Líder indígena, Sônia Guajajara integra a lista de mais influentes da ‘Time’

Nomes como Sarah Jessica Parker, Zendaya, Oprah Winfrey, Adele e Kris Jenner também compõe a renomada lista

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Atualizado em 22.06.22

Divulgação / APIB (Foto: Katie Maehler)

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Em 24.05.22 às 14:35

“A relação e o modo de vida dos povos indígenas, é o que mais protege [o meio ambiente]. Nós estamos nessa linha de frente contra o garimpo, contra a mineração, contra o desmatamento, contra a grilagem de terra. E, infelizmente, nós que fazemos essa proteção somos os mais prejudicados, os que mais morrem”, pontuou Sônia Guajajara, na live da última segunda-feira (23), do canal Meteoro Brasil.

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Com uma trajetória de destaque desde os anos 2000 na luta a favor dos direitos da população indígena e do meio ambiente, a brasileira, conhecida internacionalmente, é uma das mulheres indígenas que estão à frente de causas sociais importantes para o país, e acaba de entrar para célebre lista da revista Time, que aponta as 100 pessoas mais influentes do mundo, ao longo do último ano.

Quem é Sônia Guajajara?

Nascida em março de 1974, na Terra Indígena Arariboia, no Maranhão, Sônia, que é atual coordenadora executiva da Articulação dos Povos indígenas do Brasil (APIB), e pré-candidata à deputada federal pelo PSOL em São Paulo, nasceu entre o povo indígena Guajajara. Com pais analfabetos, a ativista, nas palavras de Guilherme Boulos para a Time, “desafiou as estatísticas” ao se formar em Letras e em Enfermagem pela Universidade Estadual do Maranhão.

Em 2009, Guajajara foi nomeada como vice-coordenadora da Coordenação das Organizações Indígenas da Amazônia Brasileira (COIAB). Em 2013 iniciou seu trabalho na APIB, lutando, desde então, nacionalmente, contra projetos de lei que ameaçam a população indígena e o meio ambiente.

No ano de 2015, recebeu algumas importantes premiações, como: o Prêmio Ordem do Mérito Cultural, do Ministério da Cultura; uma medalha pelo Centro de Promoção da Cidadania e Defesa dos Direitos Humanos Padre Josimo e uma medalha de Honra ao Mérito, do Governo do Estado do Maranhão, pelo seu incansável trabalho no período das queimadas na Terra Indígena Araribóia.

Já em 2017, foi chamada pela cantora Alicia Keys, ao palco do Rock in Rio, para discursar em favor dos povos indígenas e da Amazônia. Em 2018, ganhou destaque por se tornar a primeira indígena a compor uma chapa presidencial.

No ano de 2019, além de ser premiada pela Organização Movimento Humanos Direitos e pela União Internacional para Conservação da Natureza, auxiliou na organização da Primeira Marcha das Mulheres Indígenas em Brasília, que reuniu mais de 2 mil mulheres indígenas de diversos povos, e também na fundação Articulação Nacional das Mulheres Indígenas Guerreiras da Ancestralidade (ANMIGA). Além disso, esteve à frente da Jornada Sangue Indígena Nenhuma Gota Mais, onde passou por 12 países europeus denunciando as violações do atual governo referente a preservação do meio ambiente e os cuidados com os povos indígenas.

Contudo, os desafios também fazem parte do cotidiano de Sônia. Em abril de 2021, por exemplo, a líder indígena foi intimada pela Polícia Federal a prestar depoimentos referentes às críticas feitas ao governo, no documentário ‘Maracá’, que retrata o descaso para com os povos indígenas. O inquérito foi arquivado, mas a luta da ativista em favor do seu povo continua.

“Desde tenra idade, ela lutou contra forças que tentam exterminar as raízes de sua comunidade há mais de 500 anos. Sônia resistiu e continua resistindo até hoje: contra o machismo, como mulher e feminista; contra o massacre de povos indígenas, como ativista”, disse ainda Boulos à Time.

A mais recente conquista de Guajajara, como dito anteriormente, é entrar para a renomada lista das 100 pessoas mais influentes do mundo da revista Time, que a listou como liderança indígena do Brasil. A mesma seleção contou com personalidades como a atriz, Zoë Kravitz; a apresentadora, Oprah Winfrey; a empresária da família Kardashian-Jenner, Kris Jenner; o atual presidente da Ucrânia, Volodymyr Zelensky; a ativista do movimento LGBTQIA+, Nadine Smith; e o atual presidente dos Estados Unidos, Joe Biden.

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Ter o nome de uma mulher indígena, nordestina, ativista e política em uma lista internacionalmente renomada inspira força e coragem. Além de celebrar a garra de Guajajara, é preciso celebrar também todas as líderes indígenas, que resistem e reivindicam diariamente pela igualdade de gênero, respeito aos povos indígenas, preservação de suas terras e o fim do genocídio indígena.