem às mulheres

No Dia Internacional da Mulher, Presidente disse que as mulheres estão integradas à sociedade e que é um governante cor-de-rosa

Publicado por                                
Em 09.03.22 às 14:35

JAIR M. BOLSONARO

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Em 09.03.22 às 14:35

Em comemoração ao Dia Internacional da Mulher (8), houve no Palácio do Planalto um evento intitulado “Brasil para Elas, por Elas e com Elas”. Nele, o presidente Jair Bolsonaro fez um discurso no qual defendeu que as mulheres estão “praticamente integradas à sociedade”.

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Além disso, o presidente subiu ao palco com uma gravata da cor rosa. E foi apresentado como “presidente mais cor-de-rosa do Brasil” pela primeira-dama, Michelle Bolsonaro. O que gera uma associação das mulheres à cor rosa, como feito em outro momento pela ministra Damares Alves: “É uma nova era no Brasil: menino veste azul e menina veste rosa”.

Em seu discurso, Bolsonaro comentou: “Lá naquele meu tempo, é história: ou a mulher era professora ou dona de casa. Dificilmente uma mulher fazia algo diferente disso lá nos anos 50, 60. Hoje em dia elas estão praticamente integradas à sociedade”. Ele afirmou: “Nós as auxiliamos, nós estamos sempre ao lado delas. Não podemos mais viver sem elas”.

Essa fala do presidente se complementa com uma série de outros comentários machistas e sexistas que fez desde o início do seu mandato. Por exemplo, quando ele afirmou que sua filha foi uma “fraquejada”. E também quando declarou que não estupraria Maria do Rosário “porque ela não merece”.

Durante o evento para mulheres, o Bolsonaro discursou para um público majoritariamente masculino. De presença feminina, havia apenas a primeira-dama, Michelle Bolsonaro, e as três ministras do seu governo: Tereza Cristina (Agricultura), Flávia Arruda (Secretária do governo) e Damares Alves (Mulher, Família e Direitos Humanos). Ainda assim, o presidente declarou que o seu governo era o que mais tinha participação das mulheres comparado às gestões anteriores.

Vale ressaltar que o governo de Jair Bolsonaro conta com apenas três mulheres no comando de alguns cargos, entre os vinte e três ministérios que existem hoje. Uma média de 9% de representatividade feminina, quando a média mundial é de 20,7%.

Fica a pergunta: do que vale a conquista ao voto feminino se as mulheres possuem tão pouca representatividade na defesa de seus direitos?