Entenda por que “estupro alimentar” não existe, termo usado por Maíra Cardi

Chef Paola Corosella critica Maíra Card sobre falar de estupro alimentar e levanta polêmicas

Publicado por                                
Em 29.04.22 às 9:30

Maíra Cardi

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Em 29.04.22 às 9:30

Na semana passada, a renomada chef de cozinha Paola Carosella comentou sobre o vídeo da Maíra Cardi, em que a influenciadora falou sobre “estupro alimentar”. De acordo com a influencer, a expressão diz respeito à pressão que uma pessoa que faz dieta sofre ao ser incentivada ou forçada a comer algo que a tire de seu foco, prejudicando seu cardápio saudável.

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Em entrevista para o “Papo de Segunda”, programa do GNT, Carosella comentou que a “coaching de emagrecimento” precisava de uma equipe para orientá-la a não gravar conteúdos inadequados para as redes sociais. “Ela gravou um vídeo drástico”.

“Tem muitos papos por aí sobre comida. E tem muita gente muito maluca. Tem a mulher do Arthur Aguiar que falou de estupro alimentar. Que mulher maluca, louca. Ela deixa todo mundo magro. Ela é uma folha de dendê, toda malhada, E o marido dela entrou no BBB e não come mais a comida que ela faz toda mensurada”, diz a chefe.

O vídeo viralizou e ainda tem levantado diversas discussões sobre o assunto e expressão usada pela digital influencer. O conteúdo foi condenado e criticado por muitas pessoas, devido a comparação dessa ação com uma violência sexual. Nutricionais e outros profissionais da área da saúde também criticaram o vídeo da influencer.

Nutricionista explica por que o estupro alimentar não existe

Para a nutricionista Bruna Sakae (CRN8-13138), o estupro alimentar não existe. “Ninguém é forçado ou obrigado comer o que não quer, o ato de comer está sob nosso total controle e de mais ninguém. Esse conceito de estupro alimentar não tem cabimento, pois não tem relação nenhuma com abuso sexual”, ressalta.

A nutricionista ainda explica: “Propagar isso, e de uma forma violenta é algo que requer muita coragem e ao mesmo tempo de pura irresponsabilidade. Jamais se deve afirmar que não se pode comer algo, que um alimento engorda ou que emagrece, ou que é bom ou ruim”.

Para a profissional, o correto é sabermos escolher as melhores opções para nutrir o nosso corpo com inteligência, mas sem radicalismos. Defende a construção de uma relação saudável com a alimentação.

Muitas pessoas, principalmente mulheres, sofrem de diversos transtornos alimentares e ações como esse vídeo podem ser frutos de diversos gatilhos para aqueles que têm dificuldades com uma alimentação saudável.

Sakae menciona que são três as principais dificuldades que as pessoas têm na hora de construir uma relação saudável com a comida. São elas: fator social, no a comida sempre vai estar presente; falta de planejamento e organização e fator emocional, sendo que o psicológico acaba tendo grande influência na alimentação, como a questão do “merecimento” e “recompensa”, muitos pensam que por terem trabalhado ou estudado muito, por exemplo, merecem comer mais.

Sobre o consumo de conteúdos compartilhados por influenciadoras e pessoas que não são profissionais da área, a nutricionista comenta que esse público consumidor acredita e é influenciado por essas blogueiras, as quais não possuem informações concretas.

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Defende também que promover esse tipo de conteúdo é instigante, mas não é ético. Essas fakes news geram um comportamento alimentar nada saudável e isso pode trazer várias consequências, como transtornos alimentares e afetar a saúde em si.

Dessa forma, Sakae conclui que se for falar a respeito de comida, além de recorrer ao profissional nutricionista, a ajuda de psicólogo é fundamental e pode promover mudança de qualidade de vida, devido a uma relação com a comida de forma saudável.

Assuntos: Alimentação