“Heartstopper” mostra como é descobrir-se LGBTQIA+ na juventude atualmente

Aclamada pela crítica e sucesso no Twitter, série da Netflix retrata com delicadeza o desafio de assumir a orientação sexual na escola

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Atualizado em 18.05.22

Reprodução / Heartstopper

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Em 15.05.22 às 14:30

Marcada por mudanças físicas e emocionais, a adolescência é uma fase complexa e cheia de dúvidas e receios. É nesse meio tempo entre a infância e a vida adulta que as descobertas sobre si e sobre o mundo passam a ser mais significativas, momento em que algumas situações ganham a sua primeira vez, como o primeiro beijo, o primeiro amor, as primeiras festas etc.

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Além disso, o âmbito escolar nesse período apresenta-se fortemente como um recorte da sociedade, gerando muitos questionamentos e ansiedade associados à construção da identidade, sexualidade, aceitação e relações sociais e afetivas. E é de uma maneira simples, mas com uma perspectiva singular, que a nova série da Netflix, “Heartstopper”, desenha essa fase. Veja o trailer a seguir:

Do que trata essa série LGBTQIA+?

Inspirada pelos livros da autora inglesa, Alice Oseman, que também é roteirista e produtora executiva da série, a trama é um romance adolescente que conta a história de dois garotos, Charlie e Nick, que se conhecem no ensino médio e desenvolvem um romance a partir da amizade. Além deles, há duas garotas, Elle e Darcy, que se assumem lésbicas na escola, ao mostrarem para todos que estão namorando. Ambas acabam servindo de suporte e orgulho para o protagonista, Charlie, mesmo com as adversidades.

A produção abre um leque de reflexões, não só sobre esse período da vida, mas também sobre autodescoberta e a aceitação relacionada à sexualidade. Aliás, socialmente falando, é de extrema importância o espaço que esse tipo de produção vem ganhando nos últimos anos.

Afinal, numa sociedade onde a heteronormatividade impera, assumir-se LGBTQIA+ na adolescência implica em enfrentar, não só os conflitos que permeiam o momento da descoberta da orientação sexual, mas também o preconceito e a violência psicológica, verbal e física comumente vivenciada pela comunidade queer no âmbito escolar.

Entretanto, diferente de outras criações da mesma categoria, a nova série desenvolve esse assunto de maneira delicada, doce e positiva, com personagens que vivenciam seus conflitos com certa maturidade apesar da idade. Além disso, destaca a importância de um contexto familiar acolhedor e das relações sociais, com amigos e professores, como uma rede de apoio.

A produção agradou tanto os assinantes do streaming que ainda na primeira semana de lançamento o título entrou para o Top 10 da plataforma e também para os assuntos mais comentados do Twitter, além de receber 100% de aprovação crítica pela “Rotten Tomatoes”.

A importância do “final feliz” na trama

Descrita como uma obra acolhedora, sensível e envolvente, “Heartstopper” deixa aquela sensação de coração quentinho, como se oferecesse ao espectador um abraço emocional. Isso, porque, o final feliz da trama, reflete com positividade que, mesmo em um mundo marcado pelas diferenças e preconceitos, alcançar a felicidade e ser livre para expressar seus desejos e afetos é algo possível na atualidade.

E é esse contexto que ressalta outra reflexão sobre essa produção. Mesmo a sexualidade ainda sendo um tabu e a orientação sexual ainda ser alvo de muitos preconceitos, a geração atual mostra-se mais aberta para discutir a respeito de maneira mais positiva e acolhedora, como mostra a série.

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Obviamente, ainda há muito trabalho a ser feito em relação às políticas públicas voltadas para a comunidade LGBTQIA+ e à educação social, no entanto, mesmo havendo dúvidas, angústias, medos e vergonhas na descoberta da sexualidade na adolescência, atualmente há também a possibilidade de construir uma juventude marcada por liberdade, acolhimento, respeito e afeto!

Que tal conhecer mais narrativas LGBTQIA+ e dar valor à representatividade? Confira essa lista de livros e séries, existentes também na Netflix, que são simplesmente imperdíveis.