“Enquanto travesti e reverenda, minha luta é pelo direito de viver, ser e existir”

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Atualizado em 27.04.22

Reprodução / Arquivo pessoal

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Em 18.03.22 às 17:19

Alexya Salvador é primeira travesti a concluir o processo de adoção no Brasil, além de ser a primeira ordenada clériga numa igreja cristã na América Latina. É formada em Letras, Pedagogia e Teologia. Acredita que suas lutas são ser quem é: mãe, travesti, reverenda e ativista dos direitos humanos.

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Diariamente, lida com discursos de ódio em detrimento de pautas que atravessam sua vida. Diante disso, enquanto mulher e travesti, diz “minha luta é pelo direito pleno de viver, ser e de existir”. Propõe, ainda, diálogos e práticas de emancipação de direitos.

“É um desafio diário deixar claro que, sendo uma travesti, minha identidade de gênero não é o motivador para a ausência de direitos”.

Para Alexya, ser travesti é um ato diário de resistência e de resiliência. E relembra que o Brasil lidera o ranking de país que mais mata travestis e mulheres transexuais no mundo, segundo dossiê elaborado pela Associação Nacional de Travestis e Transexuais (Antra).

Conforme a reverenda, a transfobia é uma realidade presente em todos os segmentos sociais. Ela aponta que a sociedade permanece perpetuando a transfobia, que parece não ter fim.

“Quando eu saio da minha casa para ir trabalhar, me deparo como uma sociedade que não foi construída para pessoas iguais a mim. A violência, quando é física, acontece nos olhares, nas palavras e no não acesso aos direitos essenciais”.

Mulheres que inspiram sua jornada

Em sua vida, leva com inspiração mulheres fortes como Sylvia Rivera, mulher trans e pioneira na luta pelos direitos da comunidade LGBTQIA+ na década de 60 nos Estados Unidos. Ela cita que Sylvia é uma referência para as travestis e mulheres transexuais.

Tereza de Benguela, liderança do Quilombo do Quariterê, em Mato Grosso. Ela liderou um quilombo constituido por uma comunidade negra e indígena, resistindo à escravidão e defendendo o território onde vivia. Alexya destaca que sua resistência e resiliência, frente ao sistema de morte que rondava diariamente Tereza, é força, um referencial para ela.

Por fim, cita Carolina Maria de Jesus, uma das primeiras escritoras negras do Brasil. Ela registrou o cotidiano da favela onde morava em cadernos que encontrava em seu trabalho como catadora de papel. Alexya fala sobre a autora e sobre sua força: “Ela não aceitou que a fome e miséria a impedissem de modificar a realidade na qual estava inserida”.

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Lutar pelo direito de existir é uma constante na vida de Alexya Salvador. É na busca por espaço em uma sociedade tão transfóbica que ela levanta sua voz. Além dela, que tal conhecer mais mulheres incríveis?

Assuntos: Entrevistas