Mulher negra e ex-doméstica, Francia Márquez é eleita vice-presidente da Colômbia

Ativista na luta a favor do meio ambiente e contra o racismo, a líder promete escrever um novo futuro para o país

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Em 20.06.22 às 14:58

Francia Márquez

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Em 20.06.22 às 14:58

No último domingo (19), a Colômbia vivenciou dois marcos políticos importantes para o país. Pela primeira vez na história, a população colombiana elegeu um partido de esquerda (Pacto Histórico) para assumir a presidência, sendo esta composta por Gustavo Petro e sua vice, Francia Márquez, que por sua vez integra o segundo marco, sendo a primeira mulher negra a ocupar o cargo.

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O resultado da apuração de votos ainda não é concreto e passará por uma nova contagem na próxima terça-feira (21), de acordo com as regras do país. Contudo, a vitória preliminar demonstra a recente tomada de consciência da população sobre a importância da representatividade da mulher na política, o que, de maneira positiva, acaba levantando essa discussão em outros países também.

Quem é Francia Márquez?

A atual vice-presidente da Colômbia, tem 40 e nasceu no estado de Cauca. Mãe solo de dois filhos, mulher negra, líder comunitária, ativista, feminista e advogada, a líder política chegou a trabalhar como empregada doméstica para pagar seus estudos.

Há mais de 10 anos atuando em movimentos sociais, Francia, é defensora dos direitos humanos, do meio ambiente, e uma das principais referências da luta antirracista da América Latina. Além disso, também já atuou como presidente da Associação de Mulheres Afrodescendentes de Yolombó, foi candidata a comandar a Câmara das Comunidades Afrodescendentes, e liderou o comitê nacional de paz, reconciliação e convivência do Conselho Nacional de Paz.

Em 2014, foi líder do movimento contra a mineração ilegal no país, onde esteve a frente de processos jurídicos e organizou um protesto em que, cerca de 80 mulheres, marcharam até Bogotá em prol da causa. O ato foi tão impactante socialmente que lhe rendeu em 2018, o Prêmio Goldman de Meio Ambiente.

Em 2021, a advogada chegou a lançar sua pré-candidatura para a presidência do país, mas acabou decidindo, por fim, integrar a chapa de Gustavo Petro. Ainda assim, o foco de sua campanha sempre foi dar voz e levantar discussões sobre os direitos das mulheres, da população negra, dos povos indígenas e das comunidades LGBTQIA+.

A respeito de sua recente vitória como a primeira mulher negra a assumir o cargo de vice-presidência do país, a ativista publicou em seu twitter: “Isto é pelos avôs e avós, mulheres, jovens, pessoas LGBTQIA+, indígenas, camponeses, trabalhadores, vítimas, meu povo negro, que resistiram e também aqueles que já não estão… Por toda Colômbia! Hoje começamos a escrever uma nova história”.

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