Dinheiro e Carreira

“Me sinto realizada na minha profissão”, afirma a soldado Talita Louzardo

Polícia Militar do Paraná / Soldado Feliphe Aires

No Dia do Policial Militar, conheça os desafios das mulheres nessa área e a importância da representatividade feminina

Em 24.06.22

Em 2017, o ex-presidente Michel Temer, por meio da Lei nº 13.449, instituiu o Dia Nacional do Policial Militar. A data, comemorada a partir de então, no dia 24 de junho, homenageia anualmente os profissionais que atuam em prol do cumprimento da lei e da segurança pública.

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Dentre eles, estão, de acordo com a Pesquisa Perfil das Instituições de Segurança Pública, realizada em 2018, cerca de 45 mil mulheres, que diariamente assumem, não só a responsabilidade profissional, mas também a luta pela igualdade de gênero em uma profissão compreendida socialmente como ‘masculina’.

Aliás, é importante lembrar que este dia também honra a conquista de Hilda Macedo, que em 1955, além de implementar o corpo de Policiamento Especial Feminino, no estado de São Paulo, tornou-se a primeira comandante mulher da polícia militar.

A fim de valorizar as mulheres policiais militares do país, o Dicas de Mulher convidou a soldado Talita Louzardo Oler, funcionária do 4º Colégio da Polícia Militar, no estado do Paraná, para falar sobre a importância da representatividade feminina na segurança pública nacional e alguns dos desafios enfrentados na jornada profissional de mulheres que assumem um compromisso com farda. Confira a seguir!

Dicas de Mulher – Você poderia contar um pouco sobre você, sua trajetória e o que te incentivou entrar polícia militar?

Soldado Talita – Na verdade, eu tinha essa vontade [de ser policial] desde criança, mas o destino me levou para outra área. Por incrível que pareça, fui professora de ballet por 20 anos, me formei em educação física, e só depois, entrei para a corporação. Só quando consegui entrar para a polícia militar, me lembrei que era um desejo de criança que, ainda bem, foi realizado.

Como é a sua atuação profissional nesse eixo da segurança pública?

Logo que me formei, fui logo trabalhar na rua, ser motorista de um policial que estava quase se aposentando. Depois fui transferida para atender ligações de emergência no 190, porque fiquei grávida, e então fiquei neste setor por cerca de 2 anos. Hoje faço parte do 4° Colégio da Polícia Militar, atuando na sessão pedagógica e também ministrando aulas de Instrução Cívico Militar para os alunos.

Quais os desafios de ser mulher exercendo uma profissão que comumente a sociedade acredita ser masculina?

É um desafio que enfrentamos desde a escola de formação. O machismo está em todos os lugares e profissões, mas realmente, na área da segurança pública, nós, mulheres, sofremos muito preconceito. Muitos parceiros de viatura que não querem trabalhar com mulheres, por exemplo, e acredito que por isso, muitas optam por irem trabalhar na área administrativa.

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Como é a representatividade feminina na polícia militar? Existem mais mulheres interessadas em trabalhar nessa área hoje em dia?

Houve um aumento significativo de mulheres trabalhando na polícia militar nos últimos dez anos. O interesse vem desde a admiração pela profissão até a estabilidade salarial. Nesse meio, mulheres tem que fazer as mesmas coisas que os homens, nos tornando cada vez mais fortes e empoderadas.

Para você, qual a importância de ter mais mulheres atuando na segurança pública?

Acredito que a mulher deve sempre, em todas as profissões, lutar pelo seu espaço. E neste espaço que é considerado machista, ter mais mulheres fazendo parte e mostrando que podemos trabalhar e ajudar a população, nos torna, peças fundamentais para a diminuição do preconceito em relação às policiais femininas.

Você acredita que as policiais femininas são respeitadas como profissionais?

Acredito que somos respeitadas como profissionais, sim. Mas, muitas vezes, somos mais respeitadas pela população do que pelos nossos próprios companheiros de trabalho.

Você já passou por alguma situação de preconceito e/ou machismo relacionado à sua profissão? Como foi para você?

Já sim. Na minha escola de formação, muitos alunos soldados queriam que as alunas policiais fizessem a mesma prova física que os homens. Queriam que corrêssemos na mesma velocidade, que fizéssemos o mesmo número de barras, e outros desafios, que biologicamente seria bem mais difícil pra uma mulher conseguir.

Quais suas maiores conquistas como policial militar?

Posso dizer que me sinto realizada na minha profissão. Passei pelos principais setores, podendo aprender muito com diversas situações. Hoje, lido com crianças e adolescentes, ensinando e aconselhando para que se tornem pessoas melhores e filhos maravilhosos para que seus pais possam sempre se orgulhar.

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Existe alguma história ou acontecimento que te marcou positivamente na sua atuação profissional?

A aprovação no concurso foi já um grande feito, por que tive a oportunidade de passar no concurso junto com meu marido. Ele trabalha no grupo tático da Rotam e é apaixonado pela profissão. Mas, um momento marcante foi quando pude salvar, via telefone, um bebe que estava engasgado com o leite materno. Orientei a mãe para que ela ficasse calma e assim conseguir fazer todas as minhas recomendações. Ao final, o choro da criança foi o nosso suspiro de alívio.

Psicóloga apaixonada por literatura e psicanálise. Acredita que as palavras, escritas ou faladas, têm o poder de transformar.