“É meu corpo preto que a polícia vê primeiro, as políticas públicas não alcançam”

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Atualizado em 27.04.22

Sara Araujo

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Em 07.03.22 às 10:20

Sara Araujo é uma mulher negra e periférica em um país racista e patriarcal e diz “meu corpo é atingido em vários lugares, por ser uma mulher negra, não consigo não colocar raça em primeiro lugar”. Então, sua apresentação não poderia começar de outro modo.

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Ela nasceu na primeira capital do Brasil, Salvador, filha de uma mãe solo. Além disso, tem duas irmãs e dois irmãos, quatro sobrinhas e cinco sobrinhos. É mãe de Luiz Felipe, formada em Direito e Ciências Sociais e segue cursando pós-graduação em História da África e da Diáspora Atlântica.

Sara também é sommelière de cervejas, ativista e militante dos direitos humanos e sociais. Em seu Instagram, faz diversos posts muito relevantes acerca desses assuntos, com fotos belíssimas, em meio a livros, plantas e, claro, boas cervejas e dicas de harmonização.

Dentre suas bandeiras, destaca-se acima de tudo a luta contra o racismo. E pontua que, embora se alinhe às teorias de Audre Lorde, a qual defende que não há hierarquias de opressão:

É meu corpo preto que a polícia ver primeiro, as políticas públicas não alcançam. Desse modo, em que pese me levante contra todos os tipos de opressões, luta contra o racismo é a minha maior bandeira, uma vez que ainda estamos lutando pelo reconhecimento de humanidade, uma vez que não sou lida socialmente, como humana.

Ser mulher no Brasil, não é algo fácil, e cada uma de nós tem seus embates pessoais, que podem ter variações conforme raça, classe social, orientação sexual, entre outras. Acerca disso, Sara comenta:

No Brasil, que é estruturado dentro do arcabouço do racismo, ser uma mulher negra é está em constate estado de alerta e desespero, mas, apesar dessa estrutura que nos esmaga, luto todos os dias para continuar respirando e inspirando outras meninas, mulheres como eu, a não desistir de derrubar essa estrutura opressora e experienciar a humanidade que nos é de direito.

Para se fortalecer e crescer todos os dias, Sara tem nomes vitais nos quais se ampara. Dentre eles, sua mãe e irmãs, inspirações diárias, e grandes nomes de intelectuais negras, como Djamila Ribeiro, Lélia Gonzalez, Beatriz Nascimento e Bell Hooks.

A cada dia que passa, as mulheres conquistam mais espaços, reivindicam seus direitos e questionam padrões. Além da Sara, que tal conhecer mais mulheres inspiradoras?

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Assuntos: Entrevistas