Por que as mulheres não têm a mesma autoestima dos homens?

Pesquisa revelou que só 3% dos homens se acham feios, enquanto isso 20% das mulheres ainda estão em busca do amor-próprio

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Em 12.05.22 às 15:22

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Em 12.05.22 às 15:22

“Apenas 3% dos homens brasileiros se consideram feios”. Essa afirmação rodou o Brasil nessa quarta-feira (11), após a divulgação da pesquisa “O que pensa o homem brasileiro”, encomendada pela revista “GQ Brasil” ao Instituto Ideia, que entrevistou 663 pessoas entre os dias 5 e 11 de abril de 2022. O levantamento ainda mostrou que um em cada dois (47%) participantes se consideram bonitos, 44% acreditam estar “na média” e só 6% preferiram não opinar.

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Já do outro lado, o das mulheres, a autoestima ainda precisa ser conquistada. Em 2021, um estudo da Kantar constatou que o número de brasileiras que sofrem com a autoestima baixa chega a 20%. Para 24% delas, esse sentimento é fruto da falta de autonomia financeira, 23% por não ter liberdade sexual e corporal, 22% pela liberdade de pensamento e expressão, 16% pela representatividade nas mídias e 15% devido à falta de conexões sociais.

A psicóloga Vani Catarina Kavaliauska Zito explica o que está por trás desse contraponto tão grande entre a aceitação dos homens e das mulheres: “Essa é uma questão sociocultural e de origem machista que sempre pregou a inferioridade feminina. A mulher tem uma exigência muito maior porque está o tempo todo sendo comparada. Tem que lutar mais no mercado de trabalho, provar o tempo todo que é eficiente, dar conta de todos os compromissos”.

A autoestima, segundo a terapeuta, está relacionada à forma como a pessoa se enxerga, como se coloca diante da sociedade, como enfrenta a avaliação de outras pessoas, além de ter consciência de quem é do potencial. “A autoestima não está relacionada apenas com a forma física, embora esse seja um fator que muitas vezes é avaliado para o bem-estar. A busca pelo amor-próprio vai muito além, é um processo para entender quem nós somos, como a gente enfrenta as adversidades e cobranças. É um conjunto de ações e entendimento”, afirma Vani.

Como fazer para alcançar um patamar menos desigual entre a autoestima masculina e feminina?

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As questões que envolvem o papel do homem na sociedade sempre estiveram relacionadas ao poder e a centralidade, por isso eles são mais flexíveis. A rotina deles tem espaço para atividades pessoais sem tantas cobranças e obrigações.

Já a mulher é mais crítica e acumula mais funções no dia a dia, por isso é preciso entender que esse padrão de perfeição que a gente “tem que alcançar” diminui o amor-próprio. É possível estar bem com os filhos, com o trabalho, na rotina, e encontrar espaço para viver a própria vida. “Por exemplo, ter um horário no qual possa se dedicar a si mesmo. O mais importante é esse “olhar”, tempo e prazer. A mulher tem que se organizar para investir em si mesma através dos momentos de bem-estar individual”, ressalta a psicóloga.

Isso sem esquecer de um dos conflitos mais comuns, o reflexo no espelho: “Ser flexível também, não se comparar ou colocar metas que sejam impossíveis de cumprir porque isso aumenta a frustração. Entender que você não pesa 50 quilos e tudo bem”, finaliza a profissional.