Dia do Cinema Nacional: as mulheres estão em todas as funções na indústria cinematográfica

Luísa Pécora, idealizadora e editora do 'Mulher no Cinema', fala sobre conquistas e desafios na representatividade feminina no cinema brasileiro

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Em 19.06.22 às 7:30

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Em 19.06.22 às 7:30

Em 19 de junho é celebrado o Dia do Cinema Nacional, data que reflete a memória cinematográfica que retrata a história do país. A produção brasileira conta com diversas obras clássicas e contemporâneas de qualidade, como o filme ‘Que Horas Ela Volta’ (2015), dirigido por Anna Muylaert, que contou com atuação da atriz Regina Casé como protagonista. O longa-metragem, que narra a história de uma mulher pernambucana, foi premiado não só nos Estados Unidos, mas também no Festival de Berlim, no Festival de Cinema de Lima, entre outros.

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Além disso, temos a atriz Fernanda Montenegro como grande destaque feminino no Brasil, com repercussão internacional. Em 1999, foi indicada ao Oscar de Melhor Filme Estrangeiro e de Melhor Atriz pela sua emocionante e brilhante atuação no filme ‘Central do Brasil’ (1998).

Embora a desigualdade de gênero no cinema persista, principalmente por trás das câmeras, as mulheres fazem parte dessa história e tem presença cada vez mais crescente na indústria cinematográfica nacional em diversas funções. A respeito disso, o Dicas de Mulher fala com Luísa Pécora, jornalista, criadora e editora do site ‘Mulher no Cinema’.

Participação feminina no cinema nacional

Luísa Pécora / Reprodução

Diante de um cenário ainda dominado pelos homens, a presença feminina luta constantemente para manter-se e crescer em todas as frentes do cinema. Contudo, existem alguns fatores que favorecem maior participação das mulheres no cinema. Luísa Pécora pontua que quanto mais o cinema brasileiro recebe investimentos, mais a produção cresce e, consequentemente, o mercado amadurece e isso favorece as mulheres.

Além disso, “de forma geral, diria que quando você tem a presença da mulher na direção, aumenta bastante a parte da retomada”, pontua. Por outro lado, Luísa também cita “questões de políticas públicas e alguns editais que, nos últimos anos, se preocuparam em ser mais igualitários, não só em questões de gênero, mas também de raça”.

Segundo a editora do ‘Mulher no cinema’, no Brasil, a Ancine (Agência Nacional do Cinema), fazia levantamentos que apontavam o crescimento feminino em produções cinematográficas nacionais. No entanto, “foram descontinuados no atual governo ou pelo menos, não estão sendo divulgados, então é muito difícil de dizer com clareza devido à falta dados”, informa.

Mulheres estão em todas as frentes

Embora o foco seja sempre em diretoras, roteiristas e atrizes, é válido informar que existem mulheres trabalhando em diferentes áreas do audiovisual e exercem funções importantes.

Conforme menciona Pécora “tem toda uma multidão por trás de um filme e as mulheres estão nessas funções, como diretora de arte, técnica de som, compositora de trilha sonora, diretora de fotografia, além de produtoras, maquiadoras e figurinistas”.

Além disso, ela cita importantes diretoras do cinema nacional, como “Gabriela Amaral Almeida, Juliana Rojas, Everlane Moraes, Glenda Nicácio, Cristiane Oliveira e Grace Passô, já consagrada como atriz, mas tem feito uma carreira bem legal como diretora”.

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No entanto, Luísa destaca que embora existam muitas produtoras já olvidadas e talvez haja mais mulheres do que homens nessa função, ainda há uma desigualdade muito grande e que não existe necessariamente uma mudança estrutural sistêmica em curso.

“Outro ponto importante, é ressaltar que quando a gente fala de gênero no cinema a gente fala de raça no cinema também. As mulheres negras continuam pouco representadas, por exemplo, na direção de longa-metragem ou mesmo no roteiro, em frente às câmeras nos papéis e em diferentes setores do cinema”, pontua. Além do mais, ainda existe a desigualdade salarial entre homens e mulheres, e o julgamento de que elas não estão prontas para dirigir qualquer gênero de filme não considerados para mulheres.

A jornalista pontua que há “um caminho muito longo para que o protagonismo das mulheres no cinema seja menos estereotipado”. Entretanto, “há um debate maior e mais público” sobre o tema que pode ajudar a promover a igualdade de gênero e aumentar a representatividade feminina, sobretudo de mulheres negras, no cinema nacional.