Como é viver e trabalhar no Japão sendo uma mulher descendente de japoneses

Comida, cultura e formas de tratamento diferentes são algumas questões que Rosa Eukari Kikuchi e Renata Mihô enfrentaram

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Em 13.06.22 às 13:40

CANVA

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Em 13.06.22 às 13:40

As brasileiras descendentes de japoneses migram para o Japão em busca de oportunidades de emprego. Em alguns casos acompanham os cônjuges que acabam de ficar desempregados no Brasil e visam trabalhar nas grandes indústrias do outro lado do mundo.

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Apesar de existirem vagas, mesmo quem possui diploma universitário pode encontrar dificuldades em conseguir entrar no mercado de trabalho japonês. Tanto que os descendentes acabam aceitando opções voltadas para estrangeiros.

Rosa Eukari Kikuchi, 53 anos, é filha de japoneses e um exemplo de quem decidiu seguir o marido para tentar a vida no Japão, após ele ficar sem opção de emprego, já que era terceirizado da Petrobras. Ela tem o ensino médio completo e se sentiu tranquila para esse desafio, já que suas filhas são adultas e já concluíram a faculdade.

Já Renata Mihô, 30 anos, também descendente de japoneses, trabalhou em rede de fast food, empresas de comida e autopeças. Ela conta que foi para o Japão em busca de estabilidade financeira e “o mais enriquecedor foi aprender sobre a cultura e respeito ao próximo”, por isso, a experiência, no geral, foi boa.

Cada uma delas vivenciou de forma diferente o jeito como é vista no país. Enquanto Rosa é enxergada como descendente de japoneses, Renata afirma que “com certeza sou vista como brasileira. Sendo descendente talvez eu sofra um pouco menos de preconceito, mas não deixo de ser uma estrangeira”.

Quanto aos trabalhos desempenhados pelas mulheres brasileiras no Japão, Eukari afirma que elas podem exercer diferentes funções. Ainda assim, Mihô trouxe outra questão: “no geral as mulheres acabam recebendo menos por desempenharem um serviço mais leve. Elas precisam se esforçar o dobro para ocuparem bons cargos”.

As entrevistadas falaram também sobre como a mulher brasileira de descendência asiática é enxergada pelos japoneses. Rosa conta que “nos cobram atitudes corretas, vivem olhando o nosso comportamento”. Renata complementa que “não dá para generalizar, mas o país ainda é machista, sendo estrangeira talvez seja mais difícil ainda”.

Em relação à adaptação à cultura, cada uma teve experiências diferentes. Para Rosa ainda está sendo difícil e ela afirma “sou brasileira, mas tento respeitar os costumes dos japoneses, afinal estamos no país deles”. Por outro lado, Renata sente que não teve dificuldades por fazer parte de uma família com bastantes costumes da cultura japonesa. “Mesmo assim tem um choque, no meu caso, para o positivo. Admiro muito essa nação”, finaliza.

Sobre viver no Japão ambas comentaram que tem prós e contras. Para Mihô “temos uma liberdade financeira, em contrapartida, trabalhamos muito”. Já Eukari gosta das facilidades, “tem tudo na mão, tudo prático para limpeza, casa, etc. A comida no mercado também é super prática”.

Para concluir, apesar de terem boas experiências no Japão, as duas entrevistadas afirmam sentir falta do Brasil e pensam em voltar. Rosa diz que “o Brasil é meu país e as pessoas e a comida são o que mais sinto falta”. Renata dá certeza de que pretende retornar. “Algo que me faz querer voltar é a minha família, além de que sinto muita falta da comida e das pessoas”.

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