Por que a geração Z é composta por mulheres depressivas?

Integrantes de uma geração ativamente virtual, as jovens mulheres também são engajadas socialmente e se preocupam com a saúde mental

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Em 11.05.22 às 15:12

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Em 11.05.22 às 15:12

Com personalidades como a jovem atriz brasileira Maísa Silva, de 19 anos, que se destacou pelo sua maneira singular de falar sobre tabus, e a ativista paquistanesa ganhadora do Prêmio Nobel da Paz, Malala Yousafzai, de 24 anos, a geração Z é apontada como a geração de desconstruções e lutas sociais, mas também enfrenta muitas questões relacionadas à saúde mental.

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O que é a geração Z?

Para contextualizar, falar de gerações é falar das divisões grupais pautadas nas mudanças políticas, coletivas, culturais, socioeconômicas e comportamentais que acontecem de tempos em tempos. Assim, os grupos geracionais são organizados por nomes e características específicas.

A geração Z, composta por nascidos a partir de 1996, segundo uma pesquisa do Think with Google, representa cerca de 30% da população e é marcada pela presença da tecnologia.

Além disso, trata-se de uma geração que sente a necessidade de fazer a diferença. Seus integrantes são mais questionadores, refletem mais sobre questões pessoais e sociais e buscam romper padrões estabelecidos pela sociedade dos anos anteriores. E isso se reflete também em sua população feminina.

As mulheres da geração Z

Uma pesquisa recente do Instituto Qualibest revela que as jovens mulheres possuem mais autoconsciência e um desejo de se validarem por seus apontamentos, opiniões e personalidades, sem se preocupar com o olhar ou críticas alheias.

Ainda de acordo com o estudo, apesar de a geração atual ter uma busca mais incisiva por procedimentos de beleza e estética, a procura se dá de uma maneira mais fluida e livre, no intuito de um bem-estar pessoal – e não objetivando a validação e aceitação, diferentemente da geração anterior.

Esse posicionamento empoderado parte da visão transformadora de mundo presente nessa geração. Para se ter noção, de acordo com a pesquisa do Think with Google, 85% dos jovens se mostram dispostos a fazer parte de uma causa como preservação ambiental, diversidade, racismo, feminismo e desconstrução de esteriótipos.

Não há dúvidas de que essa é uma geração revolucionária e de mulheres mais questionadoras socialmente e engajadas na luta pelos direitos da mulher, na busca pela segurança e liberdade feminina e na desconstrução de determinados padrões.

Então, por que se trata de uma geração de mulheres depressivas?

Assim como existem grandes benefícios em ser um instrumento de transformação, há também os malefícios. Pesquisas realizadas pela empresa de consultoria empresarial americana, McKinsey, em 2022, revelam ainda que os níveis de bem-estar emocional e social dessa geração é mais baixa. E para mulheres isso é ainda mais delicado.

Conviver em uma sociedade patriarcal e machista se torna um desafio para 62% das mulheres, como informa a pesquisa da Qualibest. Existe um sofrimento emocional relevante em ser mulher na sociedade atual. Afinal, se engajar em causas sociais desconsideradas pela sociedade e até mesmo lutar diariamente pelos próprios direitos é extenuante, e pode ocasionar quadros de depressão e ansiedade.

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Além disso, apesar das afirmações de possuírem um sentimento de liberdade e domínio sobre o próprio corpo, ainda precisam enfrentar questões como assédio sexual e discriminação de gênero, como também demonstra as porcentagens da pesquisa da Qualibest.

Outro ponto discutido por muitos pesquisadores sobre a depressão na geração atual, é o quanto seus integrantes estão mais dispostos e conscientes sobre as questões de saúde mental, possibilitando novas discussões sobre a temática.

De qualquer forma, os alertas para os cuidados com a saúde mental dessas e das demais gerações são muito relevantes para a luta e construção de uma sociedade melhor para mulheres e meninas.