Mulher que denunciou estupro foi condenada a 100 chibatadas

Economista mexicana, que trabalhava na organização da Copa de 2022, foi vítima de abuso sexual, mas foi culpada após denúncia

Publicado por                                
Em 22.02.22 às 13:52

PAO SCHIETEKAT

Por
Em 22.02.22 às 13:52

A mexicana Paola Schietekat trabalhava no Comitê Supremo de Entrega e Legado, empresa responsável por obras de estádios e infraestrutura para a próxima Copa do Mundo no Catar. Ao fazer uma denúncia de abuso sexual, a jovem foi condenada a sete anos de prisão e a 100 chibatadas.

Publicidade

Entenda o caso

O crime aconteceu no dia 6 de junho de 2021 quando um homem, que ela conheceu durante os preparativos para a Copa, invadiu seu apartamento, em Doha, enquanto dormia, a agrediu e estuprou. Schietekat decidiu então denunciar o crime.

Acompanhada pelo cônsul mexicano, Luis Ancora, e em posse de atestado médico e fotografias que mostravam os hematomas sofridos, foi até uma delegacia para denunciar o caso. No local, a jovem foi recomendada pelo cônsul a seguir com o caso até a última instância.

Algumas horas após a denúncia, ela foi convocada pelos investigadores e ficou frente a frente com o seu agressor, o qual afirmou manter um relacionamento amoroso com a vítima. Com a declaração do agressor, Schietekat, que se converteu ao islamismo na infância, passou de vítima para acusada de uma relação extraconjugal. Devido a isso, a lei islâmica prevê uma pena de 100 chibatadas e prisão de sete anos. Com o apoio do Comitê Supremo de Entrega e Legado, a mexicana conseguiu uma saída emergencial do Catar e voltou para o México.

O agressor absolvido

De volta à sua casa, Paola recebeu a notícia de que o seu agressor havia sido absolvido das acusações por falta de provas, já que não tinha câmeras para provar o crime. Mas o processo contra a mulher ainda continua.

No último dia 14 de fevereiro, foi convocada para uma segunda instância no tribunal criminal de Doha, mas nem o seu advogado ou representante do consulado mexicano compareceram. Uma terceira instância está marcada para 6 de março.

Segundo o El País, a vítima comentou sobre o despreparo das autoridades mexicanas em cuidar do seu caso. Ela afirmou que os funcionários não tinham fluência na língua e nem mesmo conhecimento sobre as leis do país, lembrando que foram eles que recomendaram ela seguir até última instância. Ela questiona também sobre como o apoio será feito aos mexicanos que viajarão para o país para acompanhar a Copa.

Na última sexta-feira (18), Schietekat esteve em uma reunião com o secretário de Relações Exteriores, Marcelo Ebrard. Segundo o integrante do governo, o ministério avaliará uma intervenção diplomática para defender a vítima.

Há poucos meses para iniciar a Copa de 2022, ter conhecimento das leis em um país com tantas restrições às mulheres e a certeza de que as autoridades possam garantir a segurança e apoio diante situações como essas são atos imprescindíveis para a segurança das mulheres.